Que criança nunca sonhou com uma casa da Barbie? Agora imagine poder entrar nela, abrir portas, sentar no sofá e inventar histórias dentro de cada cômodo…foi assim para a pequena moradora Ana Sofia, de três anos. Durante a reforma da residência da família, surgiu a oportunidade de criar um universo próprio para ela, mas não como um brinquedo a mais e sim uma casa inteira, planejada para acolher suas brincadeiras, estimular a imaginação e permitir que o faz-de-conta ganhasse forma e cenário.
Assim, nasceu o espaço assinado pelo arquiteto boliviano Eduardo Baldelomar, que aproveitou uma área livre no jardim da residência. Com cerca de 20 m² e pé-direito de 2,5 metros, o anexo foi projetado como uma miniatura funcional de uma casa real composta por ambientes definidos, materiais duráveis e mobiliário seguro, tudo adaptado à escala infantil, mas resistente o suficiente para também receber os pais.
“Quando percebemos que havia um espaço ideal no jardim, foi ali que surgiu a ideia de construir uma grande casinha de boneca. Para mim, o brincar é uma das formas mais importantes de aprendizado na infância e ter um espaço próprio estimula a ludicidade, a autonomia e a imaginação da criança”, conta o profissional.
O início da brincadeira
Antes mesmo de cruzar a porta, a experiência idealizada por Baldelomar começa do lado de fora com um pequeno jardim natural com aparência acolhedora. A casinha foi implantada sobre uma base de concreto e construída integralmente em madeira teca, para uma melhor resistência às intempéries climáticas.
No teto, a cobertura metálica protege a estrutura e garante durabilidade, enquanto a localização, ao lado da piscina, exigiu cuidados extras com segurança.
“Além da proteção da piscina com lona, o projeto conta com monitoramento por câmeras e climatização interna. Tudo concebido para o conforto e a tranquilidade dos pais, além da pequena ter acompanhamento constante de uma babá”, reforça o arquiteto.
Sala de estar e sala de jantar
Integradas, as sala de estar e jantar formam o coração social da casinha, reproduzindo em escala reduzida a dinâmica de uma residência tradicional. É nesse espaço que surgem os convites imaginários para o chá da tarde, os encontros com bonecas e as primeiras experiências de convivência simbólica.
Para os móveis, o arquiteto os desenhou de forma a acompanhar o crescimento da moradora até, aproximadamente, seus oito anos. Assim, ele enfatizou o uso de cantos arredondados e superfícies suaves para favorecer a circulação e atribuir segurança para a pequena.
“O mobiliário foi produzido em MDF e melamina, sempre com dimensões pensadas para a ergonomia infantil”, completa.
Mas outro detalhe importante é que, embora pensada para uma criança, sofá, cadeiras e camas foram projetados para resistir ao peso de pais e acompanhantes, incentivando momentos compartilhados.
“Tudo está na escala dela, mas pensamos também nos adultos que convivem com ela. A altura foi uma decisão importante para que todos pudessem participar desse universo”, explica.
Cozinha
A cozinha ganhou um toque de verdade: a pia possui água fria e quente, enquanto geladeira, fogão e máquina de lavar aparecem como versões de divertimento para a Ana Sofia explorar o faz-de-conta com mais realismo.
“A ideia era que ela pudesse vivenciar pequenas rotinas como organizar objetos ou simular atividades do dia a dia. Isso torna o espaço mais interessante”, reforça Eduardo.
Dormitório
O espaço que mais carrega uma emoção especial é o dormitório que conta com duas pequenas camas – um desejo terno da menina “A segunda cama é o meu detalhe favorito, pois seu sonho era ofertar uma acomodação para sua futura irmãzinha. E de fato ela já estava a caminho nos próximos meses”, revela o profissional.
“Criar um espaço lúdico como esse é proporcionar à criança um local onde ela pode imaginar, experimentar e construir memórias. A arquitetura, nesse caso, se revela como algo além de abrigo. Sem sombra de dúvidas ela carregará essas memórias por toda sua vida”, conclui.
