Transformar esse espaço em uma edícula com churrasqueira é uma das reformas residenciais com melhor custo-benefício disponíveis hoje, tanto pelo uso direto quanto pela valorização imediata do imóvel. Mas o orçamento costuma ser a primeira dúvida, e também a primeira fonte de frustração quando não é planejado com cuidado.
Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor de construção civil registrou crescimento de 2,9% no volume de lançamentos no primeiro trimestre de 2026, e a procura por ampliações residenciais, especialmente edículas, áreas gourmet e quarto de hóspedes no fundo do terreno, acompanhou essa curva. Em 2026, a tendência segue aquecida: pesquisa da consultoria Brain revelou que 49% dos brasileiros pretendem investir em imóvel em até 24 meses, e uma parcela expressiva desse público mira justamente em melhorias no imóvel já existente.
O que é, de fato, uma edícula com churrasqueira
A edícula é uma construção secundária dentro do mesmo lote da residência principal. Pode funcionar como quarto de hóspedes, lavanderia, escritório externo ou, na versão mais procurada atualmente, como área gourmet com churrasqueira. O grande diferencial é a independência: ela existe separada da casa, com acesso próprio, o que dá privacidade ao lazer e evita que os convidados circulem pelos ambientes íntimos da residência.

Essa separação também é um ponto técnico importante. Por ser uma construção nova dentro do lote, a edícula exige projeto aprovado, ART ou RRT assinada por engenheiro ou arquiteto, alvará de construção emitido pela prefeitura e, ao final da obra, o habite-se e a averbação na matrícula do imóvel. Obra sem essa documentação é obra irregular e obra irregular trava financiamento, venda e pode gerar multa municipal. Esse é um detalhe que muitos proprietários ignoram na hora de cotar apenas com pedreiro e ignorar o projeto técnico.
Quanto custa construir uma edícula com churrasqueira em 2026?
O custo para construir uma edícula com churrasqueira varia bastante, e essa variação tem motivo, principalmente pela configuração do espaço, que é o fator que mais pesa no orçamento final. De forma geral, o custo por metro quadrado de uma edícula fica entre R$ 1.500 e R$ 2.800, considerando materiais e mão de obra em padrão simples a intermediário. Esse valor inclui fundação leve, alvenaria, cobertura, piso cerâmico e a churrasqueira em alvenaria.
Acabamentos mais sofisticados, como o porcelanato, pedras naturais, bancadas em granito ou mármore e pergolado de madeira, podem elevar esse custo para acima de R$ 3.500 por m². Na prática, a metragem mais comum para uma edícula gourmet fica entre 15 m² e 45 m². Abaixo disso, o espaço se torna funcional apenas como cobertura de churrasqueira. Acima dos 45 m², o projeto já se aproxima de uma casa pequena, com outros requisitos de fundação e estrutura.
Para ter uma referência concreta: segundo dados do SINAPI e do CUB (Custo Unitário Básico da Construção) referentes a janeiro de 2026 em São Paulo, o CUB R-1, índice para construção residencial popular, está em R$ 2.150 por m². Na prática, edículas simples saem abaixo desse valor por serem térreas, sem elevador, com fundação rasa e estrutura mais leve.
Tabela de referência para 2026 (valores médios, padrão popular a médio):
- Edícula de 15 m² com churrasqueira coberta: R$ 22.500 a R$ 42.000
- Edícula de 20 m² com churrasqueira e bancada gourmet: R$ 30.000 a R$ 56.000
- Edícula de 30 m² com churrasqueira, banheiro e área de estar: R$ 45.000 a R$ 84.000
- Edícula de 40 m² completa com cozinha, banheiro e área gourmet: R$ 60.000 a R$ 112.000
Esses valores não incluem projeto arquitetônico, taxas de aprovação na prefeitura e mobiliário. O projeto técnico, que muita gente trata como gasto opcional, costuma custar entre R$ 800 e R$ 8.000 dependendo da metragem e do escritório contratado e é ele que evita retrabalho, interdição e, no pior dos casos, demolição.
O que encarece (e o que barateia) a obra
A churrasqueira em alvenaria construída no local é mais cara do que os modelos pré-moldados, mas oferece mais integração ao projeto e durabilidade maior. Uma churrasqueira de alvenaria de tamanho médio, com cerca de 70 cm de largura e tijolo refratário, sai entre R$ 2.500 e R$ 3.500 incluindo materiais e mão de obra (dados atuais/2026). A diária de um pedreiro especializado nesse tipo de construção gira entre R$ 250 e R$ 350, e a execução leva, em média, de três a cinco dias.

