O projeto começou antes das paredes existirem. Convocada ainda na fase de construção do edifício em Jurerê Internacional, Florianópolis, a arquiteta Juliana Pippi teve algo raro: a chance de intervir no apartamento de 250 m² antes de qualquer decisão estar consolidada. Ela usou essa abertura para redesenhar a planta original, derrubando divisórias e criando uma ala social integrada entre estar, cozinha e sacada.
Mas a intervenção estrutural foi só o começo e o que realmente definiu o projeto foi o mobiliário. Juliana assinou grande parte das peças que hoje habitam o apartamento, e é nesse design autoral que o espaço encontra sua identidade mais clara.
O lustre que determinou tudo
“A inspiração nasceu do mix and match que construímos junto à cliente. Tudo começou com a escolha das tonalidades dos vidros do lustre na sala de jantar: nuances de azul, âmbar, ametista e dourado”, conta Juliana Pippi.

Posicionada sobre a mesa, a luminária suspensa com vidros coloridos é a protagonista da área de convivência e também o ponto de partida de toda a paleta do projeto. A partir das suas tonalidades, a arquiteta conectou as obras de arte que a moradora já possuía ao restante do décor, desdobrando o ambiente em tramas, listras e texturas com referências na natureza.
Essa lógica de partir de um único elemento e deixá-lo contaminar o projeto inteiro é o que impede que o uso da cor pareça disperso. Aqui, a cor tem origem e coerência.
O sofá, o tecido e a continuidade tátil
No estar, o sofá Camada, assinado por Juliana para a Studio Ambientes e revestido com tecido da coleção Alinhavo, da Ecosimple, organiza o espaço e define o tom da experiência sensorial do ambiente. O mesmo tecido se estende para as cortinas, criando uma continuidade tátil entre mobiliário e esquadria que unifica o ambiente sem torná-lo repetitivo.

Na composição das mesas de centro Alice, da coleção Poesia – Página 2, produzidas pela Hadra, o projeto ganha leveza visual. O aconchego do feito à mão chega pelo tapete Vínculo, da Trapos e Fiapos, uma peça lançada no FuoriSalone de Milão em 2025, que ancora o conjunto e traz uma camada artesanal ao projeto.
O grande erro em projetos com muita cor é perder o fio condutor entre os ambientes. Aqui, a repetição estratégica de materiais e texturas é o que mantém a leitura do espaço coesa.
Da sala para a cozinha: o design nacional como linguagem
Na transição entre a sala e a cozinha integrada, as banquetas Santo Antônio, da coleção Pra Perto do Sol, também assinadas por Juliana para a DonaFlor Mobília, reforçam a linguagem autoral que percorre o apartamento inteiro. Não são peças escolhidas por afinidade estética genérica: são extensões do mesmo vocabulário formal que a arquiteta construiu do estar até a área de serviço.

Essa coerência entre os ambientes é o que sustenta um projeto com paleta vibrante sem que ele pareça fragmentado. Cada peça dialoga com a anterior, e o mobiliário sob medida funciona como gramática do espaço.
“Buscamos o equilíbrio entre funcionalidade e beleza, trazendo a cor de forma sofisticada e soluções que deixassem o apartamento vivo, organizado e com a real identidade deles”, explica Juliana Pippi.
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