Imagine chegar em casa após um dia cansativo e encontrar um espaço que transmite paz, onde tudo está no lugar certo e o ar parece mais leve. Agora, pense no oposto: sapatos espalhados na entrada, roupas jogadas sobre cadeiras e pilhas de objetos que parecem crescer sozinhas. Muitos de nós vivemos essa realidade sem perceber que são os pequenos costumes diários que alimentam o caos. Em um país como o nosso, onde a rotina agitada e o calor incentivam a deixar coisas “para depois”, a casa bagunçada se torna algo comum, mas não precisa ser assim.
Com mudanças simples e conscientes, é possível transformar o lar em um refúgio organizado, funcional e acolhedor, que até melhora o humor e a produtividade. A seguir, exploramos os hábitos mais frequentes que geram desordem e, principalmente, como evitá-los de forma prática, tornando a organização da casa parte natural do cotidiano.
Aquela “baguncinha” logo na entrada
Não é raro que a entrada da casa vire o primeiro ponto de desordem. Ao chegar do trabalho ou da rua, muita gente tem o costume de largar chaves, bolsas e casacos em qualquer superfície próxima, como mesas ou sofás. Esse gesto rápido, aparentemente inofensivo, cria um efeito bola de neve: o hall fica carregado visualmente e incentiva outros itens a se acumularem ali.

A arquiteta Catarina Biselli, do escritório Duno Arquitetura, observa que um cabideiro ou sapateira bem posicionados na entrada resolvem isso com elegância. “Colocar um móvel funcional logo na porta incentiva o hábito de guardar tudo no lugar certo, deixando a casa com uma sensação imediata de ordem e boas-vindas”, sugere. Dessa forma, o espaço ganha praticidade e evita que a bagunça se espalhe para a sala.
A louça que fica para depois
Na cozinha, outro vilão comum é deixar a louça acumular na pia após as refeições. Com a correria do dia a dia, é tentador adiar a lavagem para mais tarde, mas isso não só atrai insetos como transforma o ambiente em um ponto focal de desordem. Lavar os pratos conforme usa ou dedicar apenas cinco minutos após o jantar muda tudo. Além disso, manter apenas os utensílios de uso diário na bancada evita o excesso visual.

A especialista em organização Marie Kondo reforça que itens devem ocupar lugares lógicos e acessíveis. “Organize panelas perto do fogão e eletrodomésticos menos usados em armários altos, criando fluxo natural que facilita a manutenção diária”, explica. Assim, a cozinha permanece convidativa para cozinhar, sem o peso da bagunça acumulada.
Roupas para todo o lado
O quarto, local de descanso, sofre muito com o hábito de jogar roupas no chão ou sobre cadeiras. Peças usadas “só um pouquinho” acabam se misturando às limpas, gerando confusão na hora de vestir e uma sensação constante de desarrumação. Um erro frequente é não arrumar a cama logo ao acordar, o que deixa o cômodo com ar de abandono o dia todo. Começar o dia esticando os lençóis já transmite ordem e motiva outras ações. Para as roupas, criar o costume de pendurá-las ou colocá-las no cesto de sujas imediatamente é transformador.

A arquiteta Catarina Biselli recomenda ainda o uso de divisórias em gavetas para peças íntimas. “Isso não só otimiza o espaço, mas torna a escolha das roupas mais rápida e prazerosa, evitando pilhas desnecessárias”, complementa. Logo, o quarto vira um santuário de tranquilidade, favorecendo noites melhores.
Frascos e itens de higiene
No banheiro, produtos de higiene espalhados pela pia ou toalhas úmidas no chão são costumes que favorecem mofo e uma aparência descuidada. Muitos deixam shampoos, cremes e escovas à vista, acumulando poeira e umidade. Uma solução eficaz é investir em nichos ou prateleiras dentro do box e pendurar toalhas em ganchos com ventilação. Limpar a pia rapidamente após o uso, com um pano seco, previne manchas e mantém o brilho. Marie Kondo enfatiza a importância de questionar o que realmente traz alegria.
“Desapegue de produtos vencidos ou duplicados, guardando apenas o essencial em organizadores transparentes para fácil visualização”, orienta. Entretanto, com esses ajustes, o banheiro ganha frescor e funcionalidade, tornando a rotina matinal mais fluida.
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Almofadas e controles fora do lugar
A sala de estar costuma acumular controles remotos, revistas e almofadas fora do lugar, especialmente em famílias com crianças. O hábito de deixar tudo à mão para “facilitar” acaba criando um visual poluído. Dedique momentos curtos, como 20 minutos à noite, para recolocar itens em cestos ou prateleiras dedicadas.

Incentivar todos da casa a participar transforma isso em rotina coletiva. Para cabos de eletrônicos, que sempre embolam, use organizadores específicos ou móveis com passagens ocultas. A arquiteta sugere ainda reduzir objetos decorativos. “Menos itens na mesa de centro ou estantes cria leveza e facilita a limpeza diária”, afirma Catarina Biselli. Dessa maneira, a sala volta a ser um espaço de convívio acolhedor, sem o estresse da desordem.
Aquele “monte” de papel parado nos armários
Outro costume prejudicial é o acúmulo geral de itens sem uso, como roupas antigas ou papéis que “um dia podem servir”. Armários lotados dificultam encontrar o necessário e geram frustração constante. Periodicamente, revise categorias inteiras – roupas, documentos, decorações – e doe o que não traz mais utilidade. Isso libera espaço e mente.
Marie Kondo destaca que manter apenas o que alegra facilita tudo. “Ao tocar cada objeto e perguntar se ele traz felicidade, você cria um lar mais intencional e fácil de manter”, ensina. Aliás, combinar isso com caixas etiquetadas em armários torna a organização duradoura.
Por fim, o segredo para evitar que a casa bagunçada volte é transformar essas mudanças em hábitos, começando pequeno e envolvendo a família. Uma rotina matinal com cama arrumada e lixo recolhido, aliada a revisões semanais, mantém o equilíbrio. Com o tempo, o lar não só fica visualmente mais bonito, mas promove bem-estar real, reduzindo estresse e aumentando a sensação de controle. Experimente aplicar uma dica por semana e veja como o espaço se transforma em um lugar que realmente reflete harmonia e cuidado. Seu canto merece essa atenção – e você também.





