O que era referência de bom gosto há cinco anos está, hoje, envelhecendo os projetos. Porém, essa mudança não aconteceu de uma vez ou “do nada”, ela foi gradual, silenciosa, e quem ainda não percebeu provavelmente está decorando a casa com critérios que o mercado já deixou para trás.
A arquiteta Aline Lobo observa essa transição nos próprios projetos e é direta sobre o movimento: “O que já foi tendência agora está dando espaço para casas mais acolhedoras, com mais personalidade e menos frieza.”
Sobre o especialista
Aline Lobo, é arquiteta, designer de interiores e influenciadora digital, amplamente reconhecida pelo lema “Casa com cara de casa”.
O minimalismo que virou frieza
O minimalismo extremo teve seu auge e também seu esgotamento. Ambientes super clean, com superfícies vazias e ausência de elementos pessoais, funcionavam bem em editoriais e redes sociais. Na prática, dentro de casa, criavam espaços que as pessoas habitavam com distância.

Para Aline Lobo, o problema não é a contenção em si.: “Casas muito minimalistas, super clean, sem personalidade, estão saindo de cena. A proposta é dar mais vida e personalidade aos espaços, com elementos que tragam um toque pessoal e acolhedor.”
O problema é o minimalismo aplicado como regra, sem considerar quem vive naquele espaço. Fica com cara de casa feita somente para tirar fotos e postar nas redes sociais. E, um ambiente que não carrega nenhuma marca de quem o habita, não é sofisticado, ele é vazio.
Logo, a substituição está acontecendo com a entrada de objetos com história, texturas variadas e camadas de decoração que revelam o gosto dos moradores. Assim, o ambiente organizado continua sendo o objetivo.
O cinza que esfriou demais
Durante anos, o cinza dominou paredes, estofados, pisos e marcenarias. A neutralidade da cor parecia uma solução segura e combinava com quase tudo e não corria o risco de datar o projeto. O que ninguém calculou foi o acúmulo. Quando o cinza ocupa paredes, piso, sofá e cortina ao mesmo tempo, o resultado é um ambiente que transmite frieza antes de qualquer outra sensação.

Aline Lobo não defende o abandono total da cor, mas orienta sobre seu uso: “Essa cor, normalmente, aparece num tom frio e deve ser usada com parcimônia, para não quebrar o aconchego da casa. Quando usá-la, mescle com tons e materiais mais quentes, como madeira, beges, cores terrosas, pra deixar o ambiente mais acolhedor e menos frio.”
A orientação faz sentido na prática, afinal, o cinza como base de uma composição maior funciona bem. O cinza como paleta única do projeto é o que está saindo. Os tons terrosos, os beges quentes e o retorno da madeira como material estrutural da decoração estão ocupando exatamente o espaço que o excesso de cinza deixou e entregando o aconchego que ele nunca conseguiu.
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O porcelanato que refletia demais
O porcelanato polido virou sinônimo de acabamento sofisticado por muito tempo. O brilho intenso, a superfície espelhada e a impressão de amplitude que criava em ambientes menores justificaram sua popularidade durante anos. O mercado, contudo, mudou de opinião.
“Vocês sabem que, por mim, esse jamais teria entrado. Ele está sendo trocado por versões acetinadas. Esses acabamentos mais discretos trazem um visual mais elegante e menos espelhado para os ambientes”, comenta a arquiteta.
O porcelanato acetinado resolve o que o polido não conseguia: entrega refinamento sem o efeito espelho que marca poeira, exibe riscos e interfere na iluminação do ambiente. A diferença na manutenção diária também é real, já que superfícies menos polidas perdoam mais o uso cotidiano e envelhecem melhor.
Além do acetinado, os acabamentos amadeirados, cimentados e texturizados ganham cada vez mais espaço nos projetos contemporâneos, especialmente quando o objetivo é integrar o piso à identidade visual do ambiente, e não apenas cobrir o chão.
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