A circulação entre os ambientes orienta a revitalização desta casa no Pacaembu, em São Paulo, assinada pela arquiteta Sabrina Salles (@sabrina_salles). A estrutura original foi mantida, e o piano, as obras de arte e os móveis da família continuam em uso dentro de uma composição que atende melhor a rotina de quem mora ali.
Cada área social recebeu uma resposta própria de marcenaria, materiais e iluminação, o que mostra como uma reforma de casa antiga pode renovar o uso dos espaços preservando a memória deles. A leitura começa pela passagem entre o living e a sala de lareira, onde a casa define o tom de todo o projeto.
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Living e sala de lareira em continuidade visual

O living e a sala de lareira foram integrados para que a circulação e o olhar passem de um ambiente ao outro sem interrupção. O contraste entre o painel de madeira e o mármore branco marca essa passagem, já que a madeira aquece a parede e traz textura, enquanto o mármore reflete a luz e entrega uma superfície lisa e clara.

Notamos que a escolha dos dois materiais dispensa o excesso de objetos para dar identidade à sala, o que deixa as obras de arte e os móveis preservados no primeiro plano. Rever a circulação antes de pensar em acabamentos evita que uma casa renovada continue funcionando em compartimentos isolados.
Mesa redonda e couro caramelo na sala de jantar
Na hora de receber, a sala de jantar reúne uma mesa redonda e cadeiras de encosto baixo em couro caramelo envelhecido. O formato redondo não tem cabeceira, de modo que os convidados ficam a distâncias parecidas e se enxergam, o que favorece a conversa em refeições longas.

O encosto baixo mantém a linha de visão livre entre a sala de jantar e os ambientes vizinhos, ponto que pesa numa planta integrada. Já o tom do couro, com a pátina de uma peça que já viveu algum tempo, dialoga com a marcenaria do ambiente e forma uma paleta de cores quentes sem que o conjunto pareça comprado de uma só vez.
Ilha central na cozinha e a mesa antiga na varanda gourmet
Para as refeições rápidas do dia a dia, a cozinha conta com uma ilha central generosa, que dispensa a montagem da mesa de jantar a cada café ou lanche. A bancada ainda aproxima quem cozinha de quem está de passagem.

A varanda gourmet, integrada à cozinha, reaproveita a antiga mesa de jantar da família e leva para o espaço de convivência uma peça que já carregava memória.
Para dar fluidez ao conjunto, o projeto combina iluminação zenital, pano de vidro e formas curvas: a luz natural entra por cima, a vista se abre para fora e as curvas suavizam os percursos em torno da mesa.
Sala de TV com luz indireta e lustre clássico
Na sala de TV, a iluminação indireta e os tons quentes criam um ambiente de permanência longa, com luz rebatida que não gera reflexo na tela. Como sugestão, lâmpadas de cerca de 2700 K reforçam essa temperatura amarelada e aconchegante.

O lustre de cristal clássico foi mantido, e a decisão faz sentido porque o conforto luminoso já vem da luz indireta, o que libera a peça para atuar como destaque decorativo. Os cristais refletem a luz que chega até eles, por isso ganham brilho mesmo com lâmpadas de baixa intensidade.
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