O vidro verde escurece o ambiente e envelhece o projeto em poucos anos, mesmo quando a escolha parece acertada na planta. É um daqueles materiais que convencem na amostra de loja e decepcionam dentro de casa, principalmente quando a intenção era ganhar luminosidade.
A arquiteta Cristina Voltolini reúne, entre os projetos que assina, uma lista de materiais que evita recomendar, mas não por serem proibidos, mas porque a manutenção no dia a dia compensa pouco diante do resultado estético. A seguir, ela detalha cada escolha e aponta o que costuma funcionar melhor no lugar.
Vidro verde x vidro incolor
“Vidro verde: escurece a casa, não combina com tudo e envelhece o visual”, afirma Cristina. O tom esverdeado, comum em esquadrias e guarda-corpos de alguns anos atrás, filtra a luz natural e empobrece a paleta de cores do ambiente, já que conflita com tons neutros e quentes — hoje maioria nos projetos residenciais.

A arquiteta recomenda o uso do vidro incolor, que preserva a cor real dos móveis e revestimentos e garante mais flexibilidade para trocas futuras na decoração.
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Piso polido: onde funciona e onde cansa
O piso polido reflete luz e cria um efeito espelhado que, em consultórios e espaços comerciais, reforça a sensação de amplitude. Em casa, porém, o resultado cansa a vista com o tempo, risca com facilidade e fica escorregadio — um problema real em áreas de circulação ou perto de crianças e idosos.

“Eu recomendo usar só em paredes, como no banheiro, por exemplo”, explica Cristina. A superfície polida na vertical entrega o mesmo brilho sem os riscos do piso, já que não recebe o atrito constante do caminhar.
Revestimentos pequenos no banheiro
Peças pequenas multiplicam rejuntes, e cada linha de rejunte é um ponto a mais onde sujeira e mofo se acumulam — motivo pelo qual Cristina evita esse formato especialmente no banheiro, ambiente de umidade constante.

Revestimentos maiores reduzem a quantidade de emendas, facilitam a limpeza do dia a dia e, segundo a arquiteta, costumam entregar um acabamento mais sofisticado dentro do projeto.
Porcelanato na fachada
Na fachada, o porcelanato lasca com mais facilidade do que outros materiais e, na maioria dos casos, resulta num visual poluído quando aplicado em grandes áreas externas.

Cristina prefere trabalhar com pedra natural ou pintura nessas situações, soluções que resistem melhor à exposição ao tempo e dispensam reposições frequentes de peças.
Não existe certo ou errado — existe manutenção
“E antes que briguem comigo, não existe certo ou errado, gente. Estou falando do que envelhece mal, tem manutenção chata e você pode investir em outra opção que não te dê tanto trabalho”, pontua a arquiteta.
A observação resume o critério por trás de cada escolha, já que o material até pode funcionar esteticamente no primeiro ano, mas o desgaste no uso diário é o que revela se a decisão foi acertada. Antes de fechar o projeto de arquitetura, vale perguntar não só o que combina com a casa agora, mas o que ainda vai estar bonito depois de cinco anos de uso.
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