Um apartamento no Leblon não precisou de obra estrutural para ganhar nova cara. A reforma assinada pela arquiteta Fernanda Zeitoune, do escritório Janeiro Arquitetura, provou que intervenções pontuais bem planejadas resolvem muito mais do que costuma parecer.
O imóvel já tinha uma distribuição eficiente, com circulação circular fluida entre os ambientes sociais, mas faltava um elemento que costurasse essa planta à identidade de quem passou a morar ali: um casal, a filha adolescente e o cachorro da família.
A descoberta que virou protagonista da sala
A principal mudança espacial foi a abertura de uma passagem entre a sala e o escritório, ligação que trouxe mais integração ao andar social.

Durante a remoção do revestimento antigo, a equipe encontrou um pilar estrutural de concreto aparente com formato triangular, escondido havia anos atrás de acabamentos convencionais. Em vez de disfarçar o elemento, a decisão foi deixá-lo à vista e transformá-lo em referência para o desenho da estante que ocupa a parede ao lado.
O resultado é uma área social onde estrutura e marcenaria conversam sem esforço. Sala de estar e sala de jantar seguem integradas, e portas de correr permitem isolar ou abrir totalmente o home office e a sala de TV, conforme a necessidade do dia.

Essa flexibilidade importa especialmente em uma casa com adolescente: o mesmo cômodo vira escritório silencioso pela manhã e espaço de convivência à noite, sem depender de reforma alguma para mudar de função.
Um corredor com personalidade própria

Corredores costumam ser tratados como espaço de passagem, sem nenhuma atenção especial. Aqui, o caminho que liga os ambientes recebeu portas pintadas em tom vermelho-bordô e uma pintura listrada em meia altura, escolha que dá ritmo visual a um trecho da casa que normalmente passaria despercebido. A cor forte funciona como contraponto ao concreto aparente da sala, e ajuda a marcar a transição entre a área social e os quartos.

Esse tipo de decisão mostra como a decoração de corredor pode carregar tanta personalidade quanto os ambientes principais. Um trecho de circulação bem resolvido evita que a casa pareça dividida entre “os cômodos que importam” e “os que só se atravessa”.
O que ficou para a próxima etapa?
Cozinha, banheiros e área de serviço não entraram nesta fase da reforma. A equipe optou por renovações pontuais nesses espaços, com troca de puxadores, aplicação de papel de parede e ajustes específicos na marcenaria existente, deixando intervenções mais profundas para uma segunda etapa do projeto. A estratégia evita o desgaste de uma obra completa de uma só vez e permite que a família já aproveite a nova identidade da casa enquanto planeja os próximos passos com calma.

O projeto do apartamento no Leblon reforça um raciocínio simples para quem pensa em reformar sem virar a rotina de cabeça para baixo: nem toda transformação exige demolição. Às vezes, o que muda tudo é enxergar valor no que já está ali, como aquele pilar que ficou escondido por anos e hoje é o primeiro detalhe que qualquer visita nota ao entrar na sala.
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