A Selic, taxa básica de juros do país, caiu de 14,25% para 14% ao ano. Para quem está no meio de um financiamento imobiliário ou pensando em dar entrada em um imóvel para reformar, a pergunta é direta: essa queda já muda alguma coisa na parcela do financiamento? A resposta prática é que sim, mas pouco, e o motivo está na forma como os bancos calculam o custo do crédito habitacional.
O corte de 0,25 ponto percentual é o menor movimento possível dentro da escala de decisões do Comitê de Política Monetária, e sozinho não é suficiente para reduzir de forma perceptível as taxas de financiamento oferecidas pelos bancos. O impacto real aparece quando os cortes se tornam uma sequência, formando um ciclo consistente de queda.
Por que a Selic afeta o financiamento da casa própria?
O crédito imobiliário no Brasil tem parte da sua taxa atrelada, direta ou indiretamente, ao custo de captação dos bancos, que por sua vez segue a lógica da Selic. Quando a taxa básica sobe, o crédito fica mais caro. Quando cai, o crédito tende a ficar mais barato, mas com atraso e de forma gradual, porque os bancos ajustam suas taxas observando uma tendência, não um corte isolado.
Isso explica por que quem está com um financiamento em andamento não vê a parcela mudar da noite para o dia após um anúncio como esse. O efeito chega principalmente para quem ainda vai contratar um novo financiamento nos próximos meses, caso o ciclo de queda continue.
O que o mercado imobiliário está dizendo sobre o momento?
Representantes do setor imobiliário reconhecem o corte como um sinal positivo, mas destacam que os juros ainda estão em um patamar alto para movimentar o mercado com força. “A decisão é um sinal positivo e vai na direção do que o setor produtivo espera. Ainda assim, os juros permanecem em um patamar muito elevado, o que continua sendo um dos principais entraves ao crescimento econômico. Para o mercado imobiliário, o custo do crédito tem impacto direto sobre investimentos, lançamentos e a capacidade de compra das famílias. Esperamos que, com a continuidade do processo de queda da Selic, o ambiente de negócios se torne mais favorável, estimulando novos empreendimentos, a geração de empregos e o desenvolvimento econômico”, avalia Leonardo Mesquita, presidente da Ademi-RJ (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário).
Vale esperar mais cortes ou é hora de negociar a compra do imóvel
Essa é a dúvida que mais aparece entre quem está decidindo o momento de comprar. Esperar por novos cortes pode significar parcelas menores no futuro, mas também envolve o risco de valorização do imóvel enquanto o comprador aguarda condições melhores de financiamento.
Uma alternativa usada por quem já decidiu comprar é negociar diretamente com a construtora ou incorporadora condições de entrada mais flexíveis, aproveitando o momento de transição para conseguir prazos e taxas melhores antes mesmo da queda completa dos juros se refletir nos bancos. Simular o financiamento em mais de uma instituição também ajuda a identificar quem já começou a repassar o corte para o cliente final.
O reflexo direto no planejamento da reforma e da decoração
Quem compra um imóvel na planta ou usado para reformar sente esse cenário de outra forma. Juros mais baixos tendem a estimular novos lançamentos, o que amplia a oferta de imóveis disponíveis e pode facilitar negociações de preço, especialmente em empreendimentos que já estão no mercado há algum tempo.
Esse movimento também influencia o cronograma de quem planeja iniciar uma reforma logo após a compra. Com o custo do crédito em queda, sobra mais espaço no orçamento familiar para destinar à reforma ou à decoração do novo imóvel, já que a parcela do financiamento tende a comprometer uma fatia menor da renda ao longo do tempo.
Acompanhar os próximos movimentos da Selic, portanto, interessa não só a quem ainda vai comprar, mas também a quem já tem o imóvel e está organizando o orçamento da reforma dos sonhos.
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