O quebra-quebra na parede já virou sinônimo de reforma, mas nem sempre é preciso. Uma cobertura de 400 m² no bairro de Moema, em São Paulo, prova que dá para transformar um imóvel de alto padrão inteiro trabalhando apenas com o que já existe. Aqui, o piso, estrutura e esquadrias originais ficaram de pé, e o dinheiro foi para onde realmente muda a percepção de um espaço, no mobiliário, na marcenaria sob medida e na iluminação.
O projeto é assinado pelo Estúdio Maré, escritório comandado pela arquiteta Lívia Leite, e foi pensado para um casal com dois bebês e um gato. A encomenda tinha um recorte claro: entregar uma casa nova para a rotina da família sem passar pelo caos de uma obra estrutural. “A base arquitetônica já era muito bem resolvida. O nosso trabalho foi de curadoria: escolher onde investir para que a mudança fosse sentida em cada cômodo, sem gerar entulho desnecessário”, explica Lívia.
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O que muda quando não se demole?

O grande erro em reformas de apartamentos grandes é tratar cada ambiente como se precisasse recomeçar do zero. E aqui, o piso de madeira de demolição do pavimento inferior foi apenas restaurado, e passou a protagonizar a área social com uma composição nova de sofás, poltronas, tapetes e obras de arte.

A escolha por manter a madeira original não é só estética. É também uma forma de aproveitar um material que já tem história e comportamento estável no ambiente, algo que peças novas levariam anos para adquirir.
Na cozinha e na copa, o armário existente recebeu adesivagem, técnica que troca a face das portas sem tocar na estrutura da marcenaria. É uma solução que costuma ser subestimada, mas que resolve o desgaste visual de um ambiente com uma fração do custo e do tempo de uma marcenaria nova.

Quartos infantis e suíte: mudança pontual, impacto grande
Nos quartos das crianças, os móveis que já existiam ganharam companhia de papel de parede, novo enxoval e iluminação redesenhada. É um exemplo direto de como decoração bem pensada resolve o que, à primeira vista, pareceria exigir troca completa de mobiliário.

A suíte máster recebeu o pacote mais robusto de intervenções pontuais: textura na parede, cabeceira ripada e peças de mobiliário contemporâneo. O banheiro do casal passou por reforma sem quebra-quebra, graças à sobreposição de revestimento sobre o material existente, técnica que vem ganhando espaço em projetos que precisam de cronograma enxuto.
Escada, mármore e área externa
A circulação entre os pavimentos ganhou um dos detalhes mais interessantes do projeto: adesivagem de alta resistência aplicada diretamente nos degraus da escada central, substituindo o acabamento original sem obra de piso.

No andar de cima, o piso de mármore foi mantido e recebeu ao redor uma decoração mais leve, para equilibrar o peso visual da pedra.
Na área externa, deck e piscina permaneceram no lugar, mas ganharam revestimento de desenho exclusivo. Uma porta camarão em serralheria, desenvolvida sob medida, agora permite integrar ou isolar o espaço gourmet conforme a ocasião, um recurso de marcenaria metálica que tem sido cada vez mais usado em coberturas e áreas de lazer de apartamentos.

O resultado reforça algo que arquitetos de retrofit repetem com frequência: o que dá cara nova a um imóvel de alto padrão nem sempre é a demolição, é a curadoria de cada escolha, do tom da madeira ao desenho da porta.
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