Você sabia que pintar um ar-condicionado não compromete a garantia do fabricante? Essa é a informação que resolve, de cara, o impasse mais comum em projetos de interiores: o que fazer com um eletrodoméstico branco, obrigatório na parede, que insiste em destoar da paleta cromática do ambiente.
O erro mais comum aqui é tentar esconder o aparelho atrás de painéis, nichos ou soluções de marcenaria complicadas. Funciona, mas custa caro e nem sempre resolve o problema de ventilação e manutenção. Para a arquiteta Mari Milani, a resposta sempre foi mais simples: assumir o ar-condicionado como parte do projeto, não como um problema a ser disfarçado.
“A diversidade desses equipamentos que compõem os ambientes residenciais não precisa destoar em função da estética e do design de fábrica”, explica a arquiteta. Assim, em vez de camuflar o aparelho, ela aposta em pintá-lo na mesma cor da parede onde está instalado e o resultado, segundo ela, comunica modernidade sem esforço extra de projeto.
Sobre o especialista
Mari Milani, é arquiteta e sua atuação é focada no desenvolvimento de projetos residenciais, comerciais e de arquitetura de interiores, que representam o principal pilar do seu escritório
Como funciona a pintura do ar-condicionado?
Diferente da habitual pintura, o processo para pintar o ar-condicionado não usa rolo nem pincel. Aliás, é justamente aí que mora o principal erro de quem tenta fazer essa transformação por conta própria. A técnica correta envolve um compressor de pintura, seguindo lógica semelhante ao laqueamento da marcenaria.

“Para garantir um resultado bem-sucedido, sempre conto com profissionais especializados”, relata Mari Milani. Segundo ela, quando o procedimento segue esse padrão, a pintura não compromete as especificações técnicas do equipamento e mantém a garantia de fábrica intacta.
Em um dos projetos assinados pela arquiteta, o ar-condicionado foi instalado próximo a um home office, em um recuo da sala de estar. Dali, o aparelho climatiza tanto o espaço de trabalho quanto a área do sofá e a cozinha integrada. Nenhuma parte do ambiente fica descoberta, e a peça pintada não rouba a atenção do restante da composição.
A cor certa transforma o eletrodoméstico em elemento de projeto
Nesse mesmo apartamento, a cor escolhida acompanha as nuances do Peach Fuzz, tom eleito pela Pantone. A pintura segue o formato em “L” da parede que recebe a porta de entrada do imóvel, criando continuidade entre a estrutura arquitetônica e o eletrodoméstico. O que realmente faz a diferença nesse tipo de solução é a continuidade: o ar-condicionado deixa de ser um objeto pousado na parede e passa a fazer parte dela.
“Um dos charmes do recurso de incluir um ar-condicionado colorido é exatamente a possibilidade de brincar com a paleta cromática e até de camuflá-lo no espaço”, avalia Mari Milani.

Equipamentos técnicos, por padrão de fábrica, raramente acompanham a linguagem estética do ambiente. Porém, a pintura devolve ao arquiteto justamente o controle que se perde quando o projeto é pensado sem considerar esses itens desde o início.
Quando manter o branco ou o preto é a escolha certa
Nem todo projeto pede intervenção cromática, e forçar uma pintura colorida em ambiente que não pede esse recurso é um erro tão comum quanto ignorar o aparelho por completo. As cores mais usuais de ar-condicionado no mercado, branco e preto, também se incorporam bem ao décor, desde que o restante do ambiente seja pensado para dialogar com essas tonalidades neutras.

Em um projeto com marcenaria ripada, por exemplo, o aparelho preto acompanha o tom cinza do MDF, atendendo a uma cozinha americana integrada à sala de estar. Já em outro caso, o ar-condicionado branco ficou alinhado à parede de tijolinhos, com o décor arrematado pelo ton sur ton do sofá, das almofadas e do tapete.
“É perfeitamente possível criar ambientes com as cores originais”, garante Mari Milani. “Tudo é questão de analisar as possibilidades e consultar a preferência dos moradores”.
O que muda, na prática, é o momento da decisão. Tratar o ar-condicionado como parte do projeto desde o início evita retrabalho — e evita, sobretudo, aquele instante em que o aparelho branco aparece pronto na parede recém-pintada e desmonta toda a composição pensada com cuidado.
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