As esquadrias de portas e janelas não são escolhidas apenas pela estética: elas desempenham um grande impacto no conforto térmico, na iluminação natural, na acústica e até na durabilidade da edificação ao longo dos anos. Essas questões se tornam ainda mais evidentes dentro da arquitetura contemporânea que enfatiza grandes aberturas de vidros para aproximar as áreas externas ao interior das edificações.
Antes ajustadas em janelas menores e mais compartimentadas, o elemento passou por uma transformação importante nas últimas décadas e atualmente é visto sob a alcunha de amplos panos de vidro encontrados nas sacadas de apartamentos e residências.
“Os modelos de vidro acompanham uma mudança importante no modo de vida dentro de casa”, explica o arquitetoAlexandre Pasquotto, sócio da também arquiteta Mariana Meneghisso no escritório Meneghisso & Pasquotto Arquitetura. “Esse caminho também favorece a entrada de luz natural e ventilação cruzada que tanto são benéficas para o meio ambiente e o bem-estar dos moradores”, complementa.
Sobre os especialistas
Mariana Meneghisso. Arquiteta Urbanista pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, Design de Interiores pela Escola Panamericana de Artes. Pós Graduada em Responsabilidade Civil pela Fecaf, Pós Graduada em Neuroarquitetura pela Ipog, Especialista em Perceptual Design pelo Instituto Politécnico de Milão. Membro da Academy of Neuroscience for Architecture Brasil. Sócia da Meneghisso & Pasquotto Arquitetura desde 2005.
Alexandre Pasquotto. Arquiteto Urbanista pela Universidade Bandeirantes de São Paulo, Técnico em Edificações pela E.T.E. Júlio de Mesquita, Pós Graduado em Cálculo Estrutural pela Ipog, atua na construção civil residencial, industrial e corporativa desde 1992, consultor em dimensionamento, viabilidade e custos no ramo civil. Sócio desde 2004 da Meneghisso & Pasquotto Arquitetura.
O domínio das esquadrias de vidro
Para Mariana Meneghisso, o impacto das esquadrias também influencia diretamente a atmosfera da casa. “O vidro deixa os ambientes mais leves, sofisticados e muito mais conectados com a paisagem do entorno. Mesmo em apartamentos menores, uma pequena abertura faz o espaço respirar melhor e propicia a sensação de liberdade dentro do imóvel”, comenta.
Mas e o calor?
Querer aproveitar uma varanda envidraçada às três da tarde é uma das maiores preocupações de quem deseja investir em grandes aberturas de vidro. O receio de passar muito calor, de acordo com os profissionais, depende diretamente do estudo do projeto: quando não existe um estudo adequado de ventilação e proteção externa, o ambiente corre riscos de superaquecer no decorrer do dia. “O problema não está na utilização do vidro em si, mas na forma como ele é especificado”, constata Alexandre.
Além do mais, atualmente existem tecnologias capazes de reduzir significativamente a entrada de calor como vidros com controle solar, películas especiais e sistemas insulados. Para Mariana, o segredo está justamente no equilíbrio entre luminosidade e conforto.
“As pessoas querem casas mais claras e integradas, mas também desejam ambientes agradáveis para viver. O bom projeto consegue filtrar o excesso de calor sem perder a sensação de amplitude e conexão com o exterior”, afirma.
Madeira, alumínio, serralheria ou PVC?
A escolha da estrutura das esquadrias costuma dividir opiniões, porque cada material possui características específicas tanto no desempenho, quanto na estética.
Segundo os arquitetos, atualmente o alumínio é a saída mais empregada nos projetos por combinar resistência, baixa manutenção e versatilidade estética. O material é indicado para áreas expostas à umidade ou mudanças climáticas, além de funcionar muito bem em grandes vãos.
“O material apresenta um excelente desempenho, especialmente quando recebe pintura eletrostática ou anodização, e demanda baixa manutenção no dia a dia”, completa Alexandre.
