Cristais dispostos em camadas, pedra arenito esculpida em curva, ônix com veios irregulares: a matéria-prima virou parte do discurso estético de uma luminária.
O que antes era apenas suporte para a lâmpada passou a carregar textura, peso visual e identidade própria, e esse deslocamento está remodelando a forma como arquitetos compõem sala, hall e varanda.
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Lustres, pendentes, arandelas e abajures de mesa e piso aparecem cada vez mais como peça central do projeto, não como complemento dele. A seguir, veja os materiais e formatos que sustentam essa virada, as áreas da casa em que o efeito funciona melhor e como equilibrar uma peça de forte apelo visual sem sobrecarregar o ambiente.
Da função à escultura: o que mudou na forma de iluminar?
Durante décadas, o critério de escolha de uma luminária foi quase só técnico: potência, temperatura de cor, distribuição de luz. Esse critério continua valendo, mas deixou de ser o único.

A Light + Building, uma das principais feiras do setor de iluminação no mundo, aponta as formas esculturais e a releitura de modelos clássicos entre as apostas que devem seguir influenciando o mercado até 2027. Guilherme Santos, especialista em design e tendência da Yamamura, resume o fenômeno ao Enfeite Decora:
“As luminárias devem ganhar cada vez mais espaço nos projetos de interiores como elementos de forte apelo estético. Modelos com desenhos fluidos, formatos inusitados e materiais que valorizam a passagem da luz irão continuar em evidência, assim como peças de inspiração clássica reinterpretadas pelo design contemporâneo. Essa diversidade amplia as possibilidades de explorar a iluminação de maneira criativa e personalizada”.
Essa diversidade aparece, por exemplo, em peças que trabalham o efeito de cascata: hastes de vidro dispostas em camadas, com acabamento dourado, criam um jogo de luz que se repete em pendente, arandela e plafon de uma mesma coleção.

O ganho ali não é só estético — a repetição do mesmo desenho em três formatos diferentes permite manter unidade visual entre pontos de luz distintos do mesmo ambiente.
Materiais que fazem a luz ganhar corpo
A escolha do material é o que diferencia uma peça decorativa de uma peça escultural. Metal, alumínio e acrílico com acabamento dourado aparecem em luminárias de mesa e piso que trabalham curvas acentuadas, como as da linha Balancê, cujo movimento sugerido pelo desenho muda a leitura do objeto conforme o ângulo de observação.

Já pedras naturais entram como protagonistas em outra frente. A arandela Alma Gêmea combina dois botões iluminados de ágata natural com estrutura metálica dourada e cordão em tecido sintético na cor caramelo, enquanto o abajur Areias de Jalapão une alumínio, acrílico e mármore em um desenho assinado pelo arquiteto Tom Reis.
Ambas contam com LED integrado, o que elimina a necessidade de lâmpadas avulsas visíveis e preserva a limpeza do desenho. O ônix segue a mesma lógica em escala maior: a linha Kálida Ônix reúne arandelas, pendentes e lustres que exploram os veios e as tonalidades irregulares da pedra, de modo que cada peça acaba sendo, de fato, única — a luz atravessa a pedra de forma distinta a cada exemplar.
Onde essas peças se destacam no projeto?
Salas de estar e jantar concentram boa parte das aplicações, mas halls de entrada e varandas também ganham com uma peça de maior presença visual, principalmente quando o restante do ambiente é mais contido em cor e textura.
Nesses casos, a luminária assume a função que normalmente ficaria a cargo de um quadro ou de uma escultura. Vale observar que peça escultural não significa, necessariamente, peça grande.

Formatos pequenos com desenho marcante — como o abajur Dalí, de base em pedra arenito esculpida em curva — cumprem esse papel em mesas de centro ou aparadores, onde o volume disponível é menor. Já a luminária de mesa Zaha trabalha a combinação de linhas retas com curvas orgânicas, o que permite usá-la tanto em composições mais clássicas quanto em ambientes contemporâneos.
Formas que contam a história do ambiente
O desenho da peça costuma seguir duas direções. Há quem prefira o traço geométrico e as linhas retas, caminho que tende a funcionar bem em projetos de assinatura minimalista. E há quem explore curvas acentuadas e volumes mais fluidos, recurso que aproxima a luminária de uma peça de escultura propriamente dita.
Uma arandela de desenho simples, por exemplo, comunica discrição e deixa a luz fazer o trabalho de destaque. Já uma luminária de piso com curva pronunciada ocupa espaço mesmo apagada, porque a silhueta já é, por si só, elemento decorativo. Nenhum dos dois caminhos é mais correto; a escolha depende do quanto o restante do ambiente já concentra informação visual.
Peças grandes para tetos altos e projetos maximalistas
Em residências com pé-direito elevado ou em decoração de inspiração maximalista, lustres e pendentes de grandes dimensões ganham justificativa funcional além da estética: preenchem um vão vertical que, sem eles, ficaria vazio.

Modelos como Soft, Serpentine e Universo seguem esse raciocínio, com design arrojado que sustenta a proporção do espaço. Nesse tipo de projeto, o erro mais frequente é escolher a peça pelo impacto da foto, sem medir a altura do pé-direito e a distância até o mobiliário abaixo.
Uma peça grande em um ambiente de teto baixo distorce a proporção da sala inteira, em vez de valorizá-la. A escolha de uma luminária escultural, no fim, segue o mesmo raciocínio de qualquer peça de destaque dentro de um projeto de design de interiores: ela precisa dialogar com a escala do ambiente e com o que já existe ao redor, para que o resultado pareça projetado, e não apenas decorado.
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