Nem todo apartamento bem localizado é, de fato, um bom apartamento. O imóvel de 100 m² no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, chegou para o seu novo morador com um problema clássico dos edifícios mais antigos: uma planta compartimentada, que fragmentava os espaços e comprometia diretamente a sensação de amplitude. Foi a arquiteta Natália Lemos (@natalialemosarquitetura) quem assumiu o desafio de transformar a lógica do apartamento do zero.
A decisão mais importante do projeto não foi estética. Foi estrutural. O apartamento foi levado ao osso, com a demolição das paredes da antiga microcozinha e a integração da varanda à área social, o que permitiu criar um living multifuncional capaz de abrigar hall de entrada, sala de estar, sala de jantar, espaço para TV e home office dentro de um único fluxo contínuo.

Esse tipo de intervenção radical só funciona quando há uma leitura clara do que o morador precisa, e o cliente francês, recém-chegado ao Rio, tinha um desejo bem definido: um lar minimalista, limpo e atemporal.
Sobre o especialista
Natália Lemos, é arquiteta, reconhecida pelo seu trabalho focado em design de interiores e projetos residenciais repletos de história e afeto.
A envoltória monocromática como estratégia de amplitude
O grande trunfo do projeto está na unidade visual construída pela arquiteta. Natália escolheu o cimento queimado bege como revestimento de paredes, piso e teto, criando uma envoltória monocromática que amplia o olhar e elimina qualquer ruído visual desnecessário.

Essa continuidade de superfície é uma decisão técnica antes de ser estética: quando piso e parede compartilham o mesmo tom e textura, o olho humano tem dificuldade em identificar onde um elemento termina e o outro começa, o que gera uma percepção de espaço maior do que a metragem real.
A marcenaria de carvalho lavado, também desenhada pela arquiteta, organiza os diferentes usos do living de forma inteligente. O destaque fica por conta do banco contínuo que percorre toda a sala assumindo funções distintas ao longo do percurso: atua como sapateira no hall de entrada e se transforma em canto alemão junto à mesa de jantar. Essa peça, aparentemente simples, é o que garante a coesão do projeto, conectando usos diferentes sem criar divisões visuais.

Três quartos e uma área social na mesma paleta
A sobriedade não se limita à área social. Os três quartos seguem a mesma lógica de tons claros e materiais naturais, mantendo a coerência com o restante do apartamento. Essa repetição de linguagem é uma escolha deliberada: quando o morador percorre os ambientes e encontra o mesmo vocabulário visual, a sensação de pertencimento e calma se mantém constante.

O grande erro em projetos de apartamentos reformados com metragem compacta é justamente quebrar essa unidade ao tentar criar identidades muito distintas em cada cômodo. Aqui, a decisão foi a oposta e funcionou.
Banheiros como contraponto cromático
A surpresa do projeto fica reservada para os banheiros e cada um recebeu uma identidade própria e vibrante: um em terracota, outro em vinho e o terceiro em verde.

Esses ambientes, por serem fechados e de uso mais pontual, suportam a cor com muito mais facilidade do que a área social. Dessa forma, o projeto entrega personalidade e ousadia sem comprometer a serenidade dos espaços onde o morador passa mais tempo.

Essa decisão revela uma maturidade projetual importante: não existe regra que obrigue todos os ambientes a se comportarem da mesma maneira. O que importa é que as escolhas façam sentido dentro de uma lógica maior, e no apartamento do Leblon essa lógica é clara, bem executada e coerente do hall ao último banheiro.
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