O design têxtil brasileiro tem identidade. Tem técnica. E agora, com mais estrutura, tem também uma rota traçada para chegar mais longe. O Texbrasil, Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira, acaba de renovar seu convênio para o biênio 2026-2028, em sua 14ª edição, com investimentos previstos de R$ 48,2 milhões entre recursos da ApexBrasil — Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos — e contrapartida da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção).
Para quem acompanha o mercado de decoração de interiores, cama, mesa e banho e tecidos de alto desempenho, essa renovação não é apenas uma notícia institucional. É um sinal claro de que o produto têxtil nacional está em movimento, ganhando maturidade exportadora e, com ela, mais visibilidade frente a compradores internacionais exigentes.
Duas décadas construindo o caminho para fora
Durante 20 anos de atividade contínua, o Texbrasil atendeu mais de 2 mil empresas brasileiras. Neste novo ciclo, o programa apoia cerca de 450 marcas, com destaque para micro e pequenas empresas dos segmentos de vestuário, têxtil lar, cama, mesa e banho, não tecidos e tecidos tecnológicos — categorias que dialogam diretamente com projetos de arquitetura e interiores.
“O Texbrasil reafirma o exemplo de parcerias bem-sucedidas e necessárias para alavancar resultados consistentes das empresas brasileiras. Essa conquista é viabilizada após muito empenho e capacitação constante para agregar inovação, planejamento e estratégia aos negócios, fatores inerentes à Abit que também são retransmitidos ao setor para que possamos, juntos, nos consolidar como referência de moda e design criativo, mirando expandir a nossa presença no mercado internacional”, declara Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Abit.
O novo ciclo prevê cerca de 150 iniciativas focadas em ações promocionais, qualificação técnica, estímulo à inovação e práticas de sustentabilidade — critérios que deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisito de entrada nos principais mercados globais.
14 mercados-alvo e um posicionamento estratégico
Os destinos definidos para este biênio revelam uma estratégia de amplo alcance geográfico. São 14 mercados-alvo internacionais: Argentina, Austrália, China, Colômbia, Egito, Emirados Árabes, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Japão, México, Panamá e Paraguai. A seleção combina mercados consolidados — como Estados Unidos e França, referências globais em design de interiores e moda casa — com mercados emergentes de alto potencial de consumo.
Para chegar a esses destinos com competitividade real, as marcas participantes contarão com mentorias especializadas, desenvolvimento de táticas culturais e empreendedoras, além de participação em feiras internacionais, roadshows, showrooms, projetos compradores e marketplaces globais.
Aliás, o fortalecimento da defesa de marcas e a orientação sobre certificações internacionais e boas práticas ESG entram como pilares centrais do programa — e não por acaso. Cada vez mais, compradores internacionais avaliam não apenas o produto em si, mas o conjunto de atributos que o envolve: origem, processo produtivo, impacto ambiental e posicionamento de marca.
O papel do programa para quem fabrica para o lar
Para as empresas que produzem para o mercado de decoração — desde tecidos para estofamentos até enxovais finos, revestimentos têxteis e peças de cama, mesa e banho —, o Texbrasil funciona como um acelerador de jornada. Não se trata apenas de abrir mercado, mas de preparar a empresa para sustentar essa presença.
“Estamos em sintonia com as macrotendências, oferecendo consultorias estratégicas, mapeando oportunidades, eventos e, o mais importante, acompanhando as empresas com pouca ou muita expertise mercadológica em todas as etapas da jornada exportadora. Atuamos como um hub acelerador para levar o produto brasileiro mais longe”, explica Lilian Kaddissi, superintendente de Marketing e Negócios da Abit.
Essa atuação como “hub” é o que diferencia o Texbrasil de um programa de apoio convencional. A ideia não é entregar uma lista de contatos e aguardar resultados — é acompanhar cada etapa, desde o diagnóstico inicial da empresa até sua inserção efetiva nos canais de venda internacionais.
