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Home Arquitetura

Casa MKN: a residência que usou o paisagismo como ponto de partida do projeto

A residência desenvolvida pelo escritório Triplex Arquitetura mostra que preservar a vegetação original de um lote pode ser o melhor partido de projeto — e define cada decisão construtiva a partir disso

by Cláudio Filla
17 de março de 2026
in Arquitetura

O ponto de partida da Casa MKN não foi o programa de necessidades, nem o orçamento, nem o estilo que os moradores gostariam de ver. Foi uma árvore. Ou melhor, várias delas. O escritório Triplex Arquitetura recebeu um terreno arborizado com espécies de grande porte já consolidadas e tomou uma decisão que deveria ser mais comum na arquitetura residencial brasileira: a construção se adaptaria à vegetação, e não o contrário.

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Esse partido define tudo no projeto, desde a posição dos volumes, a orientação das fachadas, a forma como os beirais foram desenhados e até onde a piscina foi instalada. Quando a preservação da vegetação deixa de ser um detalhe do paisagismo e passa a ser a premissa estruturante do projeto, o resultado é uma arquitetura que conversa com o entorno de forma genuína.

Volumetria horizontal e a lógica dos dois pavimentos

A casa se organiza em dois pavimentos principais e um rooftop, dispostos em uma volumetria horizontal marcada por linhas retas e planos contínuos. Essa horizontalidade não é apenas uma escolha estética, ela é funcional, e ao manter o conjunto baixo e espalhado pelo lote, o projeto evita sombrear em excesso as espécies arbóreas existentes e preserva a escala humana da residência dentro do jardim.

Casa MKN: a residência que usou o paisagismo como ponto de partida do projeto
Fotografia: Dândara Nunes Bettini

Os amplos beirais reforçam essa leitura contemporânea e cumprem mais de uma função técnica. Além de proteger as fachadas da incidência solar direta e das chuvas, foram desenhados com espessura suficiente para incorporar floreiras embutidas, integrando o paisagismo à própria estrutura da cobertura. Para viabilizar essa solução, foram adotadas estratégias específicas de impermeabilização, drenagem e reforço estrutural, garantindo desempenho ao longo do tempo sem comprometer a manutenção.

O grande erro em projetos com floreiras na cobertura é tratar a questão como puramente decorativa. A impermeabilização precede tudo, e a drenagem mal dimensionada compromete tanto a estrutura quanto as próprias plantas.

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O térreo que elimina a fronteira entre dentro e fora

No pavimento térreo, os ambientes sociais, como a sala, cozinha integrada e área de convivência, se abrem completamente para o jardim por meio de grandes panos de vidro com perfis slim. O detalhe técnico que merece atenção aqui é a solução adotada: os planos de vidro recolhem totalmente para dentro da alvenaria, eliminando qualquer barreira física ou visual entre o interior e o exterior. Não existe batente, não existe trilho aparente, não existe nada que interrompa o olhar em direção ao jardim.

Casa MKN: a residência que usou o paisagismo como ponto de partida do projeto
Fotografia: Dândara Nunes Bettini

Essa escolha transforma a área social em um espaço contínuo. A ventilação natural passa a funcionar em fluxo cruzado, a iluminação dispensamos recursos artificiais durante o dia e o paisagismo se torna parte ativa da decoração interna — sem que uma única planta precise estar dentro de casa.

“A integração entre interior e exterior precisa ser pensada como sistema, não como recurso pontual. O vidro que recolhe, o piso que continua, o forro que avança para fora — cada elemento precisa reforçar essa continuidade para que o resultado funcione de verdade”, observa a Triplex Arquitetura sobre a concepção do projeto.

Materialidade: resistência e coerência estética

A escolha dos materiais na Casa MKN segue uma lógica clara: durabilidade, baixa manutenção e coerência com o entorno natural. A base da residência recebe revestimento em granito rústico, que ancora visualmente o volume ao solo e cria um diálogo direto com a textura das árvores e das pedras do jardim. É um material que envelhece bem, não exige tratamentos frequentes e mantém a leitura robusta da construção.

