Mais do que possuir um endereço legal ou ambientes aesthetics, o lar precisa ser refúgio, principalmente, naqueles dias intensos já que são nessas horas que vemos como a casa precisa ser um espaço de recuperação física e emocional. Mas afinal, o que faz um ambiente transmitir essa sensação de acolhimento? O que existe nos projetos residenciais que faz algumas casas parecerem tão agradáveis de viver?
Para as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos, à frente da Dantas & Passos Arquitetura, a resposta sobre o bem-estar residencial está na relação entre corpo, emoção e ambiente.
“Bem-estar não é apenas um conceito abstrato e nem apenas estético, ele acontece quando o ambiente facilita a vida cotidiana, reduz tensões, promove o acolhimento e cria uma sensação única de pertencimento. Os projetos residenciais mais relevantes hoje são aqueles que conseguem equilibrar conforto físico, identidade, personalidade e funcionalidade de maneira harmoniosa e exclusiva”, explicam.
Sobre o especialista
A Dantas & Passos Arquitetura desenvolve projetos de arquitetura e design de interiores para os segmentos residencial e comercial. Atuando no mercado desde 1996, as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos valorizam os projetos que os clientes possam realmente aproveitá-los.
Casa ‘gostosa de morar’
Parece repetitivo falar que o lar precisa ser refúgio, mas segundo a dupla de profissionais, essa sensação tão subjetiva de acolhimento nasce de uma soma coerente de estímulos e sensações, como a junção do conforto térmico, iluminação equilibrada, sensação de amplitude, respiros visuais, materiais agradáveis ao toque, boa acústica, organização e proporções bem resolvidas entre móveis e espaços.

Mas existe um elemento ainda mais importante: identidade. “Muitas vezes, ambientes considerados perfeitos do ponto de vista estético podem parecer impessoais quando não carregam referências dos moradores. Quando os espaços incorporam memórias, objetos afetivos e elementos que contam histórias, eles criam uma conexão emocional muito mais forte”, comenta Paula Passos.
Outro aspecto importante é a fluidez da rotina. Casas bem planejadas eliminam obstáculos invisíveis do dia a dia e tudo parece funcionar de forma natural, da organização dos armários à circulação entre os ambientes, a experiência do morar se torna mais leve.
“O projeto começa compreendendo quem vive ali, quais são seus hábitos, suas necessidades e seus momentos de convivência. Os ambientes precisam apoiar a rotina das pessoas e não o contrário”, acrescenta a arquiteta.
O bem-estar mora nos detalhes sensoriais
Embora a funcionalidade seja fundamental, ela não atua sozinha. A forma como percebemos um ambiente também está ligada aos estímulos sensoriais presentes no espaço. É por isso que materiais, revestimentos, tecidos, texturas e acabamentos são essenciais na construção da atmosfera de uma residência.

“Um ambiente pode ser visualmente lindo e ainda assim parecer desconfortável para determinado usuário. Da mesma forma, espaços extremamente funcionais, mas sem personalidade, podem se tornar impessoais. O bem-estar nasce dessas camadas trabalhando juntas”, explica Danielle Dantas.
Atualmente, tons terrosos, verdes suaves, argilas, areias, beges quentes e off-whites aparecem com frequência em projetos voltados ao conforto por criarem composições visualmente mais tranquilas e conectadas à natureza. No entanto, para as arquitetas, não existe uma fórmula única.
“Mais importante do que seguir uma cartela específica é entender quais sensações os moradores desejam experimentar dentro de casa”, observam.
Além disso, os materiais naturais também desempenham papel relevante nesse contexto, principalmente madeira, linho, algodão, fibras naturais, palha e pedras para criar ambientes mais acolhedores e menos artificiais. Mas além da estética, cortinas, tapetes, mantas e tecidos contribuem para o conforto acústico e proporcionam experiências táteis que tornam os ambientes mais agradáveis no dia a dia.
“As texturas deixam os ambientes menos cenográficos. Espaços excessivamente lisos e brilhantes costumam transmitir uma sensação mais fria e distante”, explica Danielle.
Uma boa iluminação
Durante muito tempo, a iluminação branca foi associada à ideia de modernidade, mas hoje, a busca por ambientes mais acolhedores tem provocado uma mudança importante na forma como a luz é utilizada dentro dos projetos residenciais. Para tanto, Danielle e Paula indicam temperaturas de cor mais quentes, entre 2700K e 3000K, que favorecem sensações de relaxamento e conforto, especialmente em ambientes destinados ao descanso e à convivência.

Já para quem deseja abandonar gradualmente a iluminação excessivamente branca, uma alternativa é começar pelas temperaturas neutras e, aos poucos, introduzir fontes de luz mais quentes em pontos estratégicos da casa.
Mas não é apenas a cor da luz que faz a diferença. “Combinar luz indireta, luminárias de apoio, arandelas, pendentes e iluminação decorativa cria profundidade, flexibilidade e diferentes experiências dentro do mesmo ambiente”, enfatiza Paula.
A possibilidade de dimerização também ganhou força nos últimos anos por permitir ajustar a intensidade luminosa conforme o momento do dia e a necessidade dos moradores. Além disso, a presença de luz natural continua sendo indispensável para promover conforto e influenciar positivamente o humor, produtividade e qualidade de vida.
O erro mais comum? Projetar para fotos e não para pessoas
Nas redes sociais, é comum encontrar ambientes visualmente impecáveis. O problema surge quando a preocupação com a imagem supera a experiência real de quem utiliza os espaços diariamente. Para as arquitetas, esse é um dos equívocos mais frequentes nos projetos residenciais.

“Excesso de informações visuais, iluminação fria, falta de tratamento acústico, móveis desproporcionais, excesso de superfícies duras e ambientes que seguem tendências sem considerar a rotina dos moradores acabam criando casas bonitas, mas pouco humanas”, pontua a dupla.
Ou seja…a resposta
Se antes a casa era vista principalmente como um local de permanência, hoje ela passou a desempenhar um papel muito mais complexo, pois é onde muitas pessoas trabalham, descansam, recebem amigos, convivem com a família e encontram momentos de pausa em meio à correria cotidiana. Por isso, o bem-estar não está necessariamente relacionado a acabamentos sofisticados, móveis caros ou grandes metragens, a verdadeira sensação surge quando existe coerência entre os espaços e a forma como seus moradores vivem.

“Os ambientes que mais acolhem são aqueles que fazem o usuário respirar, relaxar e sentir que pertence àquele lugar. Uma casa que promove bem-estar é uma casa que faz sentido para quem vive nela”, finalizam Danielle Dantas e Paula Passos.
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