Um pilar no meio da sala de entrada era o principal obstáculo entre a planta original deste apartamento e a integração que a arquiteta Duda Senna queria para sua própria casa.
Construído nos anos 1970, no bairro dos Jardins, em São Paulo, o imóvel chegou a ela com mais de 50 anos de uma divisão de cômodos que já não fazia sentido para quem buscava ambientes sociais abertos e conectados.
Acompanhe as novidades do Enfeite Decora
A resposta encontrada pela arquiteta Duda Senna, batizou o projeto de casa suspensa. O nome resume a ideia central da reforma, de liberar o chão e o olhar, trabalhando a estrutura e o forro para que a sensação de amplitude dominasse os ambientes de convívio, do térreo ao terraço.
O pórtico que substituiu o pilar
Remover um pilar central de concreto não é uma decisão simples em nenhum projeto estrutural, e aqui a solução passou por um pórtico metálico embutido no forro de madeira.

A peça assumiu a função de sustentação antes exercida pelo pilar, mas sem ocupar espaço visual na sala de entrada, abrindo caminho para a integração total dos ambientes sociais.
Esse tipo de intervenção costuma ser um dos pontos mais delicados em reformas de apartamentos antigos. Trocar um elemento estrutural por outro exige cálculo de engenharia, compatibilização com instalações elétricas e hidráulicas já existentes e, principalmente, um projeto de arquitetura de interiores capaz de disfarçar a nova estrutura dentro do acabamento.
No caso da casa suspensa, o pórtico ficou invisível aos olhos de quem circula pela sala, revelado apenas pela textura da madeira que recobre o forro.
Tons terrosos, pedra moledo e madeira no primeiro pavimento
A atmosfera do primeiro pavimento nasce da combinação entre pedra moledo, piso cerâmico e madeira, reunidos em uma paleta de tons terrosos.

Essa escolha cromática cria uma base neutra e acolhedora, que recebe sem conflito uma seleção generosa de cores, formas e texturas vindas do mobiliário e das obras de arte.
A pedra moledo, de aspecto rústico e irregular, contrasta com a regularidade do piso cerâmico, enquanto a madeira suaviza a transição entre os dois materiais.

O resultado é um primeiro pavimento que equilibra solidez e leveza, características centrais de qualquer projeto de decoração de interiores que precise acomodar peças de épocas e origens diferentes sem parecer confuso.
O terraço como quintal aberto
No terraço, a casa suspensa ganha seu espaço mais informal. Piscina, churrasqueira e mobiliário outdoor dividem a área com espécies de paisagismo como o jasmim-manga, formando um quintal suspenso que resgata a vivência de uma casa térrea dentro de um apartamento.

Esse tipo de uso do terraço como extensão da sala, e não apenas como varanda de passagem, tem se tornado cada vez mais comum em reformas de imóveis antigos em São Paulo.
A proximidade entre a piscina e a churrasqueira favorece encontros informais, e a presença de vegetação ajuda a amenizar o calor típico das lajes expostas ao sol da tarde.
Móveis autorais brasileiros e memória afetiva na sala
Na ala social, o mobiliário reúne peças de design autoral brasileiro com objetos de valor pessoal. O sofá da Carbono Design convive com o sofá coral e as cadeiras Omar, assinadas por Jader Almeida e Rejane Carvalho Leite, além da já clássica poltrona Mole e de cadeiras octogenárias desenhadas por Sérgio Rodrigues.

Essa seleção não busca apenas representatividade no design nacional. Ao lado das peças autorais, obras de arte, itens garimpados em viagens e relíquias de família compõem uma narrativa pessoal dentro da casa suspensa, reforçando que decoração de ambientes também é um exercício de memória. Cada peça carrega uma história que antecede o projeto, e a arquiteta optou por integrá-las ao invés de substituí-las por mobiliário novo.
Cozinha, área de serviço e os detalhes em granito
A cozinha com península e a área de serviço seguem a mesma lógica de continuidade do piso social, reforçada pelo uso de verde, lâminas amadeiradas e prateleiras de granito Itaúna.

A escolha do granito para as prateleiras, em vez de para a bancada principal, é um detalhe que chama atenção: o material aparece como acabamento de apoio, trazendo resistência onde o uso é mais intenso, sem dominar visualmente o ambiente.
O verde entra como cor de destaque nos armários, criando contraste com as lâminas de madeira e evitando que a cozinha se torne apenas uma extensão neutra do restante da casa.
A escada de madeira de demolição até o andar íntimo
O acesso ao pavimento superior é feito por uma escada revestida com madeira de demolição, material que carrega marcas de uso e historicidade incompatíveis com qualquer acabamento novo.
O guarda-corpo em serralheria acompanha esse tom mais industrial, e uma porta camarão de segurança foi instalada especificamente para os filhos da arquiteta, uma solução prática que concilia estética e proteção sem recorrer a grades convencionais.
No andar íntimo, Duda reconfigurou a circulação para abrir espaço para uma sala de TV familiar, criando um ambiente de uso coletivo que a planta original dos anos 1970 não contemplava.
A suíte máster sobre base neutra
A suíte máster foi projetada sobre uma base neutra, com painel laqueado e cabeceira de palhinha trazendo textura ao quarto sem recorrer a estampas ou cores fortes.

O banheiro, por sua vez, concentra o ponto de cor mais marcante do andar íntimo: ladrilho hidráulico azul combinado a uma bancada de mármore Paraná.

Essa combinação de ladrilho hidráulico com mármore nacional é uma escolha que une tradição construtiva brasileira a um resultado estético contemporâneo, demonstrando como materiais regionais podem sustentar um projeto de arquitetura de interiores sem depender de importações ou revestimentos de maior custo.
| Para mais conteúdos do Enfeitedecora, siga o nosso X (Twitter), Instagram e Facebook,
inscreva-se no nosso canal no Pinterest,
no Google e acompanhe as atualizações sobre decoração, arquitetura, arte e projetos inspiradores. E-mail: [email protected] |





