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Home Decoração de interiores

Estilo kitsch revisitado: a arte de transmitir sentimentos através da decoração de interiores 

Ambientes criativos e coloridos apostam no maximalismo e viralizam nas redes sociais

Escrito por: Cláudio Filla Especialista: Mari Milani
21 de agosto de 2024 - Atualizado em: 9 de agosto de 2026
em Decoração de interiores
estilo kitsch

Uma pedra ametista, de tanto valor afetivo para a moradora, virou puxador de porta. Não é força de expressão nem exagero de texto: é uma solução real, aplicada em um apartamento na capital paulista, que resume em um único objeto o que o estilo kitsch propõe para a decoração de interiores. Transformar sentimento em arquitetura. Fazer da casa um espelho de quem mora nela, sem pedir desculpas por isso.

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O kitsch nasceu na Alemanha carregando uma reputação difícil: exagerado, de mau gosto, sem critério. Mas essa mesma reputação é o que torna a estética tão relevante hoje, num momento em que o minimalismo dominou o feed e as casas começaram a parecer, todas, ligeiramente iguais entre si. “Com suas cores fortes e cômodos com produção irreverente, fica impossível não se atrair pelos focos de atenção”, analisa a arquiteta Mari Milani sobre os ambientes construídos com essa estética.

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O maximalismo não precisa tomar conta da casa inteira

Existe uma ideia equivocada de que adotar o kitsch significa abandonar completamente a organização visual do espaço. Não é bem assim. Segundo Mari Milani, é perfeitamente possível manter a estrutura de um ambiente mais contido e, ainda assim, inserir peças pontuais que carreguem toda a força da estética.

Estilo kitsch revisitado: a arte de transmitir sentimentos através da decoração de interiores 
 Projeto: Mari Milani Arquitetura | FOTO: Mariana Camargo

Um espelho de formato orgânico, com ondulações em tom rosa, posicionado na entrada de uma residência, ilustra bem esse raciocínio. A peça marca o gosto pessoal de quem mora ali, funciona como recurso prático — aquela conferida no visual antes de sair — e, ao mesmo tempo, comunica identidade logo no primeiro contato com o ambiente. Um único objeto bem escolhido já é suficiente para instalar o espírito kitsch sem que o restante da casa precise mudar.

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O mesmo raciocínio vale para revestimentos. Estampas e pinturas aplicadas em paredes, incluindo papel de parede com contornos geométricos que dialogam com referências como o design Bauhaus, entregam um resultado disruptivo justamente por quebrarem a expectativa de neutralidade que domina boa parte dos projetos atuais.

Papel de parede como narrativa pessoal

Entre os recursos mais acessíveis para trazer o kitsch para dentro de casa, o papel de parede ocupa lugar central. Desenhos em grandes dimensões, formas marcantes, estampas que fogem do óbvio: tudo isso reveste o ambiente com uma linguagem visual difícil de alcançar apenas com pintura lisa.

Estilo kitsch revisitado: a arte de transmitir sentimentos através da decoração de interiores 
FOTO: Mariana Camargo

Um dormitório com pinceladas delicadas em tons pastel, tanto no papel de parede quanto nas obras de arte expostas, mostra como diferentes estampas podem coexistir no mesmo espaço sem gerar poluição visual. O resultado depende de calibrar intensidade e delicadeza ao mesmo tempo, algo que raramente acontece por acaso.

“Através das estampas do papel, e até de revestimentos cerâmicos que reproduzem fidedignamente os desenhos, realçamos sentimentos e traços da personalidade do morador”, explica Mari Milani. Em um quarto infantil, essa lógica se traduz em papéis com reprodução da natureza, criando um clima onírico reforçado por prateleiras suspensas e uma cabeceira em formato de “L” que funciona quase como um cercadinho de aconchego.

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Misturar estampas e cores exige mais critério do que parece

O convite do kitsch é claro: produções menos óbvias, mais subjetivas, capazes de provocar reações pessoais em quem entra no ambiente. Só que misturar cores, texturas e estampas sem gerar caos visual é uma tarefa que raramente se resolve por tentativa e erro.

Estilo kitsch revisitado: a arte de transmitir sentimentos através da decoração de interiores 
FOTO: Julia Herman

Um banheiro que combina azulejos hexagonais em azul e rosa, criando dois polos cromáticos dentro do mesmo cômodo, mostra o nível de planejamento necessário para que o mix funcione como composição, e não como excesso descontrolado. O dourado aplicado na moldura do espelho e nos detalhes dos nichos arremata a combinação sem competir com as duas cores principais.

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Estilo kitsch revisitado: a arte de transmitir sentimentos através da decoração de interiores 
Projeto: Mari Milani Arquitetura | FOTO: Mariana Camargo

“Para afinar essa contextualização, é fundamental contar com nosso apoio profissional para que, em um projeto 3D, o cliente possa visualizar as variações possíveis do mix que pode ser feito”, orienta a arquiteta. A visualização prévia é o que separa um mix bem-sucedido de uma combinação que parece ter acontecido por acidente.

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O detalhe pessoal é o que faz o kitsch funcionar de verdade

Nenhum revestimento estampado ou objeto maximalista substitui o que realmente sustenta essa estética: peças de valor sentimental genuíno. É esse compromisso com a história pessoal do morador que separa um projeto kitsch bem executado de uma simples decoração colorida sem profundidade.

Estilo kitsch revisitado: a arte de transmitir sentimentos através da decoração de interiores 
FOTO: Julia Herman

Móveis garimpados em antiquários, presentes especiais, lembranças de viagem, itens passados entre gerações, peças assinadas, até mesmo objetos considerados divertidos como pinguins de geladeira ou bonecos de porcelana: tudo isso entra na composição como material bruto de uma decoração que fala sobre quem vive ali.

O caso da pedra ametista transformada em puxador de porta resume essa filosofia melhor do que qualquer explicação teórica. A moradora tinha apreço genuíno pela pedra. A arquiteta enxergou, nesse apego, uma nova função possível para o objeto — e o que era apenas um cristal guardado virou parte funcional da arquitetura da casa, abrindo caminho para os setores privados da residência.

Estilo kitsch revisitado: a arte de transmitir sentimentos através da decoração de interiores 
Projeto: Mari Milani Arquitetura | FOTO: Julia Herman

É esse tipo de decisão que caracteriza o kitsch contemporâneo: usar a criatividade para dar novos contornos a objetos comuns, trabalhando camadas mais sutis da identidade de quem mora no espaço. O resultado são lares que não apenas abrigam pessoas, mas contam quem elas são.

  • Estilo kitsch revisitado: a arte de transmitir sentimentos através da decoração de interiores 

    Cláudio P. Filla

    Fundador e Editor/Redator do Enfeite Decora
    Publicitário, gestor de mídias sociais e especialista em conteúdo digital sobre decoração, arquitetura, paisagismo, jardinagem e tendências para o lar.
    👉 Biografia completa do autor.

  • Formada em arquitetura e urbanismo em 2009, pós-graduada em master arquitetura em 2012, com mais de 300 projetos realizados em lares e negócios, Mari Milani está sempre presente nas maiores feiras e eventos de design do mundo acompanhando e trazendo as últimas tendências de mercado para seus clientes.

    Para ela, a construção de um ambiente transformador vai além de erguer paredes e distribuir cômodos; é a habilidade de criar um espaço que reflita a personalidade e os sonhos de cada cliente, pensando sempre no conforto e segurança. Cada projeto é uma oportunidade de criar sensações diferentes e únicas, seja por meio da iluminação, do formato ou da decoração.

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