O design futurista deixou de ser apenas uma projeção conceitual para se tornar linguagem concreta nos interiores contemporâneos. A nova coleção KARE x Karim Rashid confirma essa virada ao apresentar móveis e objetos que não apenas ocupam o espaço, mas o redefinem visual e emocionalmente.
Fruto da colaboração entre a marca alemã KARE Design e o designer internacional Karim Rashid, o lançamento reúne aproximadamente 80 criações que transitam entre mobiliário, iluminação e acessórios decorativos. Mais do que um exercício estético, trata-se de uma proposta que articula forma, função e impacto sensorial.
O design como atitude: identidade criativa em primeiro plano
Reconhecido por uma trajetória que ultrapassa quatro mil projetos e centenas de prêmios internacionais, Karim Rashid construiu uma assinatura imediatamente identificável. Linhas curvas, superfícies contínuas, cores suaves contrastando com toques vibrantes e volumes generosos compõem uma linguagem que desafia o convencional.

“Acredito que o design é uma atitude: otimista, sensual e sem limites”, define Rashid. A frase não funciona como mero manifesto; ela sintetiza uma visão que transforma objetos cotidianos em experiências. Assim, cada peça da coleção carrega um senso de movimento e leveza que remete a um futuro mais orgânico e emocional.
Essa perspectiva encontra terreno fértil na identidade irreverente da KARE Design, marca que, ao longo de mais de quatro décadas, construiu reputação no mobiliário contemporâneo com forte personalidade visual. A colaboração, portanto, não soa como ruptura, mas como evolução estratégica.
Formas orgânicas e volumes esculturais
Entre os destaques da coleção, os sofás Dreamscape assumem protagonismo. Com proporções amplas e camadas suaves, apresentam um desenho que parece esculpido pelo fluxo do ar. Não há rigidez nas linhas; ao contrário, as curvas conduzem o olhar e convidam ao toque.
Essa escolha formal não é aleatória. O design orgânico, amplamente explorado por Rashid, responde à busca contemporânea por ambientes mais acolhedores, mesmo quando inseridos em propostas futuristas. Dessa forma, o sofá deixa de ser apenas um elemento funcional e passa a atuar como peça central da narrativa espacial.
A cama Fluid Dreams reforça esse conceito. Com contornos contínuos e paleta cromática expressiva, cria uma atmosfera que equilibra dinamismo e tranquilidade. A combinação entre volumes suaves e cores vibrantes resulta em uma presença marcante sem comprometer o conforto visual.
Cores expressivas e atmosfera sensorial
Outro traço definidor da coleção é o uso estratégico da cor. Tons pastel dialogam com nuances intensas, criando composições que fogem da neutralidade previsível. No contexto do design contemporâneo, essa escolha reforça a ideia de que o mobiliário pode assumir papel artístico dentro da decoração.

Ao incorporar elementos luminosos e detalhes que remetem ao universo digital, a coleção amplia a sensação de futurismo. Entretanto, o excesso é evitado por meio de superfícies contínuas e acabamento preciso, o que mantém a elegância como fio condutor.
O resultado é um conjunto que transcende tendências passageiras. Ao invés de apostar em modismos, a parceria investe em uma identidade estética coesa, capaz de dialogar com projetos residenciais e comerciais que valorizam personalidade e inovação.
Design como expressão cultural
Mais do que uma linha de produtos, a coleção KARE x Karim Rashid posiciona o design autoral como ferramenta de expressão cultural. Ao unir a ousadia formal de Rashid à tradição criativa da KARE, o projeto reafirma que mobiliário pode comunicar valores, emoções e visões de mundo.
Para o próprio designer, a relevância do objeto está na sua capacidade de se integrar à vida cotidiana de forma significativa. “Quando um produto é bem concebido, ele ganha significado na vida cotidiana de quem o utiliza”, afirma Rashid. Essa ideia sintetiza a ambição da coleção: transformar ambientes em experiências sensoriais contínuas.
Assim, a proposta não se limita à estética futurista. Ela aponta para uma nova maneira de habitar os espaços — mais fluida, mais expressiva e, sobretudo, mais conectada à identidade de quem vive neles.





