Reformar um apartamento com mais de 150 m² sem comprometer a fluidez dos espaços é, na prática, um dos maiores testes para qualquer projeto de arquitetura residencial. Em Boa Viagem, bairro nobre do Recife (PE), o escritório Romário Rodrigues Arquitetos aceitou esse desafio e entregou uma resposta precisa: um apartamento reformado de 154,73 m² que hoje funciona como um refúgio urbano pensado para um casal maduro, com rotina ativa e gosto apurado por ambientes que equilibram sofisticação e praticidade.
A planta original foi completamente reinterpretada. O ponto de partida foi a integração da sala de estar, da sala de jantar e da varanda, criando um único ambiente contínuo voltado para a vista do mar. Esse movimento não é apenas estético. Do ponto de vista funcional, a abertura dos espaços sociais melhora a ventilação cruzada, amplifica a percepção de amplitude e aproxima os moradores da paisagem litorânea, que passa a ser tratada como elemento compositivo do projeto.
Paleta neutra que trabalha a favor da luz natural
A escolha cromática do projeto revela uma leitura cuidadosa do contexto. Em vez de apostar em cores de destaque, a equipe optou por uma paleta neutra aquecida, com tons de cinza, off-white e madeira natural, que formam uma base sóbria sem cair no frio ou no impessoal.

Essa decisão faz sentido técnico: em apartamentos com boa incidência de luz natural, como é o caso de imóveis em frente ao mar, tons muito claros podem gerar ofuscamento. A neutralidade aquecida filtra essa luz e distribui o brilho de maneira mais equilibrada ao longo do dia.
Os painéis ripados em madeira natural aparecem como elemento recorrente e funcionam em dois registros ao mesmo tempo: organizam visualmente as paredes e introduzem textura sem adicionar peso. O mármore, por sua vez, entra como material nobre em bancadas e superfícies de destaque, conferindo elegância sem precisar de outros excessos decorativos.

“Buscamos criar um refúgio urbano que unisse elegância e conforto, com espaços que convidam tanto à contemplação quanto à convivência”, explica Romário Rodrigues, à frente do escritório homônimo.
Marcenaria sob medida como coluna vertebral do projeto
Um dos principais recursos do projeto é a marcenaria planejada, que assume protagonismo em praticamente todos os ambientes. Nos espaços sociais, ela organiza o layout sem criar divisórias físicas. Na área íntima, onde o projeto abriga duas suítes com atmosfera mais neutra e aconchegante, a marcenaria resolve o armazenamento de forma elegante, sem expor volumes ou comprometer a limpeza visual dos cômodos.

O grande erro em reformas desse porte é tratar a marcenaria como solução secundária, escolhida depois que o projeto já está definido. Aqui, ela é estrutural e cada módulo foi desenhado para valorizar o ambiente, não apenas para guardar objetos.
Mobiliário: design autoral e conforto sem concessões

Na sala de estar, mesas de centro com materiais distintos e cadeiras de linhas orgânicas formam um conjunto que dialoga com a paleta neutra sem ser redundante. A variação de materiais entre as peças cria interesse visual sem bagunçar a composição.

Já na sala de jantar, a mesa de madeira maciça assume o papel de âncora do ambiente, contrastando com cadeiras de desenho mais leve. Essa oposição entre peso e leveza é um recurso clássico do design de interiores contemporâneo e funciona porque evita que o espaço pareça denso ou carregado.
Nos quartos, a iluminação recebeu atenção especial. Luminárias e abajures foram usados para criar camadas de luz que reforçam o clima acolhedor da área íntima. A aposta em temperatura quente de luz, aquela faixa em torno de 2700 a 3000 Kelvin, é o que realmente diferencia um dormitório funcional de um espaço que convida ao descanso. Nesse ponto, o projeto não deixou margem para improvisos.

Cozinha e banheiros atualizados para o novo padrão
Cozinha e banheiros foram completamente reformados para acompanhar o nível dos demais ambientes. Em projetos de alto padrão, é comum que esses espaços sejam subestimados durante o planejamento, resultando em um apartamento visualmente incoerente.

Aqui, a leitura foi uniforme: os mesmos princípios de materialidade, paleta e acabamento que guiam os ambientes sociais aparecem também nas áreas molhadas, garantindo unidade ao projeto como um todo.
O resultado é um apartamento que, apesar da área generosa, não desperdiça espaço. Cada decisão de projeto, da integração dos ambientes sociais à escolha dos revestimentos, foi orientada pelo mesmo objetivo: entregar um imóvel reformado que funcione bem no cotidiano e que envelheça com elegância.
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