Sair de uma casa em condomínio para um apartamento costuma exigir um reajuste de rotina. Neste projeto em Joinville, Santa Catarina, o desafio foi o oposto: a planta generosa da unidade e as áreas verdes ao redor do edifício abriram espaço para um layout mais fluido do que muitos moradores conseguem ter mesmo em casas térreas.
A arquiteta Simara Mello (@simaramello), em parceria com Nádia Muller (@nadiamuller), assinou o projeto pensando em um casal que buscava praticidade no dia a dia sem abrir mão de conforto e identidade. O resultado é um apartamento onde a integração de ambientes não é apenas um conceito de planta baixa, mas uma decisão que interfere diretamente no jeito de morar.
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Cozinha e sala se conectam por painéis deslizantes
O ponto de partida do projeto foi a área social. Cozinha e sala se conectam por meio de painéis deslizantes, um sistema que permite abrir totalmente os ambientes durante o convívio com visitas e fechá-los quando a rotina pede mais privacidade na cozinha, especialmente durante o preparo das refeições.

“A ideia era dar liberdade para o casal decidir, no dia a dia, o quanto eles queriam esses espaços conectados. Os painéis resolvem isso sem depender de obra ou de uma reforma futura”, explica Simara Mello.
Esse tipo de solução evita um erro comum em integrações definitivas: a perda de controle sobre ruído, cheiro e bagunça da cozinha quando a casa recebe convidados. Ao manter a flexibilidade, o projeto entrega o melhor dos dois formatos, aberto ou fechado, sem obrigar os moradores a escolher um lado só.
Portas piso-teto amplificam a sensação de amplitude
A unidade visual do apartamento se estende para além da área social. No hall, no corredor e no lavabo, as portas piso-teto dialogam com um grande painel revestido em lâmina de madeira natural, criando uma leitura única do espaço, sem interrupções visuais causadas por batentes convencionais ou portas de tamanho padrão.

Essa escolha de arquitetura contemporânea tem um efeito prático que vai além da estética: ambientes com pé-direito comum ganham uma sensação de amplitude só de eliminar as quebras visuais que os batentes tradicionais costumam criar. É um detalhe técnico que faz diferença real na percepção de quem circula pela casa.
“Trabalhamos a madeira como um fio condutor entre os espaços. O painel de lâmina natural aparece de forma contínua, e isso ajuda a costurar hall, corredor e lavabo como se fossem uma única composição”, comenta Nádia Muller.

Paleta neutra com base em pedra, tecido e madeira
O projeto segue uma linguagem contemporânea sustentada por uma paleta neutra, que privilegia materiais atemporais como pedra, tecidos naturais e madeira. Essa combinação garante durabilidade estética ao ambiente, já que tons neutros e materiais nobres não ficam datados com a mesma velocidade de tendências mais ousadas de cor.

A escolha também facilita futuras trocas de decoração, sejam objetos, almofadas ou obras de arte, sem comprometer a harmonia geral do apartamento. É uma estratégia recorrente em projetos que precisam durar anos sem exigir reformas estruturais para acompanhar mudanças de gosto.
Iluminação indireta substitui o forro de gesso cheio de recortes
No lugar de um forro de gesso recortado, o projeto luminotécnico aposta em pontos de iluminação indireta e no uso de abajures espalhados pelos ambientes. A decisão aproveita a abundante luz natural que já entra no apartamento e reserva a luz artificial para criar atmosferas mais cênicas durante a noite.

O grande erro em muitos projetos residenciais é concentrar toda a iluminação em plafons centrais, o que gera ambientes achatados e sem camadas. Aqui, a combinação de luz indireta com abajures cria profundidade e permite ajustar a intensidade conforme o momento do dia, sem depender de uma única fonte de luz no teto.
Peças da casa antiga ganham novo lugar na decoração
O toque mais pessoal do projeto está nos objetos que atravessaram a mudança. Uma mesa de centro de madeira rústica e um baú decorativo, ambos trazidos da residência anterior do casal, foram incorporados à nova decoração sem perder relevância dentro da linguagem contemporânea do apartamento.

Essa integração de peças com história é o que diferencia um projeto pensado para pessoas reais de um catálogo de móveis novos. A madeira rústica da mesa de centro conversa com a lâmina natural do painel principal, e o baú funciona tanto como armazenamento quanto como lembrança física da casa que ficou para trás.
O apartamento em Joinville mostra que integração de ambientes, quando bem planejada, não precisa significar perda de identidade ou de conforto. Pelo contrário: a flexibilidade dos painéis deslizantes, a continuidade das portas piso-teto e a presença de objetos afetivos comprovam que praticidade e memória podem, sim, dividir o mesmo espaço.
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