Uma família de São Paulo comprou um apartamento na Barra da Tijuca para passar fins de semana e temporadas de férias. Depois da reforma, decidiu se mudar de vez para o Rio de Janeiro. Essa é a síntese mais direta do que a integração de ambientes pode provocar quando é bem executada: o espaço deixa de ser um lugar de passagem e se torna, de fato, um lar.
O projeto tem assinatura das arquitetas Tatiana Galiano e Daniela Miranda, do escritório Memoá Arquitetos, e ocupa 90 metros quadrados em um dos endereços mais valorizados da Zona Oeste carioca. A vista da Pedra da Gávea e do mar, somada a uma reestruturação completa da planta original, resultou em um apartamento que abandona a lógica de imóvel de temporada e assume identidade de moradia permanente. Moram ali uma executiva do mercado financeiro, um profissional do setor bancário e a filha do casal, de 15 anos.
Uma planta cheia de obstáculos virou um único espaço social
A característica mais marcante do projeto é a integração total entre sala, cozinha e varanda. As arquitetas derrubaram as paredes que separavam esses três ambientes, criando uma área social ampla, onde a luz natural circula livremente e a vista para a Pedra da Gávea se torna protagonista do décor.

Essa decisão não foi simples de executar. A planta original apresentava diversas quinas e paredes estruturais, o que exigiu um projeto técnico cuidadoso para viabilizar a demolição sem comprometer a segurança do edifício. Durante a obra, a equipe também identificou a necessidade de substituir toda a instalação elétrica e hidráulica do apartamento, já que o prédio é antigo. O que começou como uma reforma de estética se transformou em uma atualização estrutural completa do imóvel.
Travertino natural marca a entrada e cria continuidade visual
Logo na recepção, um sofá e uma poltrona em tons off-white compõem um pequeno living, delimitado por um tapete que organiza visualmente o espaço sem fragmentá-lo. A grande aposta estética, porém, está na parede principal: seis metros de extensão, da entrada até a varanda, revestidos em placas de travertino natural.

O acabamento bruto e a paginação irregular da pedra criam um efeito de rusticidade sofisticada, um contraponto interessante à limpeza visual do restante do ambiente. É esse tipo de escolha que sustenta a sensação de amplitude — a parede não interrompe o olhar, ela o conduz até a vista externa.
Laca branca resolve o clima litorâneo sem abrir mão da estética
Para otimizar o aproveitamento de espaço sem comprometer a estética clean do projeto, a cozinha e parte da sala receberam armários e despensas mimetizados em laca branca. A escolha do material vai além da estética: em regiões litorâneas, a maresia costuma comprometer acabamentos ao longo dos anos, e a laca funciona como uma camada protetora que pode ser repintada quando necessário, permitindo inclusive a troca de cor no futuro.

O erro comum em projetos de apartamentos de praia é subestimar esse desgaste progressivo causado pelo ar salino. Aqui, o material foi escolhido justamente para resolver esse problema estrutural com uma solução que também é decorativa.

Na sala, a cristaleira e o rack foram integrados em um cantinho estratégico próximo à TV. A madeira clara e os detalhes em palhinha reforçam uma atmosfera acolhedora, adicionando textura sem pesar visualmente o ambiente. A cristaleira, além de cumprir função de armazenamento, se tornou um ponto focal elegante dentro da composição.
O banco com telescópio que substituiu a varanda
No espaço que antes era a varanda, o projeto criou um banco posicionado junto à janela, equipado com um telescópio para observação do céu e das estrelas. A peça incorpora gavetões que otimizam o aproveitamento do espaço disponível e recebeu estofados aconchegantes, complementados por uma mesa oval e duas cadeiras.
O resultado é um ambiente pensado para os momentos de fim de dia, um espaço de contemplação que aproveita a vista privilegiada da Barra da Tijuca sem depender de grandes metragens para funcionar.
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Quartos equilibram conforto e soluções técnicas discretas
Nos dormitórios, o conforto se traduz em roupas de cama macias e móveis de apoio que garantem praticidade sem comprometer a organização visual do espaço. A iluminação foi projetada para reforçar uma atmosfera relaxante em ambos os quartos.

No quarto do casal, um desafio técnico exigiu atenção especial: como a instalação externa de equipamentos não era permitida pelo prédio, a unidade evaporadora do ar-condicionado foi embutida na marcenaria. Esse tipo de solução só funciona quando o móvel é projetado com frentes ripadas, venezianas ou grelhas de ventilação, que garantem a troca de ar entre o equipamento e o ambiente.
Sem essa circulação, o aparelho puxaria o próprio ar já resfriado, o que engana o termostato e pode congelar a serpentina. O revestimento interno em espuma acústica cumpriu o papel de reduzir o ruído do equipamento, mas a ventilação foi o ponto que garantiu o funcionamento correto do sistema dentro do armário.

Já no quarto da filha de 15 anos, a decoração ganhou um caráter mais jovial, com pontos de cor estrategicamente distribuídos, como a parede atrás da cama, em cinza claro, que recebeu uma textura diferenciada para criar contraste sem fugir da paleta neutra do restante do apartamento.
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