Em Newark, Ohio, existe um edifício de sete andares com o formato exato de uma cesta de piquenique. Não é uma escultura, não é uma instalação temporária: é um prédio corporativo funcional, com 17 mil metros quadrados, elevadores panorâmicos e estacionamento subterrâneo aquecido. E agora está à venda por US$ 8,5 milhões, cerca de R$ 44 milhões.
A construção é a antiga sede da Longaberger Company, fabricante americana de cestas artesanais. O edifício reproduz, em escala monumental, a Medium Market Basket, o produto mais vendido da marca — e o resultado é um dos exemplos mais extremos de arquitetura mimética já erguidos nos Estados Unidos.
Uma cesta de 17 mil metros quadrados
A ideia partiu do próprio fundador da empresa, que queria que a sede da companhia fosse, literalmente, o produto que ela vendia. O projeto ficou a cargo do escritório NBBJ, em parceria com a Korda Nemeth Engineering, e foi concluído em 1997.
O resultado não é uma simplificação estética. É uma réplica fiel, com fachada de vidro e revestimento moldado que reproduz a trama de vime da cesta original, curva por curva. O efeito cenográfico funciona porque a estrutura leva a metáfora até o limite técnico: duas alças gigantes, com 150 toneladas cada, atravessam o topo do edifício e contam com sistema de aquecimento embutido para impedir o acúmulo de gelo durante o inverno de Ohio.
A obra, à época, custou cerca de US$ 32 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 165,6 milhões em valores atuais. Um investimento alto para uma decisão arquitetônica que prioriza identidade de marca acima de qualquer convenção corporativa.
O que existe por trás da fachada literal
Apesar da forma inusitada, o interior segue uma lógica bem mais sóbria. Um átrio central amplo é cercado por elevadores panorâmicos de vidro e por uma escadaria construída em madeira de cerejeira. A iluminação natural entra em abundância, e os acabamentos internos recuperam, de forma mais discreta, o conceito artesanal que a fachada expõe em escala monumental.
Detalhes como luminárias e maçanetas inspiradas no desenho das cestas da marca reforçam essa continuidade entre conceito e execução. O prédio também reúne restaurante próprio, piscina coberta e academia, estrutura típica de uma sede corporativa pensada para abrigar mais de 500 funcionários simultaneamente.
O terreno onde o edifício está implantado tem aproximadamente 87 mil metros quadrados e inclui 25 vagas subterrâneas aquecidas, reservadas a executivos, além de outras 555 vagas de estacionamento na superfície.
De sede corporativa a hotel abandonado
A Longaberger Company deixou o imóvel em 2016 e encerrou as operações da empresa dois anos depois, deixando o edifício vazio. Em 2019, a construtora Coon Restoration & Sealants comprou o imóvel com planos de transformá-lo em hotel, mantendo a silhueta original intacta.
A inauguração estava prevista para 2020. A pandemia de Covid-19 e os altos custos de adaptação da estrutura interromperam o projeto antes que ele saísse do papel, e o edifício permaneceu sem uso definido desde então.
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Um ícone à procura de continuidade
Hoje, o edifício-cesta segue como um dos marcos mais fotografados de Newark e um símbolo da arquitetura corporativa americana dos anos 1990, período em que empresas investiam pesado em sedes que funcionassem como extensão literal de sua identidade de marca.
Com a venda anunciada, a expectativa do mercado imobiliário local é que o próximo comprador preserve a forma original da construção. A cesta gigante de Ohio, afinal, já não é apenas um edifício: tornou-se parte da paisagem e da memória visual da cidade.
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