A infraestrutura escondida atrás do revestimento e da marcenaria decide se uma cozinha vai funcionar bem depois de pronta, e ela só entra no desenho antes da obra. É nessa fase que nascem os principais erros de projeto na cozinha.
Segundo a arquiteta Isabella Nalon: “Podemos considerar, claro, a especificação de acabamentos belíssimos inspirados em tendências, mas é preciso analisar como cada elemento vai funcionar depois que a cozinha estiver em uso”.
A seguir, a arquiteta detalha ao Enfeite Decora os equipamentos que mexem com o ar e a energia da casa, até as superfícies que o morador usa todos os dias, com as medidas de referência que ela costuma adotar. A exaustão ganha peso logo de início, sobretudo quando o cooktop deixa a parede e vai para a ilha.
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Coifa e exaustão: o que dimensionar quando o cooktop fica na ilha?
Com o cooktop instalado na ilha central ou na península, a coifa perde o apoio da parede para conduzir a fumaça. O modelo e o dimensionamento precisam levar em conta a posição do equipamento e as características do ambiente, e a infraestrutura entra no desenho antes da obra, principalmente quando a instalação pede pontos no teto.

Quando a vazão fica abaixo do necessário, a arquiteta descreve as consequências em áreas integradas: sensação de ar carregado, gordura e odores espalhados pelo entorno e, em muitos casos, aumento da temperatura.
O cálculo da vazão caminha junto com a largura, já que 60 cm costumam atender uma área de cocção de quatro bocas, enquanto superfícies maiores pedem coifas entre 80 e 90 cm.
O barulho também pesa em ambientes interligados, onde o motor ligado atrapalha a conversa na sala. “Além da capacidade de sucção, eu também avalio o nível sonoro e as possibilidades de instalação”, relata Isabella.
Outra escolha que depende do imóvel é entre depurador e coifa com saída externa. O depurador filtra o ar e o devolve ao ambiente, ao passo que a coifa com saída externa leva o ar para fora da casa por meio de dutos. Em ambos os casos, os filtros pedem manutenção periódica.
Forno, geladeira e fogão: onde posicionar cada eletrodoméstico
A disposição dos eletrodomésticos maiores interfere diretamente no bem-estar durante o uso da cozinha. A torre quente, presente em boa parte dos projetos contemporâneos, facilita o acesso ao forno e ao micro-ondas, mas a marcenaria precisa respeitar as alturas recomendadas pela ergonomia e a ventilação exigida pelo fabricante.

“Quando o forno fica próximo à geladeira, devemos considerar a dissipação do calor e os afastamentos indicados para cada modelo”, acrescenta a arquiteta.
Na hora de definir a fonte de energia, cada opção pede um cuidado diferente:
- Gás natural ou GLP: a escolha é adequada, e a atenção da arquiteta recai sobre a central de gás e a renovação do ar. O escape costuma vir de mangueiras ressecadas, conexões inadequadas, problemas nos aparelhos ou de um botão de controle que ficou sem fechar por completo.
- Cooktop por indução: exige infraestrutura elétrica compatível, prevista desde o início do projeto. “O ponto de abastecimento deve constar no quadro de distribuição”, argumenta a profissional.
- Forno elétrico: pede um ponto de 220 V com disjuntor independente, medida que ajuda a evitar quedas de energia e falhas no funcionamento do aparelho.
Para escolher o forno, elétrico ou a gás, vale ainda considerar os hábitos dos moradores e as panelas que fazem parte da rotina.
Marcenaria na cozinha: MDF verde, pingadeira e calha úmida
Água e vapor em excesso danificam armários e acabamentos que não foram pensados para a cozinha. Perto da pia, a escolha dos painéis, a proteção das bordas e a qualidade da vedação preservam a marcenaria por mais tempo.

Nesses pontos, o MDF verde, desenvolvido para ambientes úmidos, aparece como alternativa ao MDP convencional por oferecer maior resistência à umidade, e hoje ele já vem em mais cores e acabamentos.
A pingadeira consiste em recuar o armário cerca de 1 cm a 2 cm em relação ao limite do tampo, o que impede a água de escorrer direto sobre a marcenaria e ajuda na conservação do móvel.
Já a calha úmida, que libera espaço na bancada, precisa de dimensionamento cuidadoso. Com profundidade insuficiente, ela reduz a área de apoio, atrapalha a posição da cuba e compromete o uso diário.
A instalação exige saída de água e uma válvula de escoamento parecida com a das cubas, para que a água acumulada siga ao encanamento, e por isso esse ponto entra no projeto desde o começo. Sem ele, a calha não chega a substituir o tradicional escorredor de pratos.
Altura da bancada: a medida de quem cozinha define o projeto
Bancadas e eletrodomésticos fora da altura adequada exigem movimentos que desgastam o corpo de quem cozinha todos os dias. “Temos parâmetros na arquitetura, mas o principal é basear-se na altura de quem usará a cozinha para fazermos as adaptações ideais”, considera Isabella.
Como referência, medidas entre 90 cm e 94 cm costumam funcionar bem para diferentes usuários, embora a definição final dependa das características dos moradores.
Bancada, piso e iluminação pensados para a rotina
Na escolha dos materiais, facilidade de limpeza, resistência e manutenção pesam tanto quanto a aparência. Ao selecionar o tampo da bancada, Isabella avalia a porosidade e a possibilidade de manchas, já que superfícies mais porosas tendem a absorver líquidos com mais facilidade. O piso também precisa ser prático de limpar e adequado ao ritmo da casa.
A iluminação da cozinha deve atender às tarefas do ambiente antes de atender à decoração. Pendentes e luminárias mal posicionados criam sombras sobre a bancada, enquanto pontos de luz sob os armários superiores iluminam a área de preparo.
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