Iluminação no varejo: como a luz influencia a experiência do consumidor e fortalece a identidade das marcas

Para Amanda Sitta e Bruna Barbo, do Studio Sitta + Barbo, o projeto luminotécnico deve ser pensado desde o conceito arquitetônico, considerando marca, produto e jornada de compra para transformar a percepção dos espaços comerciais.

Iluminação no varejo: como a luz influencia a experiência do consumidor e fortalece a identidade das marcas

Em projetos de arquitetura varejo, a iluminação participa diretamente para que o consumidor se relacione com a marca no ponto físico, queira permanecer no ambiente e se interesse pelos produtos. Para o Studio Sitta + Barbo, escritório especializado em arquitetura comercial, a luz não deve ser tratada como uma etapa posterior ao projetomas como parte da estratégia espacial desde os primeiros estudos.

“A iluminação nunca é só técnica. Ela trabalha junto com a arquitetura para contar a história da marca antes mesmo que o cliente perceba que está recebendo essa informação”, explicam as arquitetas Amanda Sitta e Bruna Barbo.

Segundo elas, a resposta do consumidor ao ambiente acontece, inicialmente, de forma sensorial. Antes de analisar elementos como layout, materiais ou comunicação visual, a pessoa já percebe se aquele espaço transmite permanência, direcionamento ou conexão com a proposta da marca. Por isso, a iluminação precisa estar alinhada ao posicionamento do negócio e ao comportamento esperado dentro da loja.

Sobre o especialista

Amanda Sitta e Bruna Barbo são arquitetas formadas pelo Mackenzie e sócias à frente do Studio Sitta+Barbo, com mais de 14 anos de história dedicados à arquitetura.

A luz como ferramenta de construção de marca

No desenvolvimento do conceito luminotécnico, o escritório parte da essência da marca e da experiência que ela deseja proporcionar. A identidade visual, o público, a jornada de compra, os produtos expostos e as características físicas do espaço são fatores que guiam as escolhas desde a distribuição dos pontos de luz até a definição de temperaturas de cor e níveis de intensidade. “Sempre partimos daquilo que a marca quer fazer sentir, não apenas do que ela quer mostrar”, afirmam.

Além das telas tensionadas, as arquitetas Amanda Sitta e Bruna Barbo também direcionaram a iluminação como recurso afetivo no ambiente ‘Tempo de Estar’. A luz aparece de forma pontual nas prateleiras do espaço dividido entre a Chocolat Du Jour e a Livraria UniSaber, a fim de valorizar os produtos das marcas | Foto: David Zoega

Para complementar o desenvolvimento do conceito, o escritório trabalha em parceria com projetistas luminotécnicos, que contribuem com a definição técnica dos sistemas, especificações de equipamentos e desempenho da iluminação. Essa colaboração permite alinhar intenção arquitetônica, identidade da marca e eficiência luminotécnica desde as primeiras etapas do projeto.

Para Amanda e Bruna, a iluminação é um dos elementos responsáveis por consolidar a percepção de valor de um espaço comercial. Uma loja com posicionamento sofisticado pode perder parte dessa leitura quando a luz não é bem planejada, enquanto ambientes mais simples podem ganhar presença e personalidade a partir de um planejamento luminotécnico adequado.

“Marca não é apenas logo e vitrine, mas sim a soma de cada decisão sensorial, e a luz está presente em praticamente todas elas”, destacam.

Produto, materialidade e reprodução de cores

A iluminação também tem papel decisivo na forma como os produtos são percebidos. Diferentes categorias exigem cuidados específicos: uma peça de roupa depende da reprodução fiel das cores e texturas; um cosmético exige atenção aos tons da embalagem e da pele durante o teste; enquanto revestimentos e metais demandam cuidado com reflexos e acabamentos.

Nesta loja da Chanel, projetada pelo Studio Sitta + Barbo, a iluminação, feita em parceria com o projetista luminotécnico Marcos Castilha, destaca os produtos nas prateleiras, entre eles, óculos e perfumes | Foto: David Zoega

Nesse contexto, critérios técnicos como o índice de reprodução de cor (IRC/CRI) são fundamentais. Uma iluminação com baixo desempenho nesse aspecto pode alterar a percepção dos produtos e comprometer a experiência de compra. “A luz precisa revelar o produto como ele realmente é”, explicam as arquitetas.

Além do IRC, fatores como temperatura de cor, fluxo luminoso e distribuição dos pontos de luz precisam ser avaliados em conjunto para garantir que os materiais sejam apresentados com fidelidade.

Camadas de iluminação e percurso dentro da loja 

Para o Studio Sitta + Barbo, uma iluminação comercial eficiente não depende apenas de uma iluminação geral uniforme. O projeto precisa trabalhar diferentes níveis para estabelecer hierarquias visuais e concentrar a experiência dentro do espaço.

