Trocar revestimento por manta autoadesiva em vez de quebrar parede é o tipo de decisão que separa um projeto pensado da simples reforma de prateleira. Foi esse o caminho escolhido pela arquiteta Ana Rozenblit, do escritório Spaço Interior, para o retrofit do apartamento da apresentadora e cantora Sabrina Parlatore, em São Paulo.
A intervenção passou pela área social, pela varanda e pela suíte principal. Nenhuma parede caiu. Ainda assim, a percepção de espaço mudou de forma expressiva, e o resultado entrega algo cada vez mais buscado por quem também produz conteúdo em casa: ambientes com fluidez e apelo visual imediato, prontos para virar cenário de vídeo sem depender de cenografia extra.
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Menos divisões, mais convivência
O setor social era o ponto mais comprometido do imóvel. Muitas divisões internas reduziam a sensação de amplitude, mesmo em uma metragem que comportaria folga. Ana reorganizou o layout e substituiu a lógica compartimentada por uma leitura mais contínua entre os ambientes.

“O apartamento tinha muitas divisões, o que diminuía a percepção de espaço. Ao reorganizar o layout, conseguimos trazer mais amplitude e uma sensação de continuidade”, explica a arquiteta.
Dois sofás da Full House organizam os usos do estar, atendendo tanto momentos mais reservados quanto encontros com grupos maiores. Um tapete generoso unifica o conjunto, enquanto pufes soltos garantem versatilidade no dia a dia, sem prender a disposição dos móveis a um único arranjo. A mudança de posição da TV também teve peso na equação: ao liberar a parede que antes concentrava o painel, o projeto abriu espaço para novos pontos de interesse visual no ambiente.
Soluções inteligentes sem obra
Aqui está o núcleo técnico do projeto, e também o que mais interessa a quem busca atualizar a casa sem entrar em cronograma de obra. Sobre a marcenaria existente, foi aplicado revestimento preto autoadesivo, técnica que muda a temperatura visual do móvel sem exigir substituição da peça. Na varanda, a madeira de demolição recebeu nova pintura, ganhando leitura mais sóbria e contemporânea.

“A ideia era transformar completamente a percepção dos espaços sem obra pesada. Trabalhamos com sobreposições e acabamentos que trouxessem sofisticação de forma prática”, comenta Ana Rozenblit.
O acerto está em reconhecer o que já funcionava na estrutura original e trabalhar em cima disso, em vez de descartar. Esse tipo de estratégia costuma pesar menos no orçamento e reduz drasticamente o tempo de execução, já que não envolve demolição, elétrica ou hidráulica.
Varanda como cenário e extensão do living
A varanda deixou de ser um espaço complementar e assumiu papel central no apartamento. Funciona como área de convivência, mas também como cenário estratégico para as gravações de Sabrina. O canto de leitura, com poltrona posicionada de frente para a estante, foi montado especificamente para servir de fundo em vídeos, um detalhe que só faz sentido quando o projeto considera a rotina real de quem vai morar ali.

Na área gourmet, a antiga mesa de jantar deu lugar a um modelo de desenho orgânico e presença escultural, também da Full House, acompanhado por cadeiras estofadas. A troca eleva o nível de conforto das refeições e transforma a varanda em um espaço mais convidativo para receber.
“Criamos ambientes que dialogam com o estilo de vida da Sabrina, inclusive considerando seu uso profissional das redes sociais”, destaca a arquiteta.
Detalhes que constroem atmosfera

Logo na entrada, o móvel que funciona como bufê ganhou protagonismo ao dialogar com o papel de parede escolhido para o ambiente. A luminária de piso posicionada ali reforça uma atmosfera mais intimista, e esse cuidado com a iluminação se repete ao longo de todo o apartamento. Não é um detalhe menor: pontos de luz bem distribuídos são o que permitem que um mesmo ambiente sirva a propósitos diferentes ao longo do dia, da leitura tranquila à produção de conteúdo.
Suíte com foco no bem-estar

No dormitório, o layout também foi repensado. A nova configuração permitiu incluir uma penteadeira posicionada em local bem iluminado, além de investir em cama mais generosa e cabeceira acolhedora. A iluminação da suíte é dimerizada e automatizada, priorizando luzes indiretas que ajudam a criar um clima de descanso.
“No quarto, buscamos um clima de refúgio. A iluminação e o layout foram essenciais para trazer essa sensação de acolhimento e bem-estar”, finaliza Ana Rozenblit.

O projeto reforça um ponto que vale para qualquer reforma de apartamento pequeno ou médio: mudar a percepção de um espaço nem sempre depende de quebrar parede. Às vezes, o que realmente faz diferença é reorganizar fluxo, revisar acabamentos e cuidar da luz com atenção cirúrgica.
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