Antes de escolher sofá, cor de parede ou tipo de piso, existe um teste que qualquer comprador de imóvel próprio deveria fazer: pegar um balde de água e jogar direto no ralo do banheiro. Simples assim. É a forma mais rápida de verificar se a construtora entregou a inclinação correta e se não, esse é o tipo de problema que fica muito mais caro para resolver depois que os móveis já estão instalados.
Esse é só um dos cuidados levantados pelo arquiteto Bruno Moraes, à frente do BMA Studio, que reformou o próprio apartamento de 50 m² e testou na prática boa parte das soluções que hoje recomenda a quem está começando a montar a casa própria.
O que verificar antes mesmo de comprar?
A decisão sobre layout e reforma começa muito antes da chave na mão. A orientação solar do apartamento, por exemplo, muda completamente o projeto de iluminação e o posicionamento dos ambientes.

“Fique atento se o apartamento fica na face Norte ou Sul do edifício. Se for no Norte, por exemplo, haverá sol no apartamento o dia inteiro. Se for no Sul, então quase não irá bater sol. Isso influenciará totalmente o layout do projeto”, explica Bruno.
Outro ponto que passa despercebido na euforia da compra é o sistema construtivo do prédio. Se a maior parte das paredes for de alvenaria estrutural, o comprador precisa saber, desde o início, que não vai poder abrir vãos ou reconfigurar ambientes como imaginava.
Já na vistoria de entrega, dois testes resolvem boa parte dos problemas ocultos. O primeiro é o do balde de água nos ralos, para conferir a inclinação. O segundo envolve abrir torneiras e chuveiros e deixar a água correr: vazamentos nos sifões costumam aparecer depois de dois ou três minutos, não instantaneamente. Para a parte elétrica, o teste é ainda mais simples e basta levar o celular com o carregador e testar tomada por tomada.
Móveis que acompanham a rotina, não o contrário
Um erro recorrente em quem está mobiliando o primeiro apartamento é comprar pensando apenas na necessidade do momento. A rotina muda, os pertences aumentam, e o mobiliário planejado precisa acompanhar essas mudanças sem exigir uma reforma nova a cada fase da vida.
No próprio apartamento, Bruno usou um móvel ripado sob a bancada da cozinha que guarda louças e mantém a estética limpa, camuflado na marcenaria. A lógica se repete em outros pontos do projeto: um painel de madeira esconde um guarda-roupas com portas de correr, e o móvel atrás do sofá funciona simultaneamente como bar e bancada de trabalho.

Em apartamentos com pouco espaço, cada centímetro precisa justificar sua função. Um nicho dentro do box, por exemplo, resolve o armazenamento do banheiro sem comprometer a circulação e é esse tipo de solução multifuncional que faz diferença real em plantas de 50 m² ou menos.
Iluminação que se adapta antes de você decidir tudo
A decoração de um primeiro apartamento raramente acontece de uma vez. Por isso, a recomendação de Bruno para a iluminação é apostar em sistemas que permitem mudança de direção e novos pontos de luz sem precisar refazer a instalação elétrica. Trilhos com spots cumprem exatamente essa função, tanto na sala quanto na cozinha, permitindo ajustes conforme o layout evolui.
A posição dos móveis também precisa considerar janelas e varandas desde o primeiro momento. Armários posicionados de frente para aberturas ajudam na ventilação e evitam problemas de umidade, um detalhe que parece pequeno, mas que evita mofo e desgaste precoce da marcenaria. No home office do apartamento reformado por Bruno, a escrivaninha foi posicionada ao lado da janela justamente para aproveitar luz natural e ventilação durante o expediente.
Antes de comprar qualquer móvel, faça um inventário
Um passo que a maioria ignora: listar os próprios pertences antes de planejar os armários. Sem esse levantamento, é comum errar nas medidas e descobrir, só depois da instalação, que faltou espaço de armazenamento em algum ponto da casa.
“Antes da reforma do meu apartamento, a cozinha e a lavanderia tinham o mesmo tamanho. Optamos por diminuir a área de serviço a fim de ampliar a bancada e ter gavetas extras na cozinha”, conta Bruno. A decisão exemplifica um princípio central do projeto: redistribuir metragem entre ambientes de acordo com o uso real, não com a divisão original da planta.
Cobogós e pisos: soluções que dividem sem fechar
Para quem quer delimitar ambientes sem construir paredes, o cobogó aparece como alternativa prática. O revestimento vazado separa visualmente os espaços mantendo a passagem de luz e ventilação — e, dependendo do modelo escolhido, é mais rápido de instalar do que erguer uma parede convencional, já que muitos vêm com acabamento pronto.

Na escolha dos pisos, a recomendação para imóveis pequenos é manter o mesmo material em todos os ambientes. Essa uniformidade cria sensação de amplitude e evita cortes visuais que, em plantas compactas, acabam reduzindo ainda mais a percepção de espaço.
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