Com um ambiente escuro, o projeto luminotécnico, desenvolvido pelo Estúdio Carlos Fortes, foi essencial a fim de valorizar as joias da Guerreiro neste projeto assinado pelo Studio Sitta + Barbo“Das cores à iluminação, tudo foi pensado para oferecer uma atmosfera luxuosa”, afirmam as arquitetas Amanda Sitta e Bruna Barbo | Foto: David Zoega

A iluminação geral garante orientação e conforto visual e é acompanhada por outras camadas como os pontos de destaque, que canalizam a atenção para produtos ou áreas estratégicas; a iluminação indireta coopera para a atmosfera do ambiente; e a luz cênica reforça momentos específicos da experiência da marca. “Quando todas essas demandas trabalham juntas, o espaço ganha profundidade e o consumidor entende a loja de forma mais intuitiva”, explicam.

Essa estratégia também pode ser aplicada para conduzir o fluxo de circulação, tornando a luz um recurso de direcionamento que demonstra áreas de interesse e estimula a permanência em determinados pontos do ambiente. “As pessoas naturalmente caminham em direção à luz e evitam áreas mais escuras. Usamos esse comportamento para desenhar a jornada de compra de acordo com a estratégia da marca”, afirmam.

Temperatura de cor: uma escolha ligada ao conceito do espaço

Um dos principais equívocos em projetos comerciais é associar funcionalidade exclusivamente à luz branca. Para Amanda e Bruna, não existe uma temperatura de cor universal para o varejo: a escolha depende do segmento, do produto e da mensagem que a marca deseja transmitir. “Uma joalheria, uma loja de moda e uma livraria possuem necessidades diferentes. A iluminação precisa responder ao conceito de cada espaço”, explicam.

De acordo com as arquitetas Amanda Sitta e Bruna Barbo, do Studio Sitta + Barbo, os abajures nas mesinhas de ‘Tempo de Estar’ têm a função ‘quase de dispositivo emocional’, promovendo um toque de lar, com sua luz baixa e quente, similar à sensação de sentar-se em uma poltrona confortável em sua casa para ler um livro | Foto: David Zoega

Enquanto alguns setores requerem uma luz mais neutra para preservar a percepção das cores e materiais, outros podem se beneficiar de temperaturas mais quentes, especialmente quando a proposta envolve maior permanência e uma relação mais próxima com o ambiente.

Tecnologia como suporte à experiência

Para as arquitetas do Studio Sitta + Barbo, a tecnologia deve estar a serviço da estratégia do espaço. “A tecnologia precisa ajudar o ambiente a funcionar melhor, permitindo ajustes de intensidade e contribuindo para eficiência e flexibilidade”, afirmam.

Com o avanço das soluções luminotécnicas, recursos como LED, dimerização, sensores e automação ampliaram as possibilidades nos projetos comerciais | Luminotécnico: Iná Iluminação | Projeto: Studio Sitta + Barbo | Fotos: David Zoega

A dimerização, por exemplo, possibilita adaptar a iluminação ao longo do dia e conforme diferentes usos da loja, enquanto sensores podem contribuir para economia e melhor aproveitamento dos sistemas.

A iluminação como parte do projeto arquitetônico

Entre os principais erros observados pelas profissionais está deixar a iluminação para o final do processo. Quando definida apenas depois da arquitetura concluída, ela perde possibilidades de integração com elementos como planta, pé-direito e materialidade.

A iluminação deve ser pensada desde a planta para que seja estrategicamente distribuída, assim como as arquitetas Amanda Sitta e Bruna Barbo executaram nos projetos da Chanel Beauty | Luminotécnico: Castilha Iluminação | Projeto: Studio Sitta + Barbo | Foto: David Zoega

“No nosso processo, a iluminação nasce junto com a arquitetura, pois sabemos que cada decisão do projeto interfere no resultado esperado”, finalizam.

  • Cláudio P. Filla

    Fundador e Editor-Chefe do Enfeite Decora

    Publicitário, gestor de mídias sociais e especialista em conteúdo digital sobre decoração, arquitetura, paisagismo, jardinagem e tendências para o lar.

    👉 Biografia completa do autor.

  • Amanda Sitta e Bruna Barbo são arquitetas formadas pelo Mackenzie e sócias à frente do Studio Sitta+Barbo, com mais de 14 anos de história dedicados à arquitetura.

    O escritório atua de forma especializada no desenvolvimento de projetos autorais para marcas, com forte domínio em nacionalização de conceitos internacionais, shopfitting, implantação de lojas, roll-outs e visual merchandising, sempre com uma abordagem estratégica orientada à experiência, à operação e à essência da marca.

    Cada projeto nasce do equilíbrio entre conceito, técnica e execução. Da interpretação dos guidelines globais à adaptação ao contexto local, o Studio acompanha todas as etapas do processo — do desenho ao detalhe construtivo, da fábrica ao ponto de venda — garantindo coerência, precisão e excelência na entrega.

    No portfólio, acumulam projetos para marcas nacionais e internacionais de destaque no varejo, como Chanel, Loewe, Tag Heuer, Arezzo, Guerreiro e Forever 21.

    Arquitetura de varejo que traduz essência de marca, rigor técnico e atenção absoluta aos detalhes.

    Contatos:

    arquitetura@sittabarbo.com.br
    @sittabarboarq
    11951572441

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