Depois de anos de projetos dominados pela estética clean, o maximalismo voltou a ocupar espaço nos ambientes residenciais. É o movimento oposto ao minimalismo: em vez de reduzir, multiplica. Em vez de esconder, exibe. Cores vibrantes, estampas variadas, objetos de família e móveis de diferentes épocas convivem no mesmo cômodo, e o resultado é um ambiente que carrega identidade e narrativa pessoal em cada detalhe.
Um apartamento projetado pela arquiteta Michele Wharton ilustra bem esse conceito. O imóvel pertence a um casal formado por um historiador e uma professora, ambos apaixonados por arte, e reúne praticamente todas as características que definem essa tendência: mistura de estilos, cores fortes, texturas variadas e uma coleção de objetos que contam a história de quem mora ali.
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Coragem é o primeiro requisito
Não existe fórmula pronta para o maximalismo, e isso é o que torna o estilo mais difícil de replicar do que parece à primeira vista. “Para mergulhar neste universo é preciso ter coragem e personalidade. O maximalismo permite mesclar estilos, estampas, texturas, desenhos e cores com o uso da criatividade”, explica Michele Wharton.

Quadros em quantidade, objetos antigos e peças de família ganham protagonismo nesse tipo de composição. A iluminação também participa da narrativa: luminárias de mesa em madeira dialogam com o mobiliário, enquanto arandelas de metal em formato de folhas se destacam sobre paredes coloridas, criando pontos de luz que também funcionam como elementos decorativos.
Misturar estilos sem medo
A regra que sustentava a decoração por décadas — escolher um estilo e seguir ele à risca — não se aplica aqui. No maximalismo, a busca é por tudo que faça sentido dentro da composição do lar, independentemente de época ou origem. “Vale misturar o estilo clássico, moderno, contemporâneo, neoclássico, rústico, praiano, industrial e o que mais os moradores sentirem vontade”, reforça a arquiteta.

Essa liberdade é o que permite, por exemplo, colocar um sofá moderno ao lado de uma mesa lateral clássica, com um rádio antigo de família funcionando como peça central decorativa. O contraste de épocas, quando bem equilibrado, é justamente o que dá densidade visual ao ambiente.
Cor como protagonista, não como detalhe
Nos ambientes maximalistas, a cor deixa de ser um acabamento pontual para se tornar parte estrutural do projeto. Revestimentos com padrões geométricos, paredes coloridas e quadros com gravuras chamativas dividem espaço no mesmo cômodo, inclusive em áreas que costumam ficar neutras por convenção, como banheiros.
Equilibrar tons vibrantes exige atenção à composição geral do espaço. Combinar muitas cores fortes sem nenhum ponto de descanso visual tende a cansar o olhar rapidamente — por isso, a mescla costuma funcionar melhor quando existe ao menos uma superfície neutra, como piso claro ou uma parede sem estampa, servindo de contraponto ao restante do ambiente.
Objetos que carregam histórias de vida
O maximalismo tem afinidade natural com quem já viajou bastante, viveu em diferentes lugares ou passou por imersões culturais distintas. Fotos, obras de arte, livros e móveis de origens variadas se tornam, nesse estilo, uma forma de revelar experiências pessoais através da decoração.

Isso não significa que o estilo seja exclusivo de quem já acumulou uma vida inteira de referências. Para quem está começando a explorar o maximalismo, ele funciona como ponto de partida para experimentar formas diferentes de morar e decorar. Antiquários, brechós, sebos e feiras de troca se tornam, nesse contexto, fontes valiosas de peças com identidade própria — muito mais interessantes, dentro dessa lógica, do que móveis novos e sem história.
Texturas que ativam outros sentidos

A experiência sensorial é outro pilar do maximalismo. Tapetes, mantas, cortinas, almofadas e enxovais em tecidos diferentes convivem no mesmo ambiente, criando variações de toque que vão além do aspecto visual. Essa mistura de texturas — algumas ásperas, outras macias, algumas estruturadas, outras fluidas — é parte do que torna o ambiente maximalista tão envolvente fisicamente, não apenas visualmente.
Estampas grandes, escolhas ousadas
Na hora de escolher padronagens, o maximalismo pede elementos visíveis e marcantes: estampas étnicas, abstratas, florais, geométricas ou até psicodélicas ganham espaço em paredes, tecidos e revestimentos. Na cozinha, por exemplo, revestimentos amarelos com padrões geométricos substituem o branco ou o cinza convencional e mudam completamente a personalidade do ambiente.
Estampas grandes pedem planejamento para não sobrecarregar o espaço visualmente. A combinação com cores neutras em paredes ou pisos próximos costuma ser o que sustenta a harmonia do conjunto, permitindo que os padrões escolhidos ganhem destaque sem competir entre si.
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