Nem todo problema de acabamento se resolve com o uso do ripado. A afirmação pode soar contraditória diante da popularidade do material nos últimos anos, mas é justamente esse uso automático, aplicado sem critério, que tem gerado cozinhas com excesso de informação visual. E a frente de bancada é um dos pontos onde esse exagero aparece com mais frequência.
“Muita gente acha que o ripado é a resposta automática, mas eu acredito que existem soluções muito mais leves, elegantes e atemporais”, afirma a arquiteta Clarice Maggi.
Sobre o especialista
Clarice Maggi, é uma arquiteta focada no conceito de criar casas aconchegantes e elegantes sem excessos, evitando desperdícios financeiros ou escolhas impulsionadas por modismos passageiros.
O erro mais comum na frente da bancada
Ao usar o ripado apenas para revestir uma superfície que não pede nenhum tipo de destaque, o projeto perde equilíbrio. Percebemos esse revestimento aplicado de forma aleatória, como se fosse uma solução coringa para qualquer frente de móvel ou bancada.

O que realmente faz diferença nesse tipo de decisão é entender que nem toda superfície precisa de textura para ter presença. Clarice reforça esse ponto ao comentar uma bancada com a frente ripada que viu recentemente. Para a arquiteta, essa aplicação não soluciona o problema estético, apenas adiciona ruído a um espaço que já teria personalidade suficiente com escolhas mais simples.
Pedra em cima, MDF liso embaixo
Uma das combinações preferidas da arquiteta é usar pedra apenas no tampo superior e deixar toda a base, incluindo a saia lateral e a frente, em MDF liso ou madeira lisa.
Essa escolha elimina a necessidade da tradicional saia de pedra e o resultado é uma peça visualmente mais leve e contemporânea.
“Nada de ripado, simplesmente não precisa do ripado, use uma chapa lisa”, resume Clarice, que detalha essa e outras combinações no conteúdo logo a baixo.
A chapa sem textura cria uma superfície limpa, que valoriza o desenho da bancada sem competir com o restante da cozinha.
Pedra na bancada e na saia, madeira só na frente
Outra alternativa mantém a pedra tanto no tampo quanto na saia lateral, onde a frente da bancada fica reservada para a madeira lisa. Essa composição cria um contraste sutil entre os materiais, sem recorrer a texturas ou padronagens que chamem atenção em excesso.

A pedra na estrutura garante durabilidade e um acabamento mais nobre e a madeira na frente suaviza o conjunto e aproxima a cozinha de um estilo mais aconchegante.
Bancada inteira em pedra
Para quem busca um resultado mais sofisticado, revestir toda a bancada com pedra (tampo, saia e frente) é uma escolha certeira.
Essa solução deixa o conjunto um pouco mais pesado visualmente, já que elimina a presença da madeira. Em compensação, ganha em elegância e praticidade. Cuidado com o excesso de junções entre materiais diferentes: quanto menos emendas, menor o acúmulo de sujeira na bancada, algo relevante em uma área de uso intenso como a cozinha.
- Veja também: Rodapés: Como definir o modelo para cada ambiente?
MDF branco embaixo, pedra em cima
A última combinação une pedra na bancada superior com MDF branco na parte inferior, incluindo a frente. O branco neutro cria um efeito clean, clássico e atemporal, sem depender de cor, textura ou padronagem para transmitir sofisticação.

Aliás, essa é uma escolha segura para quem pretende renovar a cozinha no futuro sem grandes intervenções, já que tons neutros dificilmente saem de moda. O contraste entre a pedra e o branco também reforça a sensação de leveza no ambiente, especialmente em cozinhas menores ou com pouca luz natural.
Quando o ripado ainda faz sentido na cozinha
Em nenhuma das quatro combinações indicadas por Clarice o ripado aparece como solução para a frente da bancada, e isso não é acaso. “Nenhuma das soluções que eu indico para bancada geralmente envolve ripado, nunca é a minha opção”, diz a arquiteta, que compartilha essas comparações lado a lado em vídeo, mostrando o resultado de cada material aplicado na prática.
O ripado continua funcionando bem em painéis, portas e divisórias que pedem ritmo e textura. Na frente de uma bancada, porém, ele raramente entrega a mesma naturalidade. Verificamos que ambientes com muitos elementos texturizados, como parede de tijolinho aparente ou marcenaria ripada em outros pontos, tendem a se beneficiar ainda mais de uma bancada com acabamento neutro e liso, que funciona como respiro visual dentro do projeto.
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