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Home Arquitetura e Projetos

COP30: por que a arquitetura é decisiva nas soluções climáticas

Planejamento urbano, materiais sustentáveis e justiça ambiental entram no centro das discussões da conferência em Belém

Escrito por: Cláudio Filla
13 de novembro de 2025
em Arquitetura e Projetos
COP30: por que a arquitetura é decisiva nas soluções climáticas
Resumo
  • A COP30 em Belém destaca a importância da arquitetura e do urbanismo como ferramentas para mitigar os efeitos da crise climática nas cidades.
  • Especialistas reforçam que projetar com responsabilidade ambiental é essencial para enfrentar enchentes, ilhas de calor e desigualdades urbanas.
  • A conferência discute temas como infraestrutura, energias renováveis e novos materiais, conectando-os ao planejamento urbano sustentável.
  • Iniciativas como uso de biomateriais, técnicas vernaculares e saberes ancestrais da Amazônia ganham destaque como soluções climáticas viáveis.
  • Arquitetos atuam também na reconstrução de áreas afetadas por desastres, reforçando o papel técnico-social da profissão frente às mudanças climáticas.

Belém vive, até 21 de novembro, um dos momentos mais simbólicos de sua história recente ao sediar a COP30. Não é apenas a Amazônia que atrai o olhar do mundo: são também suas cidades, suas formas de ocupar o território e a maneira como a vida urbana se organiza diante das mudanças climáticas. Cada rua, cada edifício, cada sistema de mobilidade traduz escolhas que reverberam no planeta — e é justamente por isso que arquitetura e urbanismo tornam-se protagonistas nas decisões ambientais mais urgentes da atualidade.

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Afinal, a crise climática não é um fenômeno abstrato. Ela se materializa todos os dias na forma de enchentes, deslizamentos, ilhas de calor e desigualdades socioambientais. E é nesse ponto que o trabalho de arquitetos e urbanistas ganha relevância incontornável, como lembra o arquiteto Luis Guedes, do Guá Arquitetura, sediado na própria capital paraense: “Quando falamos de sustentabilidade, falamos de modos de vida. E isso passa diretamente por repensar a forma como projetamos nossas cidades, porque são elas que podem nos levar ao ponto de não retorno ou à solução bioclimática”.

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Arquitetura, cidades e clima: uma conexão indissociável

O desenho das cidades é, hoje, uma das ferramentas mais poderosas para mitigar impactos ambientais. A arquiteta e urbanista Patrícia Sarquis Herden, presidente do CAU/BR, lembra que os efeitos da crise climática são primeiro sentidos no ambiente urbano — e também é ali que surgem as respostas mais eficazes. “É nas cidades que as mudanças climáticas se escancaram, pelos impactos das enchentes e pelo agravamento das ilhas de calor, especialmente nas áreas vulneráveis. Planejar com responsabilidade ambiental é a forma mais concreta de enfrentar esses desafios e promover qualidade de vida”, afirma.

A COP30 amplia esse debate ao reunir, em Belém, mais de 30 temas interconectados. Nos primeiros dias, adaptação, infraestrutura, gestão hídrica, resíduos, cidades, governos locais e planejamento urbano dominaram os encontros. Nos próximos, entram em pauta governança, justiça social, energias limpas, novos materiais, biodiversidade e mobilidade — uma agenda que evidencia o quanto o setor da construção e do urbanismo compõe a espinha dorsal das estratégias globais para conter o aquecimento do planeta.

Conforto ambiental, consumo energético e inovação: desafios que começam no desenho

O arquiteto e urbanista José Júlio Ferreira Lima, professor da UFPA, reforça que debates como iluminação natural, controle térmico e isolamento acústico deixaram de ser detalhes técnicos e se transformaram em pilares para melhorar o desempenho das construções. Ele destaca que a eficiência energética, antes tema restrito a especialistas, tornou-se essencial para garantir cidades menos poluentes e mais resilientes.

Além das plenárias e das mesas de discussão, os estandes da COP30 também revelam caminhos possíveis, principalmente no que diz respeito a tecnologias sociais e soluções de baixo impacto. José Júlio chama atenção para o ineditismo da presença do Conselho de Arquitetura e Urbanismo no evento: um espaço dedicado a pesquisas, projetos bem-sucedidos e abordagens sociais que ajudam a conectar prática profissional e justiça ambiental.

Financiamento climático e governança: como políticas públicas moldam o futuro das cidades

Patrícia Sarquis Herden destaca ainda que uma das pautas mais decisivas da conferência será o financiamento climático. Isso porque não basta reconhecer a importância de cidades resilientes — é preciso garantir recursos para que elas existam. É nesse diálogo entre governança global e prática profissional que se definirá, nos próximos anos, a capacidade de os centros urbanos liderarem a transição para um modelo de baixo carbono.

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Para ela, arquitetura e urbanismo se afirmam como instrumentos concretos dessa transformação, não apenas no planejamento urbano, mas também na prevenção e recuperação de áreas afetadas por tragédias climáticas. A arquiteta lembra que o trabalho técnico foi fundamental na reconstrução de cidades gaúchas após as enchentes de 2024, com atuação da Assistência Técnica de Interesse Público (ATIP). Situação semelhante está sendo estudada pelo CAU/BR para apoiar comunidades atingidas por um tornado recente no Paraná, um alerta claro de como os eventos extremos se tornam mais frequentes.

Dos materiais aos saberes ancestrais: a sustentabilidade começa na escala da casa

Para Luis Guedes, o enfrentamento à crise climática passa também pelas escolhas aplicadas no cotidiano dos projetos. Ele defende que arquitetos e moradores devem questionar os materiais que utilizam, priorizando opções locais, biomateriais e insumos de baixo carbono. Não se trata apenas de estética — mas de responsabilidade ambiental e de respeito ao bioclima.

O arquiteto também relembra que a Amazônia oferece exemplos valiosos de arquitetura vernacular, capazes de inspirar soluções contemporâneas. Casas de madeira adequadas ao clima úmido, coberturas naturais com palha, estratégias de ventilação cruzada e a própria lógica de integração com o ambiente são princípios que dialogam diretamente com a sustentabilidade. Para ele, “a utopia modernista da caixa de concreto uniforme já se mostrou insuficiente diante dos desafios atuais”.

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O legado esperado da COP30 para o urbanismo brasileiro

O arquiteto e professor Nabil Bonduki, da FAU/USP, reforça que o grande legado da conferência deve ser o aumento da prioridade dada ao planejamento urbano no combate à crise climática. Para ele, ainda existe um descompasso entre o discurso institucional e a prática cotidiana de governos e empresas, que insistem em modelos ultrapassados de desenvolvimento urbano. Ele espera que Belém marque uma virada histórica nesse cenário, dando protagonismo a propostas verdadeiramente transformadoras.

Na mesma linha, José Júlio sublinha a importância simbólica de a COP acontecer, pela primeira vez, na Amazônia. Para ele, o evento deve ajudar o mundo a compreender que essa região concentra cidades reais, com necessidades e vulnerabilidades próprias — e que sua preservação passa também pela maneira como se habita e se organiza o território. Além disso, ele alerta para a urgência de revisar obras e investimentos que reforçam desigualdades urbanísticas e ignoram comunidades historicamente desfavorecidas.

  • COP30: por que a arquitetura é decisiva nas soluções climáticas

    Cláudio P. Filla

    Fundador e Editor/Redator do Enfeite Decora
    Publicitário, gestor de mídias sociais e especialista em conteúdo digital sobre decoração, arquitetura, paisagismo, jardinagem e tendências para o lar.
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