O luxo nos anos 80 tinha endereço certo dentro de casa, como o telefone em mais de um cômodo, banheira de imersão, sala de jantar separada, cristaleira cheia e madeira em praticamente todas as superfícies. Eram, aliás, cinco sinais de espaço, renda e tradição, e hoje todos eles aparecem em projetos de diferentes tamanhos, quase sempre reinterpretados.
Cada item, por mais que ainda exista, mudou de função com o passar das décadas. A seguir, vamos lembrar como funcionavam uma casa dos anos 80, por que perderam o ar de exclusividade e o que vale aproveitar no décor atual.
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Telefone em vários cômodos
Nos anos 80, ter uma linha telefônica em casa já exigia investimento e paciência com a fila de instalação. Colocar ramais em mais de um ambiente elevava o padrão da moradia, porque indicava que a família podia manter a estrutura e queria conforto em cada canto.

Os aparelhos telefônicos residenciais eram bem padronizados e geralmente tinha um discador de disco ou de teclas, em bege, marrom ou vermelho, com um fio espiralado, que ocupava a mesinha do hall, o criado-mudo e a bancada da cozinha. Existia até o móvel para telefone, com assento estofado ao lado do aparelho, pensado para conversas longas.
Hoje cada morador carrega a própria linha no bolso, e o que restou desse repertório está na marcenaria. O antigo cantinho do telefone virou aparador de entrada com tomadas e carregadores embutidos, onde chaves, correspondência e um vaso pequeno dividem espaço. Aparelho fixo de época só funciona como objeto decorativo quando existe memória afetiva por trás. Sem isso, parece cenografia.
Banheira
A banheira ocupava a suíte principal e geralmente ficava encaixada em uma bancada revestida de cerâmica. As louças vinham em tons como rosa, bege e azul-turquesa, combinadas com metais dourados e espelho de parede inteira. Tinha ainda a hidromassagem, que subia ainda mais o patamar, pois pedia área generosa, instalação hidráulica dimensionada e bom volume de água quente.

Atualmente a banheira aparece com mais frequência em catálogos e projetos, principalmente nos modelos freestanding de resina, pedra ou louça branca, apoiados sobre piso de porcelanato ou madeira tratada. A cor saiu de cena e ficou o desenho escultural.
Aliás, ela só se justifica quando é usada, pois em banheiros pequenos, ocupa a área de circulação que um box amplo aproveitaria melhor, e uma banheira sem uso vira prateleira de toalhas. Em imóveis de metragem média, vale reservar a banheira para a suíte e investir em um chuveiro generoso no banheiro social.
Sala de jantar exclusiva
Quem tinha sala de jantar separada exibia metragem de sobra. Geralmente era um ambiente que reunia uma mesa de oito lugares, podendo ser em madeira maciça ou tampo de vidro sobre base torneada, cadeiras de encosto alto estofadas em tecido acetinado, aparador, tapete e lustre de cristal ou metal dourado centralizado sobre a mesa. Curioso, que o espaço ficava fechado boa parte da semana e abria somente para almoços de domingo, aniversários e ceias.

A planta atual caminha para a integração entre cozinha, jantar e estar, o que libera a circulação e aproxima quem cozinha de quem recebe. A sala de jantar independente volta em projetos que valorizam o isolamento acústico e a possibilidade de fechar o ambiente, muitas vezes com porta de correr ou porta-camarão em madeira, que abre e fecha o espaço conforme a ocasião.
O desperdício mora no cômodo que fica vazio o ano inteiro. Quem usa a sala de jantar poucas vezes por mês pode aproveitar a mesa como bancada de home office durante a semana e manter o aparador como apoio para o dia a dia.
Cristaleira
A cristaleira completava a sala de jantar e contava quem morava ali. Em madeira escura com portas e prateleiras de vidro, guardava aparelho de jantar de porcelana, taças de cristal e peças recebidas como presente de casamento ou herdadas, algumas com mais de uma geração. Quando havia iluminação interna, vinha de pequenas lâmpadas no topo.

Hoje o móvel reaparece em versões de serralheria preta com vidro canelado, modelos piso-teto, módulos suspensos e composições integradas a adega ou cantinho do café. A fita de LED embutida, em tom quente próximo de 2700 K, valoriza o brilho do vidro e das louças sem criar reflexo nas portas.
Prateleira lotada tira a força da peça. O efeito de vitrine surge quando cada objeto tem espaço ao redor, então vale alternar taças, pratos em pé e algum item de valor sentimental, deixando intervalos vazios entre os grupos.
Madeira em toda parte
Painéis, lambris, forros, portas almofadadas, armários e mesas em imbuia, jacarandá, cerejeira ou mogno, com verniz brilhante, formavam o cenário de muitas casas. Quanto mais trabalhada a peça, com entalhes, molduras e frisos, mais sofisticada a casa parecia. O tom escuro e a superfície lustrosa transmitiam a solidez associada a patrimônio.

Agora o é mais seletivo, onde prevalecem tons claros e médios, como freijó, carvalho e cumaru, em ripados, painéis de TV, marcenaria e piso, geralmente com acabamento fosco ou acetinado que preserva a textura da fibra. Madeiras como mogno e jacarandá têm comércio regulado, então o caminho mais seguro é procurar madeira certificada, de reflorestamento ou de demolição.
Mas é importante ter cuidado com o excesso. Um painel escuro do piso ao teto em pé-direito baixo fecha o ambiente e exige luz artificial reforçada durante o dia. A madeira funciona melhor quando divide a cena com parede clara, tecido cru e uma iluminação que percorra a superfície.
Como trazer esse repertório para a casa de hoje?
Reproduzir a época dos anos 80 ao pé da letra dá um resultado datado. O caminho mais coerente é escolher um ou dois elementos e adaptá-los à rotina da casa: uma cristaleira de serralheria na sala de jantar integrada, um painel de freijó atrás do sofá, uma banheira freestanding na suíte. Somar os cinco ao mesmo tempo empurra o projeto para o cenográfico.
Antes de comprar, leve a fita métrica. A cristaleira precisa de pelo menos 90 cm livres à frente para que as portas abram e a circulação flua. Na sala de jantar, conte cerca de 60 cm de mesa por pessoa e reserve 90 cm entre o encosto da cadeira e a parede para que ninguém tenha de se espremer ao sentar.
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