Escolher uma torneira para o banheiro antes mesmo de definir a cuba é o costume mais comum de quem está reformando o banheiro, e também é onde mora o erro mais silencioso do projeto. A pessoa se apaixona pelo desenho de uma torneira, compra, guarda a caixa, e só depois procura a cuba que vai receber aquela peça. O problema é que cuba e torneira não devem ser vistos como objetos independentes, mas como um conjunto, e a distância entre o bico da torneira e o fundo da cuba determina se a água vai cair dentro dela ou vai molhar tudo ao redor.
Esse erro aparece facilmente e basta que se abra a torneira para lavar as mãos ou escovar os dentes (a água bate na lateral da cuba antes de descer, espirrando na bancada, no espelho, no chão). Contudo, esse problema não é uma falha de fabricação ou algum defeito de instalação. É desencontro de altura entre a cuba e a torneira, um detalhe que raramente é percebido antes da reforma estar pronta.
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Por que a altura da torneira muda tanto?
Para entender, é preciso enxergar o percurso da água. Assim, quanto mais alta a cuba, menor precisa ser a distância entre o bico da torneira e a borda, senão o jato ganha força e espalha ao encontrar a superfície. Quanto mais baixa a cuba estiver embutida na bancada, mais espaço a torneira tem para trabalhar sem espirrar.
O padrão que evita a dor de cabeça
Para não ter problemas e acertar essa combinação, sem depender de tentativa e erro, pode se seguir uma padrão que varia conforme o modelo de cuba escolhido.

Uma cuba de apoio, por exemplo, pede a escolha de uma torneira alta. Como esse modelo fica inteiro sobre a bancada, com bastante altura própria, a torneira precisa de um bico mais elevado para que a água caia no centro da cuba, e não na borda.
Já uma cuba de sobrepor, que fica parcialmente apoiada sobre o móvel, combina melhor com torneira de altura média. É o meio-termo mais comum em banheiros de apartamento e o mais fácil de encontrar pronto no mercado.

Logo, uma cuba de embutir, encaixada abaixo do nível da bancada, exige a escolha de uma torneira baixa. Se a torneira for alta demais nesse modelo, o jato ganha velocidade antes de tocar a água acumulada e o respingo se torna praticamente garantido.
Enquanto uma cuba de semi-encaixe, que fica parte dentro e parte fora do móvel, também funciona melhor com torneira de altura média, seguindo a mesma lógica da cuba de sobrepor.
Compre pensando no par, não na peça?
O que realmente faz diferença é inverter a ordem da compra e da escolha. Em vez de escolher primeiro a torneira, somente pelo desenho e sair atrás da cuba compatível, o caminho mais seguro é decidir primeiro qual tipo de cuba vai entrar no projeto e, a partir dela, buscar a torneira com a altura correspondente. Isso evita retrabalho, evita bancada estragada por água parada e evita aquele incômodo diário de secar respingo toda vez que alguém usa a pia.
Cuidado apenas com o excesso de personalização nessa etapa. Torneiras com desenhos muito diferentes do padrão do mercado, como bicos giratórios longos ou modelos em ângulo, exigem ainda mais atenção à distância até a cuba, porque fogem da referência de altura convencional. Nesses casos, vale medir com calma antes de fechar a compra, de preferência com as duas peças lado a lado, e não apenas confiando na ficha técnica do catálogo.
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