Ninguém fecha um projeto de cozinha planejada pensando só no metro quadrado do móvel. O erro mais comum é orçar a marcenaria e esquecer que ela representa, em média, só entre 40% e 60% do valor total da obra. O resto está espalhado entre bancada, elétrica, iluminação e mão de obra e é justamente aí que o orçamento inicial costuma explodir.
O valor de uma cozinha planejada completa costuma variar entre R$ 3.500 e R$ 12.000 por metro linear de móveis, dependendo do material, da ferragem e do nível de acabamento. Uma cozinha de 8 metros lineares, por exemplo, pode custar de R$ 28.000 a mais de R$ 90.000 só na marcenaria.
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Isso porque o preço não é definido apenas pelo tamanho do ambiente, mas pela quantidade de módulos, gavetas com corrediças telescópicas ou soft close, portas em MDF cru versus laminado, e a presença de itens como torre de embutidos ou ilha central. Uma ilha de cozinha, aliás, costuma adicionar entre R$ 8.000 e R$ 25.000 ao projeto, dependendo do tamanho da bancada e da estrutura de marcenaria embaixo dela.
MDF, madeira maciça e a bancada: onde o dinheiro realmente vai
O MDF com acabamento laminado continua sendo a opção mais usada em cozinhas planejadas no Brasil, com preço girando entre R$ 350 e R$ 600 por metro quadrado de móvel. Já o MDF com pintura laca sobe a faixa para algo entre R$ 700 e R$ 1.200 por metro quadrado e a diferença está no acabamento fosco ou brilhante e na resistência ao manuseio diário.

Madeira maciça é outra categoria de investimento. Poucos projetos residenciais usam madeira maciça em 100% da marcenaria hoje — o mais comum é combinar madeira em detalhes, como puxadores integrados ou painéis de destaque, justamente porque o metro quadrado sai entre R$ 1.500 e R$ 3.000.
A bancada é outro ponto que costuma pesar mais do que o cliente espera. Granito fica entre R$ 300 e R$ 600 por metro quadrado instalado. Quartzo, que domina os projetos mais recentes por resistência a manchas e menor porosidade, varia de R$ 900 a R$ 2.200 por metro quadrado. Porcelanato de grandes formatos, alternativa que vem crescendo em cozinhas planejadas, sai por algo entre R$ 500 e R$ 1.400 por metro quadrado, com a vantagem de peças maiores e menos rejunte.
Mão de obra: o item que sempre fica de fora do orçamento inicial
A instalação, contando a montagem dos módulos, ajustes elétricos, embutimento de eletrodomésticos e iluminação, costuma representar entre 12% e 20% do valor total do projeto. Em uma cozinha de médio porte, isso significa algo entre R$ 3.000 e R$ 12.000 só de mão de obra, sem contar a marcenaria em si.

O que muitos clientes não calculam é o custo de adequação elétrica e hidráulica antes da instalação. Se o ponto de força para o cooktop ou a tomada da coifa não estiver no lugar certo, é preciso abrir parede, passar fio novo e, dependendo do revestimento, refazer parte do acabamento. Esse retrabalho pode adicionar de R$ 1.000 a R$ 5.000 ao orçamento — e é o motivo pelo qual todo projeto de cozinha planejada deveria começar pelo projeto elétrico, não pelo catálogo de móveis.
Acabamentos que parecem pequenos mas pesam no total
Puxadores, dobradiças com amortecedor, iluminação em fita LED sob os armários e organizadores internos de gaveta entram na conta como “detalhes”, mas somados chegam a representar 10% do orçamento. Um jogo de puxadores em alumínio ou perfil embutido custa entre R$ 60 e R$ 350 por peça. Fita de LED com fonte e instalação sai por R$ 150 a R$ 600 por metro linear de bancada, dependendo da temperatura de cor e do controle dimmer.
Vale priorizar esses itens nos pontos de uso constante — puxadores da geladeira, gavetas de talheres, dobradiças da despensa. É ali que a ferragem barata mostra defeito primeiro, com folga, ruído ou quebra em menos de dois anos.
Como reduzir custo sem comprometer o resultado
A economia mais eficiente não está em cortar material, está em cortar módulo. Cozinhas com menos divisórias e gavetas maiores custam menos por metro linear do que projetos com muitos nichos pequenos, porque cada divisória extra de MDF entra na conta de corte e montagem.

Outra estratégia real: usar MDF laminado nos módulos internos e reservar o acabamento mais caro (laca, madeira ou vidro) apenas para as portas de maior visibilidade, como as da ilha ou da torre de embutidos. O efeito visual de uma cozinha sofisticada não depende de todo o ambiente estar no material premium; depende de onde esse material aparece.
Negociar com o marceneiro pela compra direta de ferragem, como as corrediças, dobradiças e puxadores, também costuma sair mais barato do que deixar tudo por conta do fornecedor de móveis, que aplica margem sobre cada item.
Faixa de investimento por perfil de projeto
Juntando marcenaria, bancada, mão de obra e acabamentos, uma cozinha planejada compacta, com MDF laminado e bancada de granito, fica entre R$ 18.000 e R$ 35.000. Um projeto de porte médio, com ilha, cooktop embutido e bancada de quartzo, sobe para a faixa de R$ 45.000 a R$ 75.000. Já cozinhas grandes, com marcenaria em laca, iluminação técnica e eletrodomésticos de embutir de linha alta, costumam superar os R$ 90.000.
Esses números variam conforme a região do país, o marceneiro contratado e a disponibilidade de material, mas servem como referência para chegar à mesa de negociação sabendo exatamente qual parte do orçamento tem espaço para ajuste e qual parte não vale a pena economizar.
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