O teto, as paredes e o piso de um apartamento novo definem mais do que a aparência da casa. Eles determinam onde a luz vai incidir, que móveis cabem com folga e quanto custa corrigir uma escolha feita fora de hora.
Por isso, o primeiro passo depois de receber as chaves do apartamento é resolver a base e desenhar o layout, e só então abrir a lista de compras.
Acompanhe as novidades do Enfeite Decora
A seguir, a arquiteta Clarice Maggi explica como encadear marcenaria, móveis soltos e acabamentos para decorar o apartamento sem pressa e sem desperdício. A ordem pode parecer detalhe, mas ela muda o resultado de cada etapa, a começar pelo que muita gente faz logo no primeiro fim de semana com o imóvel.
Comprar móveis primeiro sai caro
Quem acaba de receber o imóvel costuma sentir urgência, e essa urgência empurra para a loja. A arquiteta Clarice Maggi observa que muita gente começa pelo final, comprando móveis e já definindo móveis planejados, quando seria preciso seguir uma ordem para as coisas fluírem melhor.

Segundo ela, “essa ordem certa faz toda a diferença para evitar erro, gasto desnecessário, frustração, dinheiro mal investido e arrependimento.”
Um sofá escolhido antes do layout, por exemplo, pode travar a circulação da sala. Uma marcenaria desenhada antes de conhecer o estado do piso e das paredes pode exigir ajustes depois de instalada. Tudo isso se evita com planejamento, que começa pelo que já existe no apartamento.
Teto, paredes e piso: a base que sustenta o resto
Na hora de receber o imóvel, vale olhar com atenção para o que a construtora entregou. Como está o teto? Em que condição as paredes chegaram? O piso já veio com revestimento ou ainda precisa ser definido?
Esclarecer essas questões antes da entrada dos móveis evita pintura em ambiente já mobiliado e assentamento de porcelanato com sofá encostado na parede. Clarice trata a base como o princípio de tudo e deixa clara a preferência por uma paleta discreta.
“E aqui eu defendo a base neutra, se informe melhor, faça boas escolhas.” Paredes em branco ou off-white, piso de madeira clara ou porcelanato de tom suave e teto limpo formam um fundo que aceita trocas de sofá, tapete e cor ao longo dos anos sem obrigar a refazer o revestimento.
Layout: circulação e proporção antes da marcenaria
Com a base definida, o layout organiza a disposição do mobiliário, a circulação entre os cômodos e as proporções reais do espaço. É nessa fase que se confere se o sofá cabe na sala sem apertar a passagem, se a mesa de jantar deixa área para as cadeiras recuarem e em que parede a marcenaria pode entrar sem fechar o ambiente.

Por isso, medir os cômodos e desenhar a planta com os móveis em escala já responde a boa parte dessas perguntas. O layout também orienta a posição de tomadas, pontos de luz e interruptores, ajustes mais simples de fazer enquanto as paredes ainda estão livres.
Só depois dessa definição faz sentido fechar o projeto de móveis sob medida, porque cada módulo passa a nascer com medida e função certas.
Móveis soltos merecem o melhor orçamento
Entre a marcenaria e os detalhes ficam os móveis soltos, como sofá, poltronas, mesas e aparadores. Para a arquiteta, eles carregam a identidade da casa e pedem escolhas cuidadosas: “Eles devem ser de qualidade, durabilidade, atemporais, terem bom desenho e bom acabamento.”
Peças com essas características acompanham mudanças de decoração e até de endereço, enquanto modelos presos a uma moda curta envelhecem antes de a casa ficar pronta. A recomendação dela não deixa margem para economia nesse ponto.
Os móveis soltos fazem toda a diferença na identidade, personalidade, na casa com cara de casa, no acabamento, capricha nos móveis soltos e não economiza nisso.” Se o orçamento precisa ser apertado em algum lugar, o espaço para isso está nos itens que podem ser trocados depois, e não na estrutura da sala.
Cortinas, tapetes e quadros entram por último
Resolvida a parte principal, começam os elementos que dão vida ao apartamento. Cortinas, tapetes, quadros e adornos ajudam a ambientar cada cômodo, e a arquiteta lembra que o ritmo aqui é outro: “Todos os tecidos como cortina, tapete, o que vai trazer ambientação como os quadros, os adornos. Tudo isso pode ser visto com calma.”
Essa calma tem uma vantagem prática, pois com o sofá já instalado, fica fácil escolher o tamanho do tapete que ocupa a área de estar, e com a luz natural conhecida ao longo do dia, a cortina certa, em linho claro ou em tecido mais encorpado, deixa de ser palpite.
Quadros e objetos, por sua vez, podem ir chegando aos poucos, e a casa ganha personalidade à medida que o morador entende como usa cada canto.
| Para mais conteúdos do Enfeitedecora, siga o nosso X (Twitter), Instagram e Facebook,
inscreva-se no nosso canal no Pinterest,
no Google e acompanhe as atualizações sobre decoração, arquitetura, arte e projetos inspiradores. E-mail: [email protected] |





