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Escola do Futuro em São Roque transforma resíduos da Casa da Moeda em mobiliário escolar e prova que sustentabilidade pode ser ensinada com o próprio ambiente

A unidade pública de R$ 18 milhões, inaugurada no interior paulista, usa um composto industrial feito de papel-moeda defeituoso para fabricar carteiras, armários e até a mesa de ping-pong do pátio e integra esse processo à grade curricular

Escrito por: Cláudio Filla
8 de junho de 2026
em Noticias e lançamentos
Foto: Divulgação Instituto Tran$forma

Foto: Divulgação Instituto Tran$forma

O mobiliário escolar de uma escola pública normalmente não tem história para contar. Aqui, tem. As carteiras das salas de aula, os armários dos corredores, os assentos do auditório e as mesas da biblioteca da primeira Escola do Futuro do estado de São Paulo foram fabricados a partir de cédulas de dinheiro que nunca chegaram às suas mãos, notas com defeito de impressão, falha no corte ou erro de cor, descartadas durante a produção na Casa da Moeda do Brasil.

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A unidade foi inaugurada no Distrito de Maylasky, em São Roque (SP), com investimento de R$ 18 milhões e capacidade para atender mais de 900 crianças e adolescentes. Com 8 mil m², o complexo foi projetado como projeto-piloto para romper com o modelo tradicional de ensino: há laboratórios de robótica, espaços makers, ensino bilíngue e uma grade curricular que trata a emergência climática não como tema avulso, mas como eixo transversal do dia a dia escolar.

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O que torna o projeto singular, porém, não é apenas o que se aprende dentro dele. É o que o próprio ambiente construído comunica antes de qualquer aula começar.

O que acontece com o dinheiro que não pode circular

Durante a fabricação das cédulas brasileiras, qualquer imprecisão no processo produtivo, uma tinta fora do padrão, um corte milimetricamente errado, uma falha nos elementos de segurança, impede que o lote entre em circulação. O descarte desse material gera, por ano, cerca de 200 toneladas de resíduos de papel-moeda só na Casa da Moeda.

Escola do Futuro em São Roque transforma resíduos da Casa da Moeda em mobiliário escolar e prova que sustentabilidade pode ser ensinada com o próprio ambiente
Foto: Divulgação Instituto Tran$forma

Até pouco tempo, parte desse volume era incinerada ou enviada a aterros sanitários. A parceria entre o Instituto Tran$forma e a Casa da Moeda redirecionou esse fluxo para a engenharia de materiais, em uma operação industrial conduzida junto com a Genchi e a Equipa Group. Neste ano, 50 toneladas desse resíduo foram absorvidas exclusivamente para abastecer o mercado escolar da Escola do Futuro.

“Transformar papel-moeda que seria descartado em mobiliário para uma escola pública é fechar um ciclo completo de valor. Mostramos na prática para os alunos que inovação e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas na construção do futuro”, afirma Patricio Malvezzi, CEO do Instituto Tran$forma.

Da cédula à carteira: o processo industrial

O papel-moeda brasileiro não é feito de celulose comum. Sua composição é base de fibras de algodão, fios de segurança metálicos e tintas especiais de alta densidade, uma combinação que torna o material tecnicamente mais complexo do que o papel convencional e, por isso mesmo, mais interessante como matéria-prima industrial.

O processo de transformação segue três etapas integradas. O material chega da Casa da Moeda já triturado e passa por moinhos adicionais na fábrica para ser recalibrado em diferentes espessuras e densidades, conforme o objeto que será produzido. Na sequência, os fragmentos ricos em algodão e tinta são misturados a colas especiais e a resinas plásticas e sintéticas, como o poliéster, acrílico, polipropileno e epóxi. Por fim, o composto é moldado por alta pressão e calor: pode ser injetado em moldes, transformado em painéis maciços ou convertido em filamentos para impressoras 3D de alta precisão.

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Escola do Futuro em São Roque transforma resíduos da Casa da Moeda em mobiliário escolar e prova que sustentabilidade pode ser ensinada com o próprio ambiente
Foto: Divulgação Instituto Tran$forma

O resultado técnico é um material composto onde as fibras de algodão do papel de segurança funcionam como reforço estrutural interno, tornando o mobiliário produzido significativamente mais resistente ao impacto e ao peso do que o mobiliário escolar convencional. Andando pela escola, não há como identificar a origem dos objetos pela aparência e esse é justamente um dos pontos que o projeto explora pedagogicamente.

Um currículo que começa no mobiliário

A proposta da Escola do Futuro não é apenas equipar o ambiente com materiais ecológicos. É fazer com que os estudantes compreendam a lógica por trás de cada escolha construtiva e usem esse entendimento como ponto de partida para disciplinas como química, biologia e matemática.

A emergência climática foi integrada à grade curricular regular como eixo transversal, conectando os conteúdos tradicionais aos desafios ambientais contemporâneos. Além do mobiliário reciclado, o projeto prevê hortas escolares, sistemas de compostagem geridos pelos próprios alunos com o lixo orgânico gerado na cozinha, plantio de mudas de árvores nativas na região e parcerias com entidades locais para o estudo e a proteção de animais silvestres.

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Escola do Futuro em São Roque transforma resíduos da Casa da Moeda em mobiliário escolar e prova que sustentabilidade pode ser ensinada com o próprio ambiente
Foto: Divulgação Instituto Tran$forma

“Nossas equipes de Educação e Meio Ambiente já trabalham na elaboração de uma proposta curricular que leve o tema para o dia a dia dos estudantes. Além de contar com o tema da emergência climática como parte integrante da grade escolar, a escola contará com a implantação de hortas escolares e de sistemas de compostagem”, explica Guto Issa, prefeito de São Roque.

Nesse modelo, o pátio vira laboratório. A horta ensina ciclos biológicos. A mesa de ping-pong, também fabricada com o composto de papel-moeda, carrega uma história que qualquer aluno pode contar depois de entender de onde veio.

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O que este projeto revela sobre ambientes de aprendizagem

O caso da Escola do Futuro de São Roque interessa ao campo da arquitetura e do design de interiores por uma razão objetiva: ele demonstra que o ambiente construído pode ser, por si só, um conteúdo pedagógico. A escolha dos materiais, a origem dos objetos, a lógica construtiva por trás de cada superfície — tudo isso comunica valores antes de qualquer palavra ser dita em sala.

Esse princípio, amplamente defendido no design biofílico e na arquitetura educacional contemporânea, raramente encontra aplicação tão concreta quanto aqui. Não se trata de decorar uma escola com elementos sustentáveis para sinalizar intenção. Trata-se de fazer o próprio mobiliário escolar ser a prova material do que se pretende ensinar.

A meta do poder público é monitorar a durabilidade da estrutura e a resposta dos alunos ao novo método pedagógico para, futuramente, avaliar a expansão do modelo para outras cidades do estado. Se a escala vier, o volume de resíduos da Casa da Moeda redirecionados para uso produtivo crescerá proporcionalmente e o que hoje são 50 toneladas pode se tornar um fluxo industrial relevante dentro da economia circular brasileira.

  • Escola do Futuro em São Roque transforma resíduos da Casa da Moeda em mobiliário escolar e prova que sustentabilidade pode ser ensinada com o próprio ambiente

    Cláudio P. Filla

    Fundador e Editor/Redator do Enfeite Decora
    Publicitário, gestor de mídias sociais e especialista em conteúdo digital sobre decoração, arquitetura, paisagismo, jardinagem e tendências para o lar.
    👉 Biografia completa do autor.

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