Montar a casa de uma vez só, seguindo um catálogo, costuma pesar no bolso e deixar o ambiente parecido com tantos outros. Quem prefere ir acrescentando peças com o tempo, entre objetos trazidos de viagem, lembranças de família e achados de antiquário, esbarra em outra dúvida: como juntar tudo isso sem que a sala vire um depósito de coisas bonitas e soltas.
O estilo boho responde a essa dúvida com liberdade para misturar, apoiada numa base calma, já que quanto mais neutro e natural o fundo, mais espaço as cores, as estampas e as peças com história ganham para aparecer sem sobrecarregar. Essa ideia de liberdade já está na origem do nome.
De onde vem o boho e por que ele conquistou tanta gente?
Boho vem de Bohème, termo ligado à vida de artistas, músicos e escritores europeus, e reúne quatro valores que seguem valendo para a casa: liberdade, individualidade, conforto e simplicidade.
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O estilo ganhou o mundo nos anos 1970, com o movimento hippie, e dali vem a estética descontraída que ainda o define, sem a obrigação de comprar tudo da mesma linha.
A mistura de estampas, texturas e cores é o traço mais marcante da decoração boho, e por isso a casa raramente aparece pronta de uma vez.
Peças encontradas em viagens, objetos afetivos e móveis herdados entram aos poucos, conforme a rotina de quem mora ali, e cada novidade se encaixa no que já existe sem exigir que o resto seja trocado.
Off white na base e tons terrosos para dar calor
A paleta de cores do boho parte do off white, que cobre paredes e superfícies maiores e deixa o fundo claro, e depois avança para os tons terrosos e para os mais fechados e vibrantes, como laranjas, amarelos, vermelhos e azuis.
Com a base clara, cada cor ganha o seu lugar sem brigar com a vizinha, e a mistura que parecia arriscada passa a ter ordem.
Para quem ainda tem receio de errar na dose, uma sugestão é levar as cores mais fortes para almofadas, mantas e tapetes, que se trocam com facilidade, e deixar parede e piso mais quietos. Assim a casa pode ganhar uma cara nova ao longo do ano, sem obra e sem gastar muito.
Estampas e artesanato trazem textura ao ambiente
As estampas são elemento essencial da decoração boho e aparecem em padrões étnicos, florais, xadrez e até de animais, aplicados em tapetes, mantas e almofadas.

Como cada desenho chama atenção por si só, ele aparece melhor quando divide espaço com peças de cor lisa ao redor, o que deixa o olhar descansar entre uma estampa e outra.
O artesanato divide a cena com os tecidos, e o macramé na parede ou em suportes, os cestos de palha que guardam mantas e os tapetes de fibras naturais dão um aspecto feito à mão ao ambiente e reforçam o clima acolhedor que o estilo busca.
Móveis com história e piso de madeira
Os móveis do boho costumam ter aspecto mais envelhecido ou ser de madeira maciça, com veios e nós à mostra, e as peças vintage compradas em antiquários convivem sem cerimônia com os móveis de família que guardam valor sentimental.
Uma poltrona herdada ao lado de um aparador garimpado já mostra quem mora ali. Essa rusticidade, marca do estilo, vai além dos móveis e chega ao chão.
O piso de madeira, incluindo os tacos, reforça a atmosfera aconchegante porque traz conforto visual, e recebe bem tapetes de fibra natural por cima. Ao escolher ou restaurar a madeira, prefira acabamentos que preservem os veios e os nós, já que são eles que dão identidade à peça.
Como misturar sem deixar o ambiente carregado?
O segredo do estilo boho está no equilíbrio. A liberdade de misturar épocas, origens e padrões é o ponto de partida, e o limite fica por conta da harmonia entre as peças, já que não existem regras fixas.

Cada pessoa monta o espaço do jeito que reflete a própria personalidade, e o estilo funciona como forma de expressão.
Repetir uma cor, um material ou uma estampa em pontos diferentes do ambiente costuma dar ritmo à mistura e evita que as peças pareçam soltas.
Na sala que já tem tapete estampado, cortinas leves e almofadas coloridas, uma parede lisa e uma mesa de centro de madeira sem muitos objetos ajudam o olhar a descansar.
Plantas para dentro de casa
As plantas trazem cor e vida para o estilo e ficam à vontade entre madeira, palha e tecidos macios.
Entre as mais indicadas para ambientes internos estão a peperômia, as orquídeas, a samambaia, a costela-de-adão e a espada-de-são-jorge, que podem ocupar o canto da sala, a estante ou a bancada, cada uma em um vaso que combine com o restante da decoração.
A samambaia, por exemplo, pode ficar num suporte de macramé, o que junta artesanato e verde no mesmo canto.
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