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Home Noticias e lançamentos

Parque Estadual de Vila Velha recebe obras de arte inéditas em nova fase do MON sem Paredes

Seis artistas contemporâneos criam obras pensadas para dialogar com as formações rochosas milenares do Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa — uma das unidades de conservação mais singulares do Brasil

Escrito por: Cláudio Filla
19 de fevereiro de 2026 - Atualizado em: 20 de fevereiro de 2026
em Noticias e lançamentos
Foto: Divulgação/Gustavo Utrabo

Foto: Divulgação/Gustavo Utrabo

Há algo de muito preciso na decisão de levar arte contemporânea para dentro de um parque cujas rochas têm mais de 300 milhões de anos. Não é apenas uma questão estética — é, sobretudo, uma provocação sobre escala, tempo e pertencimento. É exatamente esse o terreno que o MON sem Paredes – Vila Velha escolheu ocupar.

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A nova fase do projeto do Museu Oscar Niemeyer (MON) chega ao Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, com inauguração marcada para 25 de fevereiro, às 15h. A iniciativa reúne seis artistas contemporâneos — Gustavo Utrabo, Tom Lisboa, Kulykirida Menihaku, Sonia Dias, Denise Milan e Alexandre Vogler — em torno de um desafio raro: criar obras inéditas para um espaço tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Paraná, onde a própria paisagem já é, ela mesma, uma obra.

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Arte fora das paredes — e além dos jardins

O MON sem Paredes nasceu em 2024 como uma forma de romper os limites físicos do museu, levando obras de arte interativas para os jardins externos e transformando o entorno do edifício em espaço de fruição permanente. O resultado foi imediato: o projeto virou convite aberto, atraindo quem passava e instigando o público a atravessar as portas do museu.

Aliás, essa lógica de aproximação é parte do que move o projeto desde o início. “Quando levamos obras de arte até onde está a população, além de sensibilizarmos o grande público, que talvez não tenha o hábito de entrar num museu, oferecemos um ambiente de pausa, de desaceleração, de reconexão interior”, afirma Juliana Vosnika, diretora-presidente do MON. Ela ainda destaca que pesquisas em psicologia e arteterapia mostram que o contato com arte reduz estresse, estimula emoções positivas e fortalece o senso de pertencimento — elementos, segundo ela, fundamentais para o bem-estar psicológico.

Agora, o projeto dá um passo maior. Sai dos jardins cultivados e vai para o arenito bruto. Vai para as falésias que os apiabas chamavam de Itacueretaba — “cidade extinta de pedras”.

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O lugar como matéria-prima

Poucos cenários no Brasil oferecem tamanha densidade simbólica quanto o Parque Estadual de Vila Velha. As formações rochosas que recortam a paisagem do Segundo Planalto Paranaense não são apenas antigas — elas têm formas que desafiam a razão geométrica: taça, esfinge, bota, tartaruga, cabeça de índio, garrafa, camelo, proa de navio. São esculturas naturais que o tempo esculpiu sem nenhuma intenção, o que as torna ainda mais perturbadoras quando colocadas ao lado da criação humana deliberada.

O curador Marc Pottier, responsável pelo conceito junto a Fernando Canalli, entende muito bem esse potencial. “Entre essas falésias históricas e as formas curiosas que elas encerram, encontram-se temas únicos de reflexão para artistas contemporâneos”, observa Pottier. Para ele, o museu chamou os artistas para criar um diálogo com esse universo — e revelar novas camadas de significado sobre a singularidade do lugar.

Esse tipo de curadoria, que parte da escuta do território antes de pensar na obra, é o que distingue uma intervenção site-specific genuína de uma simples instalação ao ar livre. A obra precisa pertencer ao lugar. Precisa conversar com a luz que bate na pedra no fim da tarde, com a umidade, com a escala absurda das formações. Do contrário, vira decoração — e decoração, aqui, seria insuficiente.

  • Veja também: Curitiba recebe novo Encontrinho de Crochê no Museu Oscar Niemeyer

Seis artistas, um parque, muitas conversas possíveis

A seleção de Gustavo Utrabo, Tom Lisboa, Kulykirida Menihaku, Sonia Dias, Denise Milan e Alexandre Vogler aponta para um recorte plural da cena contemporânea. São artistas com poéticas distintas, o que garante que a exposição não se reduza a um único registro ou linguagem. Cada obra é inédita — criada especificamente para este encontro entre arte e natureza protegida.

Esse é um dado que merece atenção: trabalhar em uma unidade de conservação tombada impõe restrições reais. Não é possível intervir no solo, alterar a vegetação ou comprometer as formações rochosas. A arte precisa ser pensada para existir sem deixar marca permanente no ambiente — o que, paradoxalmente, exige ainda mais precisão e cuidado na concepção.

O maior museu de arte da América Latina — e seus espaços sem teto

O MON é um dado de contexto que vale reforçar: com aproximadamente 14 mil obras em acervo e mais de 35 mil metros quadrados de área construída, é o maior museu de arte da América Latina. A instituição abriga produções nacionais e internacionais em artes visuais, arquitetura e design, além de coleções asiática e africana. Um museu dessa envergadura levando uma exposição inédita para fora de seus muros — e para dentro de um parque natural — é um gesto que diz muito sobre a direção que as instituições culturais mais relevantes estão tomando.

A iniciativa conta com o apoio do Governo do Paraná, por meio do Instituto Água e Terra, vinculado à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável, e da Soul Parques, empresa que administra o parque. A articulação entre cultura, meio ambiente e gestão pública é, ela mesma, parte do projeto, ou seja, uma demonstração de que arte, patrimônio natural e território se fortalecem quando ocupam o mesmo espaço.

SOBRE O PARQUE – Localizado em Ponta Grossa, a apenas uma hora de Curitiba, o Parque Estadual de Vila Velha é o primeiro parque estadual criado no Paraná, em 1953. Atualmente é uma concessão do Governo do Estado do Paraná, por meio do Instituto Água e Terra, à Soul Vila Velha, uma empresa do Grupo Soul Parques.

As bilheterias funcionam até as 15 horas. O parque indica a chegada ainda pela manhã para que os visitantes possam conhecer seus atrativos – Trilha Arenitos, Furnas e Lagoa Dourada – se deliciar com as diversas opções gastronômicas e ainda aproveitar as atrações de aventura: Tirolesa, Arvorismo e Cicloturismo. Mais informações AQUI.

Serviço:

“MON sem Paredes – Arte ao Ar Livre – Vila Velha”

Inauguração: 25/02

Horário: 15h

Parque Estadual de Vila Velha

Rodovia BR-376, Km 515, Jardim Vila Velha, Ponta Grossa – PR

Museu Oscar Niemeyer

www.museuoscarniemeyer.org.br

  • Parque Estadual de Vila Velha recebe obras de arte inéditas em nova fase do MON sem Paredes

    Cláudio P. Filla

    Fundador e Editor-Chefe do Enfeite Decora

    Publicitário, gestor de mídias sociais e especialista em conteúdo digital sobre decoração, arquitetura, paisagismo, jardinagem e tendências para o lar.

    👉 Biografia completa do autor.

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