Nem toda virada de mercado começa com um edifício icônico. Às vezes, ela começa com um número que ninguém esperava ver naquele endereço. Gramado encerrou 2025 com R$ 420 milhões em Valor Geral de Vendas, resultado que a colocou entre os dez maiores mercados imobiliários do Brasil — e como única cidade gaúcha nesse ranking. Para entender o peso dessa cifra, basta observar as praças com as quais a cidade passa a dividir espaço: Itapema, Balneário Camboriú, Curitiba e Itajaí, todas consolidadas há anos como polos de alto padrão imobiliário.
O levantamento, realizado pela DWV, plataforma de inteligência de mercado, revela algo que vai além de um bom ano de vendas. Trata-se de um movimento estrutural, sustentado por demanda consistente, perfil de comprador de alta renda e escassez de terrenos bem localizados — um trio que transforma qualquer mercado em ativo de longo prazo para incorporadoras que sabem ler o território antes dos outros.
A Serra como mercado, não só como cartão postal
Durante décadas, Gramado foi lida pelo setor imobiliário pela ótica do turismo: uma cidade de alta ocupação sazonal, chocolates belgas e arquitetura alpina reproduzida em série. Esse olhar, ainda que parcialmente correto, subestimava uma transformação silenciosa em curso: a cidade estava deixando de ser apenas destino de fim de semana para se tornar endereço permanente ou de segunda moradia de alto padrão.
“Trata-se de uma área com demanda consistente por segunda moradia e, portanto, menor volatilidade. Tem um perfil de comprador qualificado e um mercado sustentável com infraestrutura em constante evolução. A escassez de terrenos bem localizados, a ocupação elevada ao longo do ano e a disposição do público cada vez mais disposto a investir em qualidade, arquitetura, conforto e, especialmente, em produtos irreplicáveis, sustentam essa decisão”, explica Erivelto Saes, CEO da Saes Empreendimentos.
Essa leitura começou a atrair incorporadoras de fora do estado, que passaram a enxergar Gramado não como aposta pontual, mas como ativo patrimonial consistente. Entre elas, a Saes Empreendimentos, construtora catarinense com 50 anos de experiência, que cruza a fronteira gaúcha com um projeto de R$ 60 milhões de investimento e VGV projetado de R$ 95,8 milhões: o BaumHaus.
Quando a arquitetura rompe com o que se esperava encontrar ali
O grande erro de boa parte dos empreendimentos de serra é replicar a estética alpine sem questionar sua pertinência contemporânea. Telhados inclinados, madeira envelhecida artificialmente, referências tirolesas que nunca foram daqui — um vocabulário repetido até perder o sentido. O BaumHaus propõe o caminho oposto.
Com assinatura do arquiteto franco-brasileiro Greg Bousquet, fundador do escritório global Architects Office, o projeto incorpora a técnica japonesa Yakisugi — a carbonização superficial da madeira — como elemento central da sua linguagem arquitetônica. O resultado visual é contemporâneo, com superfícies escurecidas que remetem à madeira queimada de forma controlada, criando uma textura única que ao mesmo tempo dialoga com a natureza densa da Serra e rompe com qualquer referência ao estilo alpino convencional.
“Trouxemos uma solução que une estética contemporânea e alta performance. O Yakisugi não é apenas visual; a queima cria uma camada de proteção natural contra umidade e pragas, garantindo longevidade ao imóvel no clima úmido da região”, afirma o arquiteto Bousquet.
Aliás, esse é um ponto que merece atenção técnica: o clima serrano gaúcho (úmido, com variações térmicas frequentes) é historicamente um dos maiores inimigos da durabilidade em revestimentos de madeira. A carbonização, ao criar uma barreira protetora natural, reduz significativamente a absorção de umidade e a proliferação de fungos, sem depender de produtos químicos para manutenção. É sustentabilidade com funcionalidade real, não sustentabilidade de fachada.
O perfil do comprador que está redesenhando o mapa imobiliário
O ticket médio de R$ 2,22 milhões do BaumHaus diz muito sobre quem está chegando a Gramado com cheque na mão. Não é o turista que vem no inverno comprar fondue. É o comprador que busca assinatura arquitetônica, exclusividade e proteção patrimonial — três elementos que, juntos, blindam o imóvel contra desvalorização em mercados mais voláteis.
“O comprador de R$ 2 milhões não busca apenas metragem, busca assinatura e exclusividade que blindam o patrimônio contra desvalorização”, resume Erivelto Saes.
Além disso, com 6 mil m² de área construída e infraestrutura pensada para longas estadias — coworking, áreas de lazer, ambientes que sustentam rotinas, não apenas visitas —, o empreendimento se posiciona no cruzamento entre segunda moradia e moradia permanente de alto padrão. Uma tendência que ganhou força no pós-pandemia e que, em cidades como Gramado, encontrou terreno fértil para se consolidar de vez.
A valorização estimada de mais de 15% até a entrega das chaves, prevista para 36 meses, reforça o argumento do investimento como estratégia patrimonial — e não apenas como escolha de estilo de vida.
O que Gramado sinaliza para o setor
O que está acontecendo na Serra Gaúcha não é um fenômeno isolado. É o reflexo de um movimento maior, em que cidades com forte identidade cultural, infraestrutura consolidada e demanda turística consistente passam a ser disputadas por incorporadoras que antes concentravam operações nos grandes centros. Gramado, Campos do Jordão, Bento Gonçalves e Monte Verde integram esse grupo de destinos que vêm sendo relidos como mercados imobiliários de alto potencial.
O que diferencia Gramado nesse conjunto, contudo, é a velocidade com que essa transição está ocorrendo — e a qualidade arquitetônica que começa a acompanhar esse crescimento. Quando um projeto traz a técnica Yakisugi, uma linguagem cosmopolita e um arquiteto com trajetória internacional para um município de 36 mil habitantes na Serra Gaúcha, o sinal que se emite para o mercado é claro: esse endereço passou a jogar em outra liga.
Sobre a Saes Empreendimentos
Com mais de 50 anos de atuação e mais de 1 milhão de m² construídos, a Saes Empreendimentos é uma empresa catarinense de referência na construção civil, reconhecida pela solidez, inovação e qualidade técnica. O portfólio reúne empreendimentos residenciais em Itajaí, Camboriú, Itapema e Gaspar, por meio da Saes Empreendimentos, e o complexo logístico Ciway 470, pela empresa Ciway, em Navegantes. Em 2025, o grupo avançou na expansão regional com projetos no Rio Grande do Sul (Gramado), alinhando arquitetura autoral, sustentabilidade e valorização urbana.