O grande erro que se vê com frequência é subestimar o impacto do acabamento no orçamento total. Materiais como revestimento de parede, louças, metais, bancadas e cobertura podem dobrar, ou até triplicar, o custo da obra. Uma edícula com piso cerâmico simples e cobertura de fibrocimento sai muito diferente de uma com piso de porcelanato retificado, cobertura de vidro temperado ou estrutura metálica aparente.
A instalação hidráulica é outro fator que aumenta o custo de forma significativa. Uma edícula só com churrasqueira e cobertura dispensa hidráulica complexa. Já um projeto com banheiro integrado exige ramal de esgoto, instalação de registro, ponto de água quente e fria, o que eleva o custo final em R$ 4.000 a R$ 12.000 dependendo da distância da rede principal da casa.
O que realmente faz a diferença no custo final é a escolha do padrão de acabamento antes de fechar o orçamento com o executor da obra. Decidir o revestimento depois de iniciar a construção é o caminho mais rápido para estourar o budget
Edícula em L, coberta ou aberta: o formato muda o preço
A configuração em planta também interfere diretamente no custo. A edícula em L, muito comum em terrenos com largura suficiente, permite criar zonas distintas num mesmo projeto: área de churrasqueira de um lado, lavanderia ou espaço de estar do outro. É uma solução funcional, mas exige fundação em dois eixos e cobertura em ângulo, o que eleva a complexidade da obra.
Já uma edícula coberta simples, com estrutura de pilares e telha, é a opção mais econômica e também a mais rápida de executar. A cobertura de policarbonato translúcida é uma escolha comum por equilibrar preço, luminosidade e proteção contra chuva. A de telha cerâmica oferece mais charme rústico, mas exige estrutura de madeira ou metálica com mais exigência de mão de obra.

A edícula fechada, com paredes completas e esquadrias, é indicada para climas mais frios ou para quem deseja privacidade total. Nesse caso, o custo por metro quadrado sobe, pois entram esquadrias de alumínio ou madeira, vidros e a necessidade de ventilação mecânica para a churrasqueira.
Documentação e regulamentação: a etapa que ninguém quer pagar, mas que protege tudo
Cuidado com o excesso de informalidade nessa etapa. Construir sem projeto aprovado pode parecer uma economia no curto prazo, mas é um risco real de perda de investimento. A prefeitura pode exigir a demolição de construções irregulares, além de impedir a regularização do imóvel na hora de vender ou financiar.
Os documentos essenciais são: alvará de construção, ART ou RRT, habite-se e averbação na matrícula do imóvel. O custo dessas taxas varia por município, mas costuma ficar entre R$ 1.500 e R$ 4.000. Somado ao projeto técnico, esse conjunto representa entre 5% e 10% do custo total da obra e é o percentual que mais vale pagar.
O que o mercado mostra: edícula como investimento
Em 2025, a procura por projetos de edícula com churrasqueira cresceu de forma consistente junto com a expansão do mercado imobiliário brasileiro, que fechou o ano com lançamentos residenciais 10,6% maiores em volume em relação a 2024, segundo a CBIC. Em 2026, com mais brasileiros optando por melhorar o imóvel existente diante do custo elevado do crédito para aquisição, esse tipo de construção secundária segue como um dos investimentos residenciais mais procurados.
Além do uso imediato, a edícula valoriza o imóvel. Um estudo interno de plataformas imobiliárias brasileiras aponta que residências com área gourmet ou edícula com churrasqueira têm velocidade de venda superior à média e valor de oferta entre 8% e 15% acima de imóveis similares sem esse espaço, especialmente em casas de médio padrão.
Mais do que mera coincidência, o espaço de lazer externo se tornou, nos últimos anos, um critério de decisão real para compradores e locatários. O quintal que antes era depósito passou a ser argumento de venda.
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