Associada ao estilo industrial e contemporâneo, a serralheria permite perfis mais finos e delicados visualmente, resultando em um desenho mais elegante e minimalista para portas e janelas. Em compensação, o arquiteto pontua a necessidade de manutenção frequente para evitar oxidação ao longo do tempo.
Sempre associada ao aconchego e à sofisticação natural, a madeira é referência nos projetos que se conectam com uma linguagem mais afetiva. Entretanto, apesar do forte apelo visual, ela demanda um tratamento específico e manutenção preventiva para lidar com as intempéries da natureza.
Já os caixilhos de PVC também vêm conquistando espaço em projetos que buscam alto desempenho térmico e acústico, principalmente em residências localizadas em regiões de clima mais extremo ou em áreas urbanas com maior incidência de ruídos. Além da durabilidade e da baixa manutenção, o PVC oferece boa estabilidade e pode receber acabamentos que simulam madeira, ampliando as possibilidades estéticas. “Quando bem especificado, é um material bastante eficiente e que entrega excelente desempenho ao longo dos anos“, explica Alexandre Pasquotto.
Estilo de cores
Durante muito tempo, o preto dominou os projetos contemporâneos. No entanto, as esquadrias ganharam abertura para aderir novas cores e acabamentos. Para Mariana, os tons grafite, bronze, champagne e amadeirados estão cada vez mais presentes, principalmente quando existe a intenção de um visual mais sofisticado.
Todavia, a cor não é apenas um detalhe, uma vez que também interfere no comportamento térmico do material. “Tons mais escuros absorvem mais calor, o que pode influenciar na dilatação dos perfis e no conforto térmico dos ambientes, a depender da incidência solar”, pontua.
A arquiteta acredita que a definição precisa levar em conta fatores como orientação solar, exposição ao calor e linguagem arquitetônica da casa. “As esquadrias funcionam quase como molduras da paisagem”, define.
Vidro ideal
Uma das dúvidas mais comuns envolve a espessura correta do material, que deve levar em consideração o tamanho da peça, altura da instalação, incidência de vento, localização do imóvel e até o nível de ruído externo.
“Em panos de vidro de grandes dimensões, a espessura e a composição do vidro deverão ser dimensionadas conforme as normas técnicas aplicáveis, considerando as dimensões da peça, cargas de vento, sistema de fixação e condições de uso. Nas áreas sujeitas a impacto humano ou de circulação, deverão ser empregados vidros de segurança, preferencialmente laminados ou temperados, de forma a garantir desempenho estrutural e segurança aos usuários”, esclarece Alexandre.
Além da segurança, o conforto termoacústico também pesa na especificação. Em regiões urbanas movimentadas ou fachadas muito expostas ao sol, é frequente a especificação de vidros duplos ou a adoção de soluções específicas para o controle solar.
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Erros mais frequentes
Apesar da estética sofisticada, muitos problemas relacionados às esquadrias surgem justamente pela falta de atenção aos detalhes técnicos. Os profissionais enumeram fatores como perfis subdimensionados, vedação inadequada, falhas nas roldanas e trilhos sem drenagem correta como os problemas mais comuns nas obras.
“Muitos ainda tratam a esquadria como um item secundário da obra quando, na verdade, ela é um sistema técnico bastante complexo”, alerta o arquiteto. Segundo ele, trilhos sem sistema de drenagem adequado provocam infiltrações e acúmulo de água, enquanto roldanas incompatíveis com o peso das folhas comprometem o funcionamento e aceleram o desgaste estrutural.
Mas, atenção!
Alexandre e Mariana ainda ressaltam o impacto direto que as esquadrias exercem no desempenho global do projeto. Mas o que isso significa? “No fim, a escolha adequada das esquadrias é o que equilibra estética, desempenho e manutenção”, resume Alexandre.
Já Mariana reforça que, além da funcionalidade, elas também ajudam a construir a personalidade da casa. “Elas moldam a forma como a luz entra, como a paisagem aparece e como os ambientes se conectam. E isso muda completamente a sensação de viver naquele espaço”, finaliza.
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