O apartamento de 70 m² na Pompéia, zona oeste de São Paulo, não pedia demolição de parede nem troca de revestimento. A estrutura já estava consolidada havia anos, e o casal que vivia ali sentia falta de outra coisa: identidade. Foi esse o ponto de partida para o trabalho da arquiteta Juliana Faria.
O projeto concentrou as mudanças no layout, na iluminação e no décor, reaproveitando parte do mobiliário e mantendo os pisos e revestimentos existentes.
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O sofá ganhou um tecido novo, o projeto luminotécnico foi redesenhado por completo e a obra, sem grandes intervenções estruturais, foi entregue em cerca de 45 dias e a transformação começa já na entrada do imóvel.
O hall de entrada
Sem definição visual própria, o hall recebeu um efeito ripado branco sobreposto a um espelho orgânico. As réguas verticais são de poliestireno (EPS reciclado) e foram cortadas sob medida, respeitando o pé-direito do ambiente, de forma que se encaixam umas nas outras sem necessidade de acabamento adicional.

do apartamento, integrando as peças à nova composição do hall | Fotos: Julia Novoa
O rodapé preto de 3 cm marca o encontro entre piso e parede. “Particularmente eu gosto muito desse efeito, pois reduz a marcação visual e facilita na limpeza”, afirma Juliana Faria. A escolha evita o acúmulo de poeira na junção e dispensa rejunte aparente, o que simplifica a manutenção do ripado ao longo do tempo.
Integração da área social
A reorganização do layout foi a mudança mais estrutural do projeto, embora não tenha exigido quebra de alvenaria. Juliana Faria manteve mesa de jantar, cadeiras, sofá e marcenaria nas posições originais e trabalhou a atmosfera por cima dessa base, sem descartar peças que já faziam parte da rotina dos moradores.

A parede verde com obra de arte colorida passou a ser o ponto focal da sala, reforçado pelo sofá com o tecido novo. O tapete delimita a área de estar sem alterar a circulação, enquanto a marcenaria que abriga a televisão, já existente, foi preservada junto com o painel.
Aliás, essa decisão de preservar peças grandes é o que viabilizou o prazo curto da obra: não há retrabalho de marcenaria quando a estrutura aproveitada já está em bom estado.
A iluminação recebeu a atualização mais perceptível do ambiente. Os antigos spots redondos deram lugar a trilhos brancos instalados no teto, que permitem direcionar os focos de luz para pontos específicos da sala, algo que o spot fixo não permite.
Varanda multifuncional

A varanda tinha o mesmo piso geométrico da cozinha e uma configuração que limitava seu uso. Com a retirada da esquadria de vidro que separava o espaço da sala, a arquiteta reforçou a integração visual entre os dois ambientes e, por meio da marcenaria, inseriu mesa de trabalho, um cantinho de bar com adega embutida e um painel que oculta a condensadora do ar-condicionado.
Ao lado da mesa de trabalho, um cantinho de descanso foi montado com tapete assinado por Fernando Jaeger, poltrona com apoio para os pés, mesa de apoio e um mix entre arandela e abajur.

A combinação de luminárias em alturas diferentes evita o efeito de iluminação única e uniforme, que tende a deixar cantos de descanso com cara de escritório.
Cozinha integrada
Na cozinha, as mudanças ficaram concentradas na atualização dos acabamentos da marcenaria e na relação do ambiente com a área social. Uma prateleira suspensa, executada pela serralheria, foi posicionada estrategicamente para equilibrar o volume visual da coifa, peça que costuma concentrar grande parte da atenção nesse tipo de cozinha.

Um filete instalado no perímetro do ambiente marca a transição entre cozinha e sala sem interromper a integração visual entre os dois espaços. É uma solução discreta, que sinaliza a mudança de piso ou de função do ambiente sem recorrer a divisórias ou desníveis.
A suíte
No dormitório, o efeito ripado reaparece como cabeceira, repetindo a textura já usada no hall e criando uma referência visual entre os dois ambientes. A iluminação também foi redesenhada, e o ar-condicionado passou a ocupar uma posição central em relação à cama, o que equilibra a distribuição de ar no ambiente.

Os armários foram mantidos na configuração original. A suíte resume a lógica aplicada ao apartamento inteiro: trocar o que determina a atmosfera do ambiente, como luz, textura e cor, e preservar o que já funcionava na estrutura e no mobiliário.
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