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Home Arquitetura e Projetos

6 erros que construtoras cometem em projetos populares e que só aparecem depois que você já assinou o contrato

Do metro quadrado real ao acabamento prometido no memorial descritivo, veja onde o projeto começa a se afastar do que foi vendido no estande de vendas.

Escrito por: Cláudio Filla
16 de julho de 2026
em Arquitetura e Projetos
6 erros que construtoras cometem em projetos populares e que só aparecem depois que você já assinou o contrato

O problema começa bem antes da entrega das chaves. Na maioria dos casos, o comprador de um projeto popular só percebe as falhas reais do imóvel depois de assinar o contrato, quando qualquer reclamação já esbarra em cláusulas de tolerância e prazos de obra em andamento. O que parecia um excelente negócio no estande de vendas se transforma em uma lista de surpresas e dores de cabeça que ninguém avisou.

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Esses erros não são acidentes isolados de percurso. Eles se repetem no mercado imobiliário porque fazem parte de um modelo de construção civil focado em reduzir custos e produzir em larga escala, onde o comprador raramente possui o conhecimento técnico necessário para identificá-los antes da compra. A seguir, analisamos os seis pontos que mais geram atrito e frustração — e como você deve avaliá-los antes de qualquer assinatura.

1. O metro quadrado anunciado não é a área privativa útil

O primeiro erro reside na própria publicidade do projeto. A metragem quadrada anunciada com destaque nos panfletos promocionais, em muitos casos, refere-se à Área Privativa Total (que engloba a espessura das paredes externas e divisórias de alvenaria estrutural, que chegam a medir 15 cm de espessura) ou inclui garagens e depósitos.

O que realmente importa para a sua rotina é a Área Útil (conhecida no mercado como “área vassourável”), que corresponde ao espaço real de piso onde você de fato apoiará seus móveis e circulará pelo apartamento.

De acordo com as diretrizes da norma NBR 12721 (que regula o cálculo de áreas de edificações sob incorporação imobiliária), a construtora é obrigada a discriminar as frações de forma detalhada no Quadro de Áreas.

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O grande erro do consumidor é confiar apenas nas plantas ilustrativas do panfleto sem exigir a planta baixa cotada (com as medidas em centímetros de parede a parede). Sem essa checagem, é comum descobrir que o dormitório principal mal comporta uma cama de casal padrão e um guarda-roupas sem travar a abertura das portas.

2. O memorial descritivo camufla a troca de acabamentos

Todo empreendimento residencial é acompanhado por um documento jurídico obrigatório chamado Memorial Descritivo. Este papel lista oficialmente todas as marcas, modelos e especificações técnicas de tintas, pisos, revestimentos cerâmicos, fiação, metais e louças sanitárias que serão de fato instalados na sua unidade.

6 erros que construtoras cometem em projetos populares e que só aparecem depois que você já assinou o contrato

No entanto, quase todas as construtoras de condomínios populares inserem uma cláusula de salvaguarda que permite a substituição dos materiais especificados por produtos de “qualidade e especificação técnica similares” caso haja desabastecimento de mercado.

Na prática, o piso de porcelanato polido que brilhava no apartamento decorado do estande pode ser substituído por um revestimento cerâmico comum. O mesmo ocorre com torneiras de metal escovado, substituídas por modelos de plástico ABS cromado de marcas de entrada. A construtora cumpre o contrato do ponto de vista formal, mas entrega um acabamento esteticamente inferior ao que motivou a compra no showroom de vendas.

3. A área de lazer entregue é menor do que as imagens promocionais

Piscina semiolímpica, academia completa de musculação, salão de festas decorado e playground infantil são exibidos em maquetes virtuais (renderizações) com proporções que induzem o olhar ao erro de percepção espacial. Muitas vezes, essas facilidades comuns são comprimidas para caber nas bordas do terreno depois que a área das torres residenciais consome a maior parte do lote construtivo útil.

As imagens do estande costumam utilizar lentes de ângulo aberto que distorcem as distâncias, fazendo com que uma piscina de apenas 6 metros de comprimento pareça uma piscina olímpica.

Para não cair nessa armadilha de publicidade, exija a Planta de Implantação Geral do Condomínio, que apresenta o desenho técnico do terreno em escala real, revelando as medidas exatas de cada área de lazer compartilhada antes de fechar negócio.

4. O prazo de entrega tem margem de tolerância sem explicação clara

Contratos de promessa de compra e venda de imóveis na planta incluem rotineiramente a chamada cláusula de tolerância de prorrogação de prazo de conclusão de obra de até 180 dias corridos. Esta margem é permitida por lei e está expressamente oficializada pela Lei do Distrato Imobiliário (Lei 13.786/18), sem que o atraso justifique qualquer pagamento de multa ou indenização ao comprador.

6 erros que construtoras cometem em projetos populares e que só aparecem depois que você já assinou o contrato
Realizada antes da entrega das chaves, a vistoria é parte fundamental da aquisição de um imóvel, seja ele novo ou usado | Foto: Freepik

O problema não é a presença da regra jurídica, mas sim a omissão das equipes comerciais durante a apresentação do cronograma. O vendedor costuma reforçar a data contratual exata estimada para a entrega das chaves.

O comprador planeja sua mudança, o fim do seu aluguel anterior e até casamentos baseando-se nessa data fictícia, sem saber que o cronograma legalmente aceito e contratado é, na verdade, 6 meses mais longo do que o prometido de boca.

5. A infraestrutura do entorno não acompanha o andamento da obra

Para garantir viabilidade financeira e lucros, os empreendimentos populares costumam ser lançados em áreas de expansão periférica das cidades, onde os terrenos urbanos ainda são mais baratos para a construtora adquirir.

A promessa de venda é de que a prefeitura pavimentará as vias no entorno e que novas linhas de ônibus, creches e comércios de conveniência serão instalados em breve no local.

No entanto, o ritmo do desenvolvimento municipal quase nunca acompanha a velocidade das construtoras, que levantam as torres em cerca de 24 a 36 meses.

É recorrente que o comprador receba as chaves de um apartamento perfeitamente finalizado e funcional por dentro, mas cercado por ruas de terra sem asfalto, sem iluminação pública adequada e totalmente desprovido de pontos básicos de ônibus ou supermercados a distâncias caminháveis.

  • Veja também: Reformar casa dos anos 1970: os custos, riscos ocultos de engenharia e planejamento elétrico

6. O impacto cumulativo do reajuste do saldo devedor pelo INCC

Durante a fase de construção do condomínio, o saldo que resta financiar com o banco não fica congelado. Ele é atualizado mensalmente por índices de correção monetária do setor, sendo o mais comum o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção).

Essa correção incide cumulativamente sobre o saldo devedor até a emissão oficial do “Habite-se” pela Prefeitura. Em períodos de inflação alta ou de grande encarecimento de insumos como aço, cimento e cobre, o saldo devedor sobe de forma expressiva mês após mês.

Se o comprador não planejar o seu orçamento mensal para absorver essa diferença, ao final da obra ele pode descobrir que o valor que precisará financiar com a instituição bancária é muito maior do que o simulado no dia em que assinou o contrato no estande de vendas, gerando dificuldades para aprovar a linha de crédito final.

  • 6 erros que construtoras cometem em projetos populares e que só aparecem depois que você já assinou o contrato

    Cláudio P. Filla

    Fundador e Editor-Chefe do Enfeite Decora

    Publicitário, gestor de mídias sociais e especialista em conteúdo digital sobre decoração, arquitetura, paisagismo, jardinagem e tendências para o lar.

    👉 Biografia completa do autor.

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