Quando um casal decide reformar o primeiro apartamento junto, as decisões vão muito além da escolha das cores das paredes. É nesse momento que o layout precisa responder a uma rotina real de convivência, de trabalho, de receber amigos e, talvez no futuro, de crescer. No Brooklin, bairro de São Paulo, um apartamento de 136 m² passou por uma reforma completa com exatamente essa premissa. O projeto é assinado pelo arquiteto André Braz, e o resultado é um espaço que parece ter sido feito sob medida para quem o habita.
A reforma foi orientada por um objetivo claro: transformar um imóvel padrão em um lar com identidade própria. Para isso, o arquiteto promoveu intervenções estruturais significativas, a começar pela área social, que ganhou uma amplitude difícil de imaginar antes da obra.
Integração total na área social
O estar, o jantar e o espaço gourmet foram unidos em um único volume contínuo. Essa integração foi viabilizada pela incorporação de dois espaços que normalmente passam despercebidos nos projetos: a antiga varanda e o hall do elevador.

Ao absorver essas metragens, o arquiteto não apenas ampliou o ambiente, mas também garantiu uma entrada de luz natural muito mais generosa ao longo do dia.

O grande erro em reformas de apartamentos compactos é tratar cada cômodo como um problema isolado.
Aqui, a decisão de incorporar o hall do elevador à área social foi o que viabilizou a fluidez que o projeto precisava. Com a planta aberta e sem interrupções visuais desnecessárias, o espaço respira.

Uma cozinha que trabalha e recebe bem
A cozinha também passou por expansão. A incorporação da antiga varanda técnica permitiu a criação de uma bancada de trabalho linear mais alongada e funcional, além de um canto reservado para refeições do dia a dia. Dessa forma, o casal pode cozinhar sem abrir mão de praticidade.
Ainda assim, o projeto manteve a cozinha levemente separada da área social. Essa é uma escolha que muitos arquitetos defendem em apartamentos voltados para a vida de casal: a integração visual existe, mas há uma hierarquia entre o espaço de preparo e o espaço de convivência.

Assim, receber convidados não exige que a cozinha esteja impecável o tempo todo, e o ritmo da casa segue com naturalidade. A área de serviço, por sua vez, foi mantida independente. Decisão acertada do ponto de vista da organização doméstica: misturar lavanderia e cozinha em um mesmo fluxo costuma gerar conflito funcional no uso cotidiano.
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A área íntima pensa no presente e no futuro
O setor íntimo do apartamento foi distribuído em três ambientes: a suíte principal e duas demi-suítes. Uma delas foi configurada para hóspedes, e a outra funciona como home office com previsão técnica para futura conversão em dormitório infantil.

Essa antecipação revela um olhar de projeto voltado ao ciclo de vida dos moradores, uma marca de um trabalho bem pensado.

A suíte principal foi a que recebeu maior atenção na reforma. A incorporação da antiga varanda ao dormitório ampliou a metragem e a luminosidade de forma expressiva.
Além disso, o banheiro foi reconfigurado, ganhando uma distribuição mais equilibrada entre as funções do espaço.

Paleta neutra, madeira e o azul que organiza tudo
O conceito estético do projeto caminha entre o design brasileiro e o escandinavo, com um toque de romantismo clássico que se expressa nos detalhes. Portas com molduras, ferragens retrô e ladrilhos hidráulicos com arabescos na cozinha são os elementos que entregam esse caráter mais refinado sem cair em exagero.

A paleta de cores é construída sobre tons neutros. A madeira aparece no piso e no mobiliário como o elemento que traz calor ao ambiente e evita que o espaço fique frio demais. Já o azul suave da marcenaria foi escolhido com precisão: é um tom que transmite serenidade, dialoga com os neutros e garante continuidade visual entre os ambientes.
Cuidado com o excesso de azul em ambientes já neutros. O que realmente faz a diferença aqui é a proporção: o azul aparece como acento na marcenaria, não como cor dominante. Esse equilíbrio é o que mantém o projeto atemporal.
A combinação entre referências brasileiras e escandinavas é um caminho que muitos projetos contemporâneos exploram, mas poucos equilibram com essa naturalidade. No apartamento do Brooklin, o resultado é um espaço que poderia ser publicado tanto em uma revista de design nórdico quanto em um portfólio de arquitetura brasileira e essa é, justamente, a sofisticação do projeto de André Braz.
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