Casa MKN: a residência que usou o paisagismo como ponto de partida do projeto
Fotografia: Dândara Nunes Bettini

Nos volumes superiores, o ripado em alumínio com pintura amadeirada compõe as fachadas com precisão. A escolha pelo alumínio e não pela madeira natural, é uma decisão técnica importante: o material suporta a exposição às intempéries sem empenar, sem precisar de tratamentos periódicos e sem perder a tonalidade ao longo dos anos. O aspecto visual da madeira é mantido; a necessidade de manutenção, não.

Essa combinação — granito na base, ripado metálico amadeirado nos volumes superiores e cobertura plana com beirais largos — compõe uma paleta sólida, de baixo custo de manutenção e com identidade bem definida.

  • Veja também: Branco, madeira clara e cozinha integrada: como um apê de três quartos em Ipanema ganhou alma escandinava

Área externa: o jardim como cômodo

A área externa da Casa MKN foi projetada como extensão direta do espaço social, e não como complemento. O piso em granito Itaúnas levigado percorre a área ao redor da piscina e as circulações do jardim com uniformidade visual e desempenho técnico: o material oferece resistência ao escorregamento quando molhado, conforto térmico superior a outros acabamentos em pedra e baixa absorção de umidade.

Casa MKN: a residência que usou o paisagismo como ponto de partida do projeto
Fotografia: Dândara Nunes Bettini

O paisagismo foi desenvolvido com espécies tropicais de médio e grande porte, organizadas em camadas que criam diferentes níveis de sombra, privacidade e enquadramento visual. Essa estratificação composta por plantas rasteiras, arbustos de médio porte e árvores de copa ampla é o que estrutura o jardim como um ambiente habitável, e não apenas decorativo. As árvores originais do lote foram mantidas e integradas a essa composição, funcionando como âncoras visuais e como fornecedoras de sombra natural sobre a área da piscina e do espaço gourmet coberto.

“Preservar as árvores existentes muda completamente a relação do morador com o jardim. Você não começa do zero — você começa com história, com escala, com sombra consolidada. O projeto precisa reconhecer esse valor e trabalhar a partir dele”, aponta a equipe da Triplex Arquitetura.

O espaço gourmet e a piscina como núcleos de convivência

A piscina e o espaço gourmet coberto foram posicionados para dialogar simultaneamente com a residência e com a vegetação. Não estão isolados no fundo do lote, nem colados à fachada sem relação com o jardim — ocupam o ponto de equilíbrio entre os dois, funcionando como núcleo de convivência que conecta arquitetura e paisagismo.

Casa MKN: a residência que usou o paisagismo como ponto de partida do projeto
Fotografia: Dândara Nunes Bettini

Essa decisão de implantação é o que realmente faz a diferença no uso cotidiano. Uma área gourmet bem posicionada amplia o tempo que os moradores passam fora de casa, cria fluxo natural entre os ambientes e faz com que o jardim seja vivenciado — não apenas contemplado da janela.

Detalhes técnicos do projeto:
Curadoria de Susanna Moreira
São Paulo, Brasil
Arquitetos: Triplex Arquitetura
Área: 900 m²
Ano: 2023
Fotografias:Dândara Nunes Bettini
Fabricantes: Bontempo, Di Mármore, Marcenaria Pimentel, Marupá, Ulimax
Categoria: Arquitetura Residencial, Casas
Equipe De Projeto: Gustavo Henrique Rodrigues, João de Aquino Rocha Neto
Arquiteto Líder: Cristiano Terrone
Paisagismo: Flávia Tiraboschi
Design De Interiores: Marina Linhares
Engenharia & Consultoria > Iluminação: Studio 220V
Construção Geral: LAR Construtora
Cidade: São Paulo
País: Brasil

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Via: Archdaily
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