A ausência de paredes internas, com exceção do banheiro, é o que caracteriza um studio. Cozinha, sala e dormitório ocupam a mesma área, e cada função some e aparece conforme o uso do morador naquele instante do dia. Essa configuração compacta virou o produto mais lançado pelo mercado imobiliário paulista.
Diante desse cenário, o estudo da planta passa a carregar uma responsabilidade que vai além da estética: garantir que duas pessoas convivam no mesmo cômodo sem abrir mão de momentos individuais. A arquiteta Natália de Souza, do escritório ResiliArt Arquitetura, detalha a seguir os recursos que tornam essa divisão possível, começando pelos números que explicam por que o formato cresceu tanto.
O studio virou o produto mais vendido do mercado imobiliário
Segundo o Secovi-SP, entidade que representa o setor imobiliário e condominial, as unidades compactas, com plantas entre 30 e 45 m², corresponderam a 70% dos lançamentos realizados em julho de 2026.
O avanço acompanha a demanda tanto na capital paulista quanto no interior do estado e em outras regiões do país, consolidando um padrão de moradia pensado para uma ou duas pessoas. Nesse recorte estão os studios, que têm como principal distinção a ausência de paredes entre os ambientes.
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“A configuração que conhecemos em uma residência ocorre no mesmo ambiente, que assume as diferentes funções”, explica Natália de Souza.
O layout é o que delimita os setores do studio
A pergunta que surge diante desse formato é direta: existe privacidade possível dentro de uma planta aberta, que inclui até o dormitório? Para a arquiteta, sim, e o estudo do layout é a ferramenta que distribui as funções do imóvel com eficiência.
“Com certeza isso é possível. Inclusive, esse é um dos pontos que mais precisamos considerar, uma vez que tudo acontece no mesmo lugar”, afirma.
O recurso central nesse processo são dispositivos capazes de criar uma divisão visual sem fechar o espaço por completo. Painéis vazados, mobiliário baixo e desníveis sutis demarcam cada função sem interromper a circulação do ar e da luz pelo ambiente. “Preservar a sensação de amplitude é imprescindível em imóveis compactos”, determina a especialista.
Organizar a rotina do casal dentro do mesmo cômodo
O studio tende a ser a moradia de, no máximo, duas pessoas, e isso exige que a configuração do espaço seja pensada com atenção à convivência diária. Pequenos espaços distintos dentro da mesma planta ajudam a equilibrar essa relação, segundo a arquiteta.

“É claro que estamos diante de restrições reais nas dimensões, entretanto, entender a rotina dos dois nos possibilita prover resoluções para a individualidade de cada um”, declara Natália.
A profissional cita pontos como a atuação profissional de cada morador, sobretudo quando há home office, além do hábito de receber visitas e da forma como o casal organiza os itens pessoais. São esses detalhes, e não apenas a metragem, que orientam a distribuição dos móveis.
Proteger o dormitório do olhar de quem entra
O quarto carrega uma carga de intimidade que independe do tamanho do imóvel, e essa percepção também entra na equação do projeto.

“Principalmente quando recebemos pessoas em casa, deixar nossa cama visível expõe, de certo modo, nossa vulnerabilidade, e é compreensível a intenção de proteger esse espaço”, contextualiza Natália.
A primeira alternativa de projeto costuma ser o posicionamento da cama. “Se a planta permitir, podemos tirá-la do campo de visão de quem adentra o imóvel”, diz a arquiteta.

Quando o posicionamento não é suficiente, entra em cena um elemento que bloqueie o elo visual entre o quarto e a área social: uma divisória leve, um painel de marcenaria, uma porta de correr ou um painel de vidro.
Entre essas opções, dois recursos aparecem com frequência nos projetos da arquiteta. A cortina controla a luminosidade do ambiente e, ao mesmo tempo, reforça o isolamento visual do dormitório, sem demandar nenhuma intervenção de obra.
Já a divisória fixa não exige uma execução complexa e, mesmo promovendo uma delimitação permanente entre os setores, seu desenho pode compor a decoração do studio como qualquer outro elemento do projeto.
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