Um vaso que parece de plástico comum, mas se comporta como um espelho de cor variável ao ser girado: essa é a proposta que colocou a marca alemã Livase em 50 pontos de venda da região de Poing. O material de origem não é petróleo, e sim amido de milho, transformado em bioplástico por meio de impressão 3D.
A história da Livase começa como muitos projetos de design autoral: dentro de casa, sem estrutura comercial, apenas com uma impressora 3D e vontade de testar um material diferente. Melanie Oberpriller-Breit, de 40 anos, e Manuel Breit, de 41, montaram a operação no porão da própria residência, em Poing.
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No começo, contaram com apoio de Bernhard Slawik, mas logo passaram a tocar o negócio sozinhos, dividindo funções conforme a especialidade de cada um. Melanie assumiu o marketing. Manuel, desenvolvedor de hardware que trabalha com impressão 3D desde 2009, ficou com o design das peças e o processo de fabricação.

Esse tipo de divisão de tarefas, aliás, explica boa parte do amadurecimento rápido da marca. Um projeto de produto sustentável só sai do papel quando existe alguém dedicado à engenharia da peça e alguém dedicado a colocá-la no mercado. A Livase soube separar essas frentes desde o início, e isso aparece no resultado: um catálogo consistente, sem a instabilidade comum a marcas artesanais que crescem rápido demais.
O material engana o olho
O primeiro impulso, ao ver um vaso da Livase, é pensar que se trata de plástico injetado convencional. Mas o bioplástico à base de milho tem uma limitação técnica importante: não pode ficar em contato direto com água por longos períodos, sob risco de degradar. Por isso, cada peça recebe um recipiente de vidro interno, onde as flores e a água ficam de fato armazenadas. O vaso impresso funciona como estrutura externa, decorativa e estrutural, enquanto o vidro cuida da função prática.

Esse tipo de solução resolve um problema recorrente de vasos biodegradáveis: garantir durabilidade sem abrir mão da proposta ecológica do material. A separação entre invólucro e reservatório é, na prática, o que permite ao produto ter vida útil longa em ambientes internos, algo que muitos materiais compostáveis não sustentam sozinhos.
O efeito que muda com o ângulo da luz
A característica que rendeu à Livase reconhecimento além do público local é o chamado efeito flip-flop, presente em algumas das peças. Ao girar o vaso, a cor aparente muda, criando uma espécie de reflexo espelhado que se comporta de forma diferente conforme a posição em relação à luz. Segundo Manuel, o resultado lembra o comportamento óptico de certos pigmentos automotivos, adaptado para uma peça de decoração de interiores.

Esse recurso transforma o vaso em um objeto que não se esgota no primeiro olhar. A cada novo ângulo, a peça revela uma tonalidade distinta, o que é raro encontrar em itens de paisagismo de interiores produzidos em série. O grande acerto aqui está em unir uma tecnologia de fabricação recente, a impressão 3D, com um efeito visual que normalmente exige processos industriais muito mais caros.
Crescimento sem perder a escala local
Do porão à prateleira, a Livase já soma alguns milhares de vasos vendidos, distribuídos em 50 estabelecimentos nas cidades de Poing, Grafing, Vaterstetten, Markt Schwaben, Pöring e Hohenlinden, todas no distrito de Ebersberg. Os preços variam entre 12 e 49 euros, o equivalente a cerca de 79 a 294 reais, dependendo do tamanho da peça.
Mesmo com a expansão, o casal manteve um princípio que costuma se perder quando um negócio cresce rápido: produzir e vender perto de casa. Não houve salto para grandes redes de distribuição nem terceirização da fabricação. A Livase conta ainda com o apoio do parceiro de distribuição Isidor Voth, mas segue operando dentro de uma escala que permite controle total sobre qualidade e acabamento.
O nome da marca resume bem essa filosofia. Livase nasceu da junção de ideias ligadas ao amor pelo objeto vaso, e a proposta de Melanie e Manuel é justamente essa: tratar cada peça como um produto pensado com cuidado, não como item descartável de decoração em massa. Os planos dos dois já incluem novos produtos impressos em 3D, ampliando o catálogo sem abandonar a lógica artesanal que deu origem ao projeto.
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