O terreno onde essa residência em Brasília está construída não tinha nenhuma intervenção paisagística antes do início do projeto. Não havia caminho, canteiro ou sistema de água: só o contorno da casa e, ao fundo, a borda do lago Paranoá.
Foi dessa página em branco que o escritório Depieri Paisagismo, comandado pelos irmãos Cleber e Arthur Depieri, desenhou um jardim que usa a água em movimento como fio condutor entre os ambientes e a proximidade com o lago como moldura natural da arquitetura.
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Cascatas desenhadas para parecer espontâneas
O conjunto de cascatas ocupa o papel central da área externa. As quedas d’água percorrem o jardim entre formações rochosas e maciços de vegetação, e o som da água corrente dá à área um ritmo mais lento, quase contemplativo, diferente do silêncio seco de um quintal sem elementos hídricos.

“Este é um projeto muito especial para nós. Inicialmente, o entorno da residência não contava com intervenções paisagísticas. Tudo foi concebido pela nossa equipe, inclusive o conjunto de cascatas. Aproveitamos a beleza do entorno, que inclui o lago Paranoá na divisa do terreno, e desenvolvemos um paisagismo pensado para emoldurar a casa, criando um contraste entre arquitetura e verde. Com o passar do tempo, à medida que as plantas foram se desenvolvendo, o jardim ganhou uma aparência cada vez mais natural”, conta Cleber Depieri.
A disputa entre o que é construído e o que é plantado aparece também na fala de Arthur, sócio do escritório. Para ele, o desafio técnico estava em evitar que os elementos de água parecessem um acréscimo decorativo isolado do resto do terreno.

“Cascatas, espelhos d’água e pequenos lagos são pensados como elementos de composição, em diálogo com os volumes da vegetação, os caminhos e os materiais utilizados. Buscamos sempre integrá-los de maneira natural ao ambiente, como se tivessem surgido espontaneamente naquele espaço, reforçando a identidade do projeto”, explica Arthur Depieri.
Espaços de convívio voltados para o paisagismo
A área de convívio foi posicionada para que o paisagismo fosse visto de dentro de casa, não apenas percorrido por quem está no jardim. Paredes e portas de vidro em grandes dimensões abrem a sala de estar e o espaço de refeições para a piscina e para as cascatas, que ficam logo em frente.

Os fechamentos envidraçados cumprem uma função além da estética: eliminam a barreira visual entre interior e exterior e fazem com que o verde apareça em qualquer ângulo da sala, inclusive durante uma refeição à mesa.
É esse tipo de decisão de projeto, e não apenas a escolha das plantas, que sustenta a sensação de integração com a natureza descrita pelos próprios paisagistas.
Vegetação tropical em diferentes alturas e texturas
A diversidade de espécies é o que dá volume ao conjunto. Palmeiras de portes variados, árvores de copa ampla, filodendros, folhagens tropicais e forrações se distribuem pelo terreno, alternando cores e texturas ao longo do percurso.

Esse contraste de formas tem uma função compositiva clara: as linhas retas da arquitetura, da piscina e das estruturas de madeira ficam mais suaves perto das curvas da vegetação e dos canteiros sinuosos.
Um jardim só de linhas retas tende a parecer rígido; aqui, a vegetação quebra essa rigidez sem disfarçar o desenho original da casa. Caminhos sobre o gramado, pergolados e bancos integrados aos canteiros criam pontos de parada ao longo do percurso externo, de onde o jardim pode ser observado por ângulos diferentes a cada trecho.
A proximidade com o lago Paranoá reforça essa sequência: o olhar que sai do canteiro mais próximo da casa termina na lâmina d’água ao fundo, sem um corte visual entre o paisagismo projetado e a paisagem que já existia ali antes da obra.
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