Um prédio do final dos anos 1970 no bairro dos Jardins, em São Paulo, guardava uma planta compartimentada e pouco generosa para os padrões de convivência atuais. Foi esse o ponto de partida para a reforma de apartamento de 130 m² assinada pelos arquitetos Alexandre Carneiro Sarayedine Testa e Victória Teixeira Herling, do escritório AVAA Arquitetura. O projeto foi pensado para um casal, um português apaixonado pela cultura brasileira e uma médica goiana, além de seus dois cães, e o resultado é um lar contemporâneo que não escondeu a idade do edifício. Pelo contrário, transformou a estrutura antiga em protagonista da decoração de interiores.
As vigas de concreto aparente, que em muitos projetos seriam camufladas por forros de gesso, ficaram à mostra e passaram a compor a identidade do apartamento. Essa escolha amarra o novo layout ao passado da edificação e evita o erro comum de apagar qualquer traço da construção original em nome de um acabamento genérico. O concreto bruto dialoga com elementos mais acolhedores, como superfícies texturizadas e detalhes em palha, o que evita que o ambiente fique frio ou industrial demais.
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Cozinha integrada ganha ilha central e esconde a área de serviço
A área social foi reorganizada para funcionar de forma mais fluida, com a cozinha incorporada ao restante do apartamento e organizada por uma ampla ilha central. Essa solução é hoje uma das mais procuradas em reformas residenciais, justamente por transformar o cômodo em ponto de encontro, e não apenas em espaço de trabalho.

O acesso à área de serviço acontece por uma porta blindada mimetizada ao painel de marcenaria da sala de jantar, um recurso que mantém a limpeza visual do ambiente sem abrir mão da funcionalidade. É um detalhe técnico que faz diferença no dia a dia: a circulação de serviço fica reservada, mas nunca escondida a ponto de comprometer o uso prático da rotina doméstica.
Sala ganha versatilidade com sofá de dois lados e banco contínuo
Na sala de estar, a arquitetura de interiores priorizou peças que ampliam a capacidade de uso do espaço. Um sofá de dois lados, assinado pela Arquivo Contemporâneo, permite configurações distintas de convivência, enquanto um banco contínuo percorre o ambiente e soma assentos extras a armazenamento, sem depender de móveis avulsos que poluiriam a planta.

Entre os objetos de decoração, uma aquarela que homenageia a casa do cliente em Portugal reforça o caráter pessoal do projeto. É esse tipo de escolha que evita que um apartamento reformado pareça um catálogo de móveis sem identidade.
Suíte combina closet em madeira clara com piso em espinha de peixe
Na área íntima, a suíte master recebeu um closet generoso em madeira clara, que contrasta diretamente com o piso escuro assentado em espinha de peixe, um dos padrões de instalação mais valorizados atualmente por unir tradição e sofisticação em um único traço. O ambiente também ganhou penteadeira e mobiliário autoral com formas curvas e toques de cor, quebrando a rigidez que o contraste entre madeira clara e piso escuro poderia impor.

Para preservar o pé-direito original do apartamento, algo raro em edifícios desse período e por isso mesmo um ativo a ser protegido em qualquer reforma, a iluminação indireta foi resolvida por meio de sancas dimerizáveis. A técnica permite regular a intensidade da luz ao longo do dia sem comprometer a altura do teto, e caminha lado a lado com a modernização completa da automação residencial e da infraestrutura técnica do imóvel.
O conjunto mostra como um apartamento antigo pode ganhar um layout contemporâneo sem apagar sua origem. A estrutura de concreto, longe de ser um obstáculo, tornou-se o fio condutor de todo o projeto assinado pela AVAA Arquitetura.
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