Por mais que atualmente pareça que o ripado caiu em desuso, ele simplesmente foi usado em excesso, e isso mudou a forma como as pessoas olham para ele hoje. Durante anos, o revestimento apareceu em painéis de TV, corredores, fachadas, cabeceiras e até em portas de armário, muitas vezes na mesma casa, ao mesmo tempo.
O resultado foi um cansaço visual que pouco tem a ver com a qualidade do material e muito com a forma como ele foi distribuído pelo projeto. Para a designer de interiores Paula Rodrigues, essa distinção é o ponto central de toda a discussão sobre o ripado continuar em alta ou não.
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“Na minha opinião, sim, e eu vou te explicar o porquê. O ripado ele não ficou ultrapassado. O que aconteceu é que nos últimos anos ele foi tão utilizado em tantas coisas que ele acabou cansando um pouco, né?”, explica.
O excesso, e não o material, é o verdadeiro problema
A profissional é direta ao apontar onde está o erro mais comum em projetos que usam esse tipo de revestimento. Segundo ela, quando o ripado aparece como detalhe, em madeira natural, bem executado e bem acabado, o resultado continua bonito e traz textura e aconchego ao ambiente.

A situação muda quando o material domina o espaço. “Agora, quando ele cobre uma parede inteira, um corredor, ele aparece em vários móveis na casa, aí eu já não gosto, acho que tem muito excesso ali e isso acaba cansando, não fica bonito”, afirma Paula Rodrigues.
Essa fala resume o que boa parte dos projetos de arquitetura de interiores enfrentou nos últimos anos, quando o ripado se tornou protagonista em vez de detalhe. Quando um único elemento se repete em vários pontos da casa, o olhar perde o foco e o ambiente perde a sensação de cuidado e curadoria.
Onde o ripado ainda funciona muito bem?
O uso pontual é o caminho apontado pela especialista para manter o material relevante dentro da decoração contemporânea. Um rack, uma mesinha de apoio ou um móvel específico funcionam como espaços ideais para valorizar o desenho do ripado sem sobrecarregar o projeto.
“Eu prefiro valorizar a madeira natural, né, ali de outras formas, com painel liso, uma marcenaria ali bem executada, super bem acabada, com detalhe pontual, aí fica muito mais leve e mais atemporal”, diz Paula Rodrigues.
Essa combinação entre painel liso e um ponto isolado em ripado cria contraste sem gerar disputa visual entre os elementos. A parede ganha respiro, o móvel ganha destaque, e a marcenaria consegue transmitir sofisticação sem depender de repetição.
O equilíbrio como critério de projeto
O problema realmente é o excesso. “Então para mim o problema nunca foi o ripado, não é. O problema é o excesso. Usar em equilíbrio, em um móvel ou outro, por exemplo, num rack ou de repente num outro móvel, algo assim pontual, né, numa mesinha, ele continua sendo uma escolha super bonita e ele é atemporal”, completa a designer de interiores.
Portanto, um elemento com personalidade forte, como o ripado, funciona melhor quando concentrado em um único ponto de atenção da casa, e não espalhado por todos os cômodos ao mesmo tempo. E, na prática, isso significa escolher entre um móvel ripado na sala ou um painel na entrada, e não os dois, além de mais aplicações no quarto e no home office.
A repetição em excesso é o que transforma um material bonito em algo que cansa rápido. Por isso, manter o ripado como detalhe, cercado de superfícies lisas e neutras, é o que garante a ele a longevidade que qualquer escolha de decoração precisa ter para não sair de moda em poucas temporadas.
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