Em 2006, o Le Corbusier foi entregue no Ecoville marcando o início da atuação da Plaenge em Curitiba. Duas décadas depois, um levantamento interno da construtora, que analisou 44 empreendimentos entre entregues e em construção, comprova o que quem caminha pela cidade já percebe a olho nu: as fachadas residenciais mudaram de linguagem, de material e de intenção.
O padrão que dominava o início dos anos 2000 era outro. “Nos projetos do início dos anos 2000, predominava uma linguagem alinhada às referências da época, marcada pela repetição de elementos, uso extensivo de pastilhas e composições que enfatizavam a verticalidade das torres”, explica Karla Duarte, da equipe de Desenvolvimento de Produto da Plaenge. O Le Corbusier, primeiro projeto da lista, foi desenhado justamente para reforçar essa imponência vertical, um objetivo estético que definiu uma geração inteira de lançamentos em bairros como Ecoville, Cabral e Mercês.
A fase de transição
A mudança não aconteceu de um ano para o outro. Segundo Karla, a década de 2010 trouxe um momento intermediário, no qual a pastilha cerâmica ainda estava presente, mas dividia espaço com referências mais clássicas. “Um exemplo é o Le Havre (Cabral, 2012), que representa uma fase de transição, marcada por referências clássicas, simetria, molduras e acabamentos mais refinados”, afirma.
Analisando o histórico dos lançamentos, essa fase intermediária explica o salto que viria depois. A pastilha perdeu protagonismo aos poucos: primeiro o desenho ganhou refinamento, depois o material foi substituído.
Quando o vidro assumiu o protagonismo
A partir de 2020, o cenário muda de forma mais evidente. O Experience (Ecoville, 2023) e o Fifty (Cabral, 2024) ampliaram significativamente o uso do vidro nas fachadas, explorando volumes e materiais que trouxeram leveza visual aos empreendimentos. A valorização da iluminação natural e da integração entre ambientes internos e externos passou a orientar diretamente o desenho das fachadas.
O Átrio, no Ecoville, com conclusão prevista para 2028, segue essa linha com uma composição de linhas retas e um coroamento que se destaca no perfil do edifício. Já o Rodin, entregue em 2024 no Cabral, explora a assimetria das varandas como elemento de identidade, combinada a materiais que reforçam a elegância da composição. O Artis, no bairro Mercês, com entrega também prevista para 2028, aposta em uma combinação de elementos naturais, brises e uma volumetria mais expressiva.

“O resultado é uma arquitetura que busca equilibrar desempenho técnico, conforto e expressão estética”, afirma Elis Andrade, também da equipe de Desenvolvimento de Produto da Plaenge. Verificamos que essa mudança de material trouxe consigo uma mudança de critério: performance térmica e luminosidade passaram a pesar tanto quanto o acabamento visual na decisão de projeto.
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A fachada como diferencial de mercado
Com o tempo, a fachada deixou de ser apenas um elemento construtivo e passou a funcionar como fator de diferenciação entre empreendimentos concorrentes. O Plaenge Design by Pininfarina, desenvolvido em parceria com o tradicional estúdio italiano, ilustra esse movimento com uma proposta de linhas curvas e volumes contínuos, rompendo com a ortogonalidade que ainda predomina na maior parte da produção imobiliária brasileira.
“Ao romper com a rigidez das formas ortogonais predominantes em grande parte da produção imobiliária brasileira, o projeto cria uma identidade singular e aproxima Curitiba de referências internacionais de arquitetura e design”, afirma Daniel Turchetti, superintendente regional da Plaenge.
Segundo Turchetti, essa transformação das fachadas acompanhou diretamente a expansão do mercado residencial de alto padrão em Curitiba. Enquanto o Ecoville se consolidou como um dos principais vetores de crescimento da cidade, bairros como Ahú, Cabral, Mercês, Água Verde e Alto da Glória passaram a concentrar empreendimentos de maior sofisticação arquitetônica. “Esse movimento contribuiu para redesenhar o skyline de Curitiba, especialmente no eixo norte-oeste da cidade”, conclui.
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