Projeto residencial em Limeira aposta em rochas naturais e volumes marcantes para criar casa de casal

Arquitetura pensada do volume à materialidade: veja como este projeto residencial equilibra presença estética e qualidade construtiva em cada detalhe

Projeto residencial em Limeira aposta em rochas naturais e volumes marcantes para criar casa de casal

Fotos: Favaro JR

Há projetos que se impõem pelo tamanho e outros, pelo que escolhem colocar em cada superfície. Esta residência de 385 m², desenvolvida pelo escritório SOUZA Projetos e Construções para um jovem casal em Limeira, no interior de São Paulo, pertence claramente à segunda categoria.

A volumetria da construção foi pensada para se destacar no entorno sem recorrer a excessos. A fachada avança tanto na horizontal quanto na vertical, criando uma composição que combina o ripado amadeirado de WPC com revestimentos em lastras, gerando um contraste que funciona bem justamente pela precisão na escolha dos materiais. O WPC, composto de madeira e plástico, oferece resistência às intempéries sem abrir mão da estética cálida da madeira natural, sendo uma escolha tecnicamente acertada para fachadas expostas ao clima brasileiro.

Integração como princípio, não como recurso

O pavimento térreo foi projetado para que a experiência de entrar na casa já revele o que vem a seguir. O living e a cozinha gourmet foram posicionados de forma que a piscina apareça no campo de visão logo nos primeiros passos dentro da residência. Isso não é coincidência, é intenção projetual.

Fotos: Favaro JR

As esquadrias minimalistas são o elemento técnico que viabiliza essa leitura. Ao eliminar as barreiras visuais entre o interior e o exterior, elas funcionam como molduras do paisagismo e da área de lazer, ampliando a percepção de profundidade do espaço sem nenhuma reforma adicional.

O grande erro em projetos de alto padrão é investir em materiais nobres e depois comprometer a experiência com caixilhos pesados ou mal posicionados. Aqui, esse cuidado é evidente.

Fotos: Favaro JR

No pavimento superior, as suítes seguem a mesma lógica. As aberturas foram orientadas deliberadamente para a área de lazer, garantindo que a contemplação faça parte da rotina dos moradores desde o momento em que acordam.

As rochas naturais como assinatura do projeto

O que realmente distingue os interiores desta residência é a curadoria de rochas naturais. Cada ambiente recebeu uma seleção específica, e a coerência entre as escolhas é o que cria unidade ao longo de toda a casa.

Fotos: Favaro JR

Na cozinha gourmet, o quartzito Silver Moon assume as superfícies com sua textura suave e tonalidade que transita entre o cinza e o branco. Na sala de jantar, a mesa esculpida em mármore dolomítico Branco Paraná funciona como peça central do ambiente, com o padrão de veios naturais que nenhuma superfície sintética consegue reproduzir com a mesma profundidade visual.

A escada recebe o mármore Monte Cristo, de fundo escuro e veios dourados, que cria um ponto de tensão estética bem-vindo em meio à paleta mais neutra dos demais ambientes.

Fotos: Favaro JR

Já no living, a mesa de centro em travertino romano traz a porosidade e o tom terroso característicos dessa rocha, ancorando o espaço com uma materialidade que remete ao atemporal.

Fotos: Favaro JR

Aliás, o grande acerto do projeto está justamente nessa variação controlada de pedras: cada material foi escolhido para o contexto de uso e para o peso visual que aquele ambiente precisava carregar, sem repetição mecânica nem dispersão estética.

A piscina que reproduz o mar

A área de lazer merece atenção à parte. A piscina revestida de mármore Santorini não é apenas uma escolha decorativa: o tom azul-cristalino que esse revestimento produz em contato com a água foi deliberadamente escolhido para reproduzir a sensação visual do mar. O resultado é uma lâmina d’água que dialoga com o céu aberto e amplia a leveza do conjunto.

Fotos: Favaro JR

O projeto integra SPA, raia de nado e deck molhado em uma única composição fluida, sem divisões visuais abruptas entre as funções. Essa integração exige planejamento hidráulico e de impermeabilização desde a fase de projeto, e é um dos pontos que mostra o nível de execução envolvido nesta obra.

O deck molhado, em especial, é um elemento que ainda divide opiniões entre profissionais, mas que, quando bem executado e com caimento correto, transforma a borda da piscina em um espaço de uso real, não apenas decorativo.

  • Cláudio P. Filla

    Fundador e Editor-Chefe do Enfeite Decora

    Publicitário, gestor de mídias sociais e especialista em conteúdo digital sobre decoração, arquitetura, paisagismo, jardinagem e tendências para o lar.

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