O desenho de uma pedra natural vem do processo de formação da rocha, e por isso nenhuma peça se repete. Esse mesmo caráter está por trás da dúvida entre natural e sintética, frequente nas especificações, já que o material natural reúne beleza única e limitações de uso, enquanto as sintéticas ganharam espaço pela durabilidade e pela resistência.
Com mais de 20 anos de experiência no uso de pedras, a arquiteta Patricia Penna, responsável pelo escritório Patricia Penna Arquitetura & Design, indica onde cada material funciona melhor dentro e fora de casa e quais cuidados de impermeabilização e instalação preservam a beleza da rocha original na arquitetura de interiores.
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A conversa começa pela diferença entre a pedra extraída da natureza e a produzida pela indústria.
Pedra natural ou pedra sintética: o que pesar antes de especificar
Entre as perguntas mais frequentes nos projetos, Patricia destaca a escolha do tipo de material.

Sobre a rocha extraída, ela explica: “O material natural apresenta desenho e cores únicas, oriundos do seu processo de formação, entretanto também apresenta limitações quanto ao uso, como permeabilidade e, em geral, maior fragilidade a impacto, abrasão, etc.”
Por isso, a arquiteta orienta avaliar o local de instalação e o propósito de uso antes de fechar o material, e considerar o impermeabilizante em qualquer caso. Sem ele, a permeabilidade deixa a superfície vulnerável a manchas, e o desenho que justificou a escolha da pedra natural acaba comprometido.

Ainda assim, ela reconhece o valor do que a natureza entrega: “Não podemos negar que o resultado da pedra natural é único e personalizado, uma vez que nenhuma é igual a outra, como uma digital”.
Já as pedras sintéticas, formadas por minerais e elementos sintéticos, acompanham as tendências e as tecnologias do mercado e muitas vezes se parecem bastante com as retiradas da natureza. Para a cozinha, Patricia cita as lâminas sinterizadas, como a Laminan, de grande resistência a impacto e abrasão, e não hesita: “Para bancadas de cozinhas são imbatíveis”.
Numa cozinha gourmet assinada por ela, a lâmina sinterizada Laminan cobre as bancadas e toda a parede da churrasqueira, o que mostra o material funcionando também como revestimento vertical contínuo.
Travertino e mármore nas paredes e na lareira da área social
Para Patricia, pedra é um conceito amplo, que vai das tipologias mais rústicas até as mais nobres, como o mármore e o ônix, de acabamento luxuoso. Todas, a priori, são preciosas e podem assumir papéis diferentes.

“Elas são modeláveis em sua potencialidade, dando vida às paredes, bancadas e pisos, de qualquer ambiente, desde que bem trabalhadas no projeto”, analisa.
Numa casa de praia, o mármore travertino Navona, aplicado em pequenas lajotas, reveste toda a parede da sala de estar e acompanha a temática natural do projeto. Já numa residência no interior de São Paulo, o mármore natural cobre toda a parte da lareira de um living com pé-direito duplo.
Nos dois casos, notamos que a pedra ocupa o plano inteiro em vez de aparecer como detalhe isolado, o que faz do revestimento o elemento que define o ambiente.
Pedras em áreas externas, da piscina à fachada
Fora de casa, o objetivo da arquiteta é explorar o caráter orgânico das pedras, e por isso ela costuma aplicá-las em áreas de piscina e em fachadas.

Na parte posterior de uma das residências, um mosaico de ardósia ferruginosa cobre a empena cega, a parede lateral sem aberturas que separa os setores social e íntimo, e se transforma em um dos pontos de atenção da fachada, trazendo textura a uma superfície que costuma ficar sem função visual.
Para instalações ao ar livre, Patricia reforça a importância de contar com profissionais de arquitetura na escolha dos materiais mais indicados ao uso pretendido, além de uma boa marmoraria, capaz de conduzir o trabalho desde a seleção da pedra até o corte, a impermeabilização e a instalação.
Quais pedras entram no projeto e o que cada grupo pede?
Tanto nas áreas externas quanto nas internas, as possibilidades são muitas. Entre as naturais estão as ardósias, os mármores, os granitos, os quartzitos, o ônix e os limestones, que pedem alguma atenção especial e podem ser aplicados de diversas maneiras, cada um com limitações específicas que devem ser seguidas conforme as orientações da marca e com a supervisão de um profissional de arquitetura.
Entre as sintéticas, o cenário varia conforme a composição do material.
- Os derivados de quartzo, entre eles o Silestone e produtos semelhantes, ampliam as opções para quem busca uma alternativa à pedra extraída.
- O Corian, já conhecido do mercado, permite cores e formas inusitadas, mas tem enormes limitações quanto a desbotamento e resistência.
- As lâminas sinterizadas resistem aos mais diversos esforços mecânicos, à abrasão e ao desbotamento